Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Da panela da cera ao laser - a revolução na estética

“Imposto Google”: e a culpa é da UE?

Escreve quem sabe

2014-04-18 às 06h00

Rui Marques

Durante o mês de abril, a Associação Comercial de Braga assume a direção de uma ação promocional coletiva do setor dos serviços pessoais de beleza e bem-estar, que envolve a participação de 20 estabelecimentos da região, que partilham custos e benefícios, com um objetivo comum: a ativação do negócio.
Este setor apesar de estar bem presente na vida de todos, nem sempre é visto com olhos de ver. À semelhança do pequeno comércio, este setor é composto quase exclusivamente por micro e pequenas empresas familiares, regra geral com apenas um ponto de venda, dotadas de meios financeiros frágeis e capitais próprios de baixo montante, mas que, apesar do reduzido número de postos de trabalho por estabelecimento, revela um importante contributo para a criação de emprego na região e no país, mercê do elevado número de estabelecimentos existentes.
Apesar desta atomização, a indústria dos cabelos e da beleza movimenta, diariamente, em Portugal cerca de 10,6 milhões de euros, ou seja, é responsável por um volume de negócios anual da ordem dos 3,5 mil milhões de euros, o que equivale a cerca de 2% do PIB da economia portuguesa.
Há 20 anos os estabelecimentos do setor instalavam-se maioritariamente nos primeiros, segundos ou mesmo nos terceiros andares dos prédios urbanos. Os profissionais detinham uma deficiente formação técnica e, na maioria dos casos, enveredavam por este setor, não por vocação, mas como refúgio ao flagelo do desemprego. Os projetos empresariais eram muito poucos consistentes em termos comerciais e revelavam um reduzidíssimo nível de intensidade tecnológica.
Em 20 anos tudo mudou. Uma verdadeira revolução aconteceu. Os salões de cabeleireiro e os institutos de beleza passaram a ocupar os espaços nobres das cidades; ganharam a dimensão estratégica e a capacidade de gestão que lhes faltava; os seus profissionais qualificaram-se, investindo regularmente tempo e dinheiro em formação técnica; os projetos empresariais evoluíram, com os cabeleireiros a incorporar serviços de estética na sua proposta de valor e os gabinetes de estética a alargar os seus serviços também aos cabelos, passando assim a disponibilizar aos clientes soluções globais de beleza; e, ao nível dos equipamentos de apoio à atividade, os estabelecimentos passaram a deter uma grande intensidade tecnológica.
Em 20 anos passou-se da era da panela da cera para a era dos equipamentos laser, de radiofrequência, de cavitação ou de estimulação celular. Equipamentos de tecnologia de ponta que antes apenas estavam disponíveis nas melhores clínicas médico-estéticas das principais capitais do mundo ocidental, hoje encontram-se também disponíveis em diversos institutos de beleza da nossa região. E, tudo isto, sem qualquer subvenção estatal para a modernização tecnológica destes agentes económicos.
Apesar desta evolução notável que merece o reconhecimento e a admiração de toda a sociedade, o Estado teima em olhar com enorme desconfiança para o setor. Conotando-o como um setor de grande evasão fiscal, a par de outros setores de gente igualmente responsável e trabalhadora como a restauração ou a reparação automóvel, e excluindo as empresas que operam neste negócio de acederem aos sistemas de incentivos em vigor para a qualificação e modernização competitiva.
Na Associação Comercial de Braga discordamos totalmente deste preconceito contra os cabeleireiros e esteticistas. Pelo contrário, acreditamos que se trata de um setor pujante, como revelam os números, um setor que emprega muita gente e que cria valor e riqueza para as empresas e para quem nelas trabalha. E, acima de tudo, um setor de enorme futuro. As grandes tendências de consumo indicam a preocupação crescente das pessoas com o bem-estar físico e com o culto do corpo. A procura pelos serviços de beleza é hoje indiferente ao género, à idade, ou estrato social. Todos são clientes. E cada vez há mais e melhores serviços ao dispor dos consumidores.
Com a iniciativa ‘Sugestões de Beleza’, que beneficia de um apoio extremamente importante deste jornal, a ACB pretendeu chamar a atenção para a importância deste setor que muitos, por desconhecimento do seu real impacto na economia portuguesa, tendem a desvalorizar.
O impacto económico da iniciativa medir-se-á após a conclusão da ação, mas o que se desenvolveu foi muito positivo. Contribuiu-se para o reforço da notoriedade e visibilidade das empresas aderentes e para a valorização da sua oferta; sensibilizou-se, de forma pedagógica, a comunidade empresarial para a prática de ações regulares de dinamização do ponto de venda e para as vantagens da cooperação empresarial; geraram-se oportunidades aos estabelecimentos aderentes de conquistar e fidelizar novos clientes; e aos consumidores deu-se a oportunidade de descobrirem a excelência da oferta de serviços pessoais de beleza e bem-estar que a região tem para oferecer de uma forma muito atrativa e económica.

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