Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Da relação do sistema educativo com os percursos formativos

O espantalho

Escreve quem sabe

2015-09-06 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Retomando as crónicas neste espaço de opinião, depois de um verão incerto e, sem o vigor de outros tempos, esperamos que, pelo menos tenha sido retemperador, para podermos enfrentar o resto do ano com coragem e muita confiança.
Avizinhando-se o início de um novo ano letivo, a relação da juventude com o espaço escolar é, seguramente, um tema que merece uma atenção especial, tendo em linha de conta as preocupações, que hoje em dia se geram em torno do processo educativo e face da diversidade de factores, que determinam a condição social das novas gerações. Apesar do caminho percorrido, as respostas ainda são insuficientes.
Sendo, neste contexto, as mudanças na sociedade, a partir das transformações constantes do mundo do trabalho, um desses fatores mais relevantes, no que diz respeito à empregabilidade e ao emprego. Um fator que tem determinado mudanças dos processos de produção e de trabalho com a aplicação de novas tecnologias e o aparecimento das novas formas de gestão, gerarando significativas alterações na vida social, fazendo com que a inserção no mercado de trabalho, na qualidade do processo laboral, na economia e no universo das relações sociais.
A condição social dos jovens está no centro destas transformações, não só do ponto de vista económico, mas também na perspectiva cultural e, sobretudo, no processo educativo e na formação profissional.
Uma diversidade de fatores, que sempre definiram a entrada de qualquer indivíduo na vida adulta, que se acentuou na sociedade atual, perante os níveis relativamente altos de desemprego estrutural, rápida destruição e reconstrução de competências. Num intenso movimento de reestruturação, dando origem a novas exigências laborais baseadas numa responsabilidade repartida em que o cidadão, assume um papel fundamental no processo de promoção da sua empregabilidade.
As novas gerações confrontam-se com a imensa dificuldade de encontrar uma inserção digna no mundo do trabalho, ou até de encontrar trabalho, configurando aquilo que muitos estudiosos, denominam por extensão da juventude. Processo marcado, pelo prolongamento do tempo destinado à formação escolar, e pela maior dependência financeira em relação à família.
As identidades juvenis forjam-se em diferentes tempos e, igualmente, em distintos espaços. O jovem constrói-se como sujeito social por meio de interações com grupos dos quais faz parte, ao longo de sua vida. Neste processo, mais do que ser, ele configura-se por um ir sendo jovem, de modo que, num jogo de aproximações e distanciamentos a grupos, pessoas, instituições, constrói sua identidade.
Um processo desenvolvido com formação dos agentes educativos e o desenvolvimento de estruturas curriculares que possibilitem uma experiência escolar que ultrapassem as organizações disciplinares formais e permitam, ao lado do conhecimento científico, da ética e da estética, a vivência de experiências próprias do universo juvenil, com as suas múltiplas linguagens e as diversas formas de ver e viver o mundo.
Num contexto marcado pela instabilidade a nível económico e pela incerteza a nível profissional, a exploração destas oportunidades parece corresponder a necessidades sentidas de enriquecimento e diversificação de percursos formativos.
Desta forma poderá ser concretizado um conjunto de objetivos que sempre se enunciam quando se trata do tema da empregabilidade, em termos individuais, institucionais ou contextuais. Pensar numa estratégia de promoção da empregabilidade, hoje, significa refletir sobre uma resposta contínua e atualizada, face às necessidades de um mercado de trabalho globalizado, às novas realidades do tecido económico, produtivo e empresarial, e às exigências de qualificações e de competências profissionais, que se encontram em constante renovação.
Assim se evitará o risco de uma rápida obsolescência dos saberes técnicos e tecnológicos que faz questionar a eficácia de formações académicas muito longas, especializadas e descontextualizadas da prática profissional. Abordagem que deve sublinhar a importância de adequar o espaço escolar às exigências e mutações contínuas dos mercados de trabalho, promovendo o envolvimento de empregadores no planeamento da oferta formativa.
Um conhecimento aprofundado dos processos de transferência de qualificações académicas e profissionais, de competências técnico-científicas e transversais que contribuem para fomentar uma cultura de iniciativa empresarial e de inovação. Respondendo desta forma à tensão entre a oferta de qualificações/competências por parte do sistema educativo, de forma geral, e as necessidades da procura empresarial.
Dinâmica que pressupõe a formulação de estratégias de inserção profissional, pela aprendizagem contínua, e ainda pela reconversão para outras áreas de formação, pelo conhecimento de técnicas de procura de emprego, pela criação do próprio emprego/empresa, nomeadamente pelo empreendorismo. A mobilização deste tipo de conhecimentos e competências, pressupõe que os jovens perspetivem os seus 'futuros profissionais possíveis', através do aumento da sua empregabilidade, e de uma nova relação do sistema educativo com os percursos formativos.

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