Correio do Minho

Braga, quarta-feira

De Braga até ao Arcos de Valdevez pela estrada de Monção

Semana Europeia da Prevenção de Resíduos

Conta o Leitor

2014-08-14 às 06h00

Escritor

Manhã cedo. Nasce o Sol.
Opção; Conduzir. Desafiar o tino, o tempo e os sentidos.
A estrada é sinuosa e a vida fervilha. Cada motivo têm história singular, em que, com a perspicácia possível me vou ajustando a molduras deste mundo em permanente mutação.
Onde a estrada se acomoda ao colo da encosta serrana arrumando terras e civilizações até Monção onde o Rio Minho estabelece a fronteira com a Galiza na vizinha Espanha.
Transposta a Ponte do Bico, situada sobre o Rio Cávado, e já se está Entre Pontes no Concelho de Amares atravessando a Ponte sobre o Rio Homem. Percorridos dois ou três quilómetros no sentido de Vila Verde fica o Alivio, já no concelho de Vila Verde. Localidade onde pontifica o Santuário erigido à Nossa Senhora do Alivio. Um Santuário Mariano muito visitado por residentes, forasteiros, emigrantes e turistas também, que de uma forma geral lhe exprimirem a sua devoção; cumprem promessas feitas; e agradecem graças concedidas.
Em tempos não muito longínquos, na festa anual à Padroeira, predominavam os conterrâneos emigrados por essa Europa fora.
Vila Verde, “a Vila com o nome mais bonito da Região de Entre Douro e Minho” segundo “reza” placa pregada numa das paredes da sua Câmara Municipal,
é um Concelho onde o verde pujante da ruralidade ancestral predomina. Cidade de “risco ao meio” designação para as cidades em que a sua rua principal é a estrada nacional que a atravessa. É uma cidade onde o asseio é notório e o parque infantil existente no seu centro está repleto de crianças que ali brincam acompanhadas por familiares. Cidade onde pontuam tílias centenárias que ladeiam a via principal e outras artérias centrais por onde espalham o seu inconfundível aroma e a sua acolhedora sombra.
Vila verde é uma Cidade de pacatez sensaborona, que se olha, desfruta e goza.
E que nesta viagem a caminho dos Arcos de Valdevez, passada que foi, já fica para trás. A estrada continua ao seu ritmo de curvas e contra curvas num frenesim que põe há prova os cinco sentidos Humanos.
Atravesso o Pico dos Regalados; Valdozende; Ponte da Barca e os seus miradouros sobre o Rio Lima. A Ponte Romana. O urbanismo avulso construído em altura na sua parte nova e que descaracterizam esta cidade tipicamente Minhota.  O seu vinho verde branco com fama firmada nos apreciadores deste néctar. O seu local de eleição para piqueniques numa tarde solarenga bem passada que é um magnífico choupal situado na margem do Rio Lima.

Passada a Barca pela ponte romana a cidade dos Arcos de Valdevez dista uns escassos quilómetros.
É uma cidade em 'cascata' que 'cai' sobre o Rio Vez de ambas as margens com um estuário soberbo que se espraia sobre areia e xisto límpidos constituindo uma magnifica praia fluvial. Hoje, Domingo, mês de Julho,  está cheia de gente. Gente nova porque os de mais idade por estas bandas são mais recatados no que ao mostrar os seus atributos físicos diz respeito. E a gostos de lazer na vida também.
Acontece que a hora já é de almoço e eu também almoço (!).
Ocorreu-me um restaurante onde sempre que por aqui passo costumo almoçar. Nem sequer hesito. Estaciono a viatura no primeiro local que encontro que aqui é tudo perto e subo um curto trajeto da rua que liga ao centro. - Esta rua, não há muitos anos era a estrada nacional de Braga a Monção que como era usual atravessava também a cidade. - na primeira travessa viro à esquerda, onde se situa o restaurante onde a confeção gastronômica é regional como não poderia deixar de ser. O seu interior tem decoração regional também onde predomina a madeira e uma quantidade considerável de adereços agrícolas. Tem uma pequena explanada corrida constituída por quatro mesas com as respetivas cadeiras em plena rua. Uma viela estreita.
A ementa?
Rojões à moda do Minho, obviamente!
Bacalhau, como não poderia deixar de haver.
Cabrito e Vitela assada, entre outros.
Opto pelo cabrito que peço em voz alta ao dono do estabelecimento que é quem serve nas mesas.
- Óh companheiro! O cabrito é cão ou borrego?
- Ah! Ah! Ah! (Soa gargalhada estridente) É cabrito do monte que eu mesmo fui buscar e que em casa matei. Coma cabrito que é de confiança! Entretanto vá entretendo a barriga com estas 'entradas' de presunto e bolinhos de bacalhau.
- Olhe lá! E a conta? Não me leve a pele porque com estas 'entradas' mais o cabrito e o vinho, a conta vai ‘doer’!
- Não se preocupe. Na minha casa ninguém sai sem o casaco! Ah! Ah! Ah!
E assim foi. A conta ficou dentro dos parâmetros dos preços correntes.
Finda a refeição resolvi dar um pequeno passeio pela marginal. Como é costume, em época de verão, no Minho há sempre festa. E festa no Minho tem que ter folclore.
Na bonita marginal está montado um palco. Por ele desfilam dois Ranchos Folclóricos e um Grupo de Bombos. Cantares ao desafio também há. Terra Minhota que se preze não dispensa esta diversidade de dançares, cantares e tocares!
Em frente ao palco o povo genuíno dança com alegria!

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