Correio do Minho

Braga,

Da subvenção à Suspensão

Macron - Micron

Ideias Políticas

2014-11-25 às 06h00

Francisco Mota

Na última semana fomos surpreendidos com aquilo que eu classifico de “corrupios políticos”. Certamente todos os leitores estão familiarizados com o tema da reposição das subvenções a antigos titulares de cargos políticos e com todos os episódios de uma novela protagonizada pelo Partido Socialista (PS) e pelo Partido Social Democrata (PSD). Num período em que os ventos eram dados à legionella, eis que dois santos pecadores tentam passar pelos pingos das gotículas, convencidos que levariam a sua avante, e assim resgatar os ditos direitos adquiridos da brigada dos reumáticos.

Olhando aos factos, depois de ter anunciado, por via oficial, que iria pedir o adiamento da votação da proposta que repõe as subvenções a antigos titulares de cargos políticos, o PSD voltou atrás e acabou por votar a proposta. Apresentada por José Lello (PS) e Couto dos Santos (PSD), que termina com a suspensão do pagamento das pensões vitalícias a ex-políticos, acabou assim por passar, inicialmente, com os votos do PSD e do PS.

Confrontados com a convulsão social e política, de tal opção, rapidamente o quartel geral de cada partido do arco da governação colocam as suas tropas em sentido, fazem tocar os sinos arrebate, avalia-se as consequências da medida e enquanto o País dormia invertem os ventos da reposição e mantêm por agora a sua suspensão.

Independentemente de terem voltado atrás, continuo a considerar que o PSD e do PS traíram o povo português. E mesmo este assunto tendo voltado à gaveta nada me garante que esta brigada não volte mais cedo ou mais tarde a atacar. Por isso desafio os líderes da JS e da JSD a tomarem publicamente uma posição sobre esta questão, porque esta não é a causa de uma juventude partidária, mas sim de uma geração que quer fazer diferente na política.

Num período de grandes dificuldades para as famílias portuguesas, a quem foi e é pedido mobilização pela construção de um novo Portugal, esta postura, de dois partidos responsáveis merece total reprovação. Se em 2005 houve a coragem de romper com estes benefícios e em 2011 de suspender já quem beneficiava, não compreendo a falta de sensatez na proposta, quando hoje se exige é que a classe política seja a primeira a dar o exemplo perante os Portugueses.

Este foi mais um momento de descrédito da política e dos políticos, que nunca encaram os lugares que ocupam como uma missão confiada pelos portugueses mas sim como um estatuto socialmente superior que se perpetua pelo tempo. Esta é a atitude de uma brigada que se foi arrastando ao longo dos anos nos corredores da AR e que não permite a renovação geracional da casa da democracia. Esta é atitude que as novas gerações não querem na classe política. Esta é a atitude da irresponsabilidade e da incoerência, lembrando um velho ditado, 'olhem para o que eu digo não olhem para o que eu faço'. Esta é a atitude que não aceito nem me conformo.

Infelizmente, só em Portugal é que os Políticos são beneficiados quando estão na linha de desempenhar algum cargo, quando desempenham e depois de desempenhar.
Esta não é certamente a via pela qual as novas gerações pretendem ver trilhado o futuro da acção política. A credibilização das instituições apenas é possível com atitude, vontade de mudança e transparência. E desde logo estas três premissas apenas são atingíveis com uma nova mentalidade dos agentes políticos, pois por mais profissionalismo que seja dado à vida política, e bem, resta apenas poder ser encarada como missão e não como subvenção.

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