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Braga, quarta-feira

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Dança da roda

Nem um direito a menos

Dança da roda

Ideias

2020-01-19 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Os coletes amaguelos. Findava 2018 e o poder em França caiu na rua. Vestido a moderno, queria Macron favorecer a transição energética do país, e vá de sobretaxar a electricidade e os combustíveis. Ideia excelente embrulhada em papel rasca, em decreto que aprofundava o enrascanso de quem vive à rasca, de quem todos os meses rezava para que o dia 25 fosse o dia 31. Ora nós, que já levamos à grande na conta da luz, para que às migalhas do «toca-a-todos» solvamos uma bancarrota, e fomos calando, demos de caras, há dias, com um incremento de meia-dúzia de cêntimos nos combustíveis, novel taxa ao encontro da nobre ideia repudiada em terras gaulesas. Pior, consta que as gasolineiras já incorporaram um aumento que ainda não terá sido oficializado. Eu até queria estar a dar voz a asneiras, mas já nem sei. Descaio do amarelo para o amaguelo: se isto não são os brandos costumes de antigamente, a anomia de um povinho tolhido, então é o quê?
A adaga na cinta. Votaram 25 dos 26 inscritos, e todos no barão do Porto, para onde corre o rio que passa em Freixo. Pinto Luz? Não senhor, não gastamos de sulismos? Montenegro? Fuje! Arrenego! Esconjuros que não caem bem num colinho de opinião de nicho. Cómoda investigação, «Observador» que de denúncia faz eco: que teria havido votos em urna de quem não saiu de casa. Votos de confiança afiançada, a rogo, jeito com barbas num Portugal que nunca deixou de ser dos pequeninos. A votação na Madeira não foi para o galheiro, porque um regedor local não resolveu dizer que, no seu couto, sabia ele bem como se fazia e desfazia? E que fosse o Rio, de levada, dar umas voltinhas ao meandro, de prancha-à-vela numa lei da república, norma que dita que nota anónima não entra em caixa de partido. Se Rio turva, por o que em Freixo se passou, não será justo que lhe travemos o curso, também, pelos cadernos eleitorais abalroados da Madeira? É engraçado: se há coisa que no homem parece evidente, é a sua falta de jogo de cintura para comadrios, para arranjinhos de uma mão lava a outra. Não sei se Rio é dos que prospera em estufa de amiguismos, mas que tem um rico lombo para umas punhaladas, lá isso tem. Ele até se logotipou com um alvo colorido! Sai dardo!
Vai-te catar! Mas o que não se disse dos que, sem tento, sem caridade, passaram a candidata do Livre a rolo de compressor! E ei-la que se fez eleger. Viva a deputada, face real de minorias, espada brandida de escravos e oprimidos, imagem vívida da vontade e da força de superação. Que só uma mente mesquinha se inclina a apoucar uma pessoa disfémica. Que interessava um p-p-p-p, se as ideias eras claras e fluidas! Quais? Razão que a nenhum lado assiste: nem as críticas por mero preconceito relevam sabedoria, nem o endosso cego de um dos nossos nos poupa a triste figura. Arranja-se, o Livre, para descartar a deputada singular, invocando falhas que nada têm a ver com a particularidade que a ridicularizava. Será? Pior: e nos tempos que levaram de acção e militância, não se aperceberam dos rabinhos da madame? Porque é que o Livre, cotado como formação de gentes progressistas e esclarecidas, cai nos erros de elenco de qualquer partido da velha guarda? Será que só chegam ao topo os voluntaristas, cujos óbices tarde ou cedo vêm ao de cima? Deus nos livre!
Nervos à flor da pele. Um avião fora de rota leva com tudo o que lhe atirem. Ninguém merece morrer por engano. Recai, desta vez, a vilania sobre o Irão, mas uma boa teoria da conspiração poderia pôr-nos de cabeça à roda. Tão mais é o que não sabemos.

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