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Da comunidade lusófona de Ciências Sociais e Humanas (CSH) ao Museu Virtual da Lusofonia

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Da comunidade lusófona de Ciências Sociais e Humanas (CSH) ao Museu Virtual da Lusofonia

Ideias

2018-12-17 às 06h00

Moisés de Lemos Martins Moisés de Lemos Martins

É muito raro uma Universidade levar a um país distante como Moçambique mais de duas dezenas de investigadores para participar num congresso científico. Mas foi o que agora aconteceu com a Universidade do Minho, através do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS).
Durante um ano, a direção do CECS trabalhou com a Universidade Politécnica de Moçambique, na organização do Congresso “Cultura e Turismo: desenvolvimento nacional, promoção da paz e aproximação entre nações".
Tendo contado com o alto patrocínio do Ministério de Cultura e Turismo de Moçambique e granjeado um impacto significativo nos média moçambicanos, assim como entre operadores de agências turísticas e empresários de hotelaria, esta grande realização científica contou com a presença do Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, na sessão de abertura, e constituiu uma oportunidade deveras significativa para o reforço da rede de cooperação em CSH no espaço geoestratégico, transcultural e transnacional, dos países de língua portuguesa.
Ao Congresso sobre Cultura e Turismo associou-se, também, a Câmara Municipal de Braga, que se fez representar pelo vereador do urbanismo, Miguel Bandeira.

Em Maputo, os investigadores do CECS puderam debater com investigadores moçambicanos questões relativas à sustentabilidade das políticas culturais, assim como o papel do turismo no desenvolvimento e na construção da paz. Mas discutiram, igualmente, o turismo cultural, o património, as representações dos média sobre a cultura e o turismo, a gastronomia, enfim, as expressões culturais, as identidades sociais e as mobilidades territoriais.
Foi também visionado e discutido o documentário “No trilho de Malangatana”, realizado por Lurdes Macedo, investigadora do CECS. Malangatana é porventura o maior pintor moçambicano. E o documentário integra o espólio do Museu Virtual da Lusofonia, inaugurado há um ano pelo CECS. “No trilho de Malangatana” foi exibido em abril passado, em Braga, no Museu Nogueira da Silva.
Entretanto, na audiência concedida pela embaixadora de Portugal em Moçambique, Amélia Paiva, à direção do CECS e ao vereador da Câmara de Braga, foi delineada uma estratégia comum para a cooperação entre Portugal e Moçambique, ao nível da Cultura e das Artes.

Sabemos que o desenvolvimento das CSH está ligado às políticas de ciência, língua e comunicação. E o contexto destas políticas é, hoje, a globalização do conhecimento e a cultura digital.
A globalização é uma realidade de cariz eminentemente económico-financeiro e é comandada pelas tecnologias da informação. Mas a globalização que nos importa é a que permite o aprofundamento de uma identidade transcultural e transnacional, de cultura, arte, pensamento e ciência, no espaço dos países de língua portuguesa e das suas diásporas. Aliás, para nós, a Lusofonia não é outra coisa. Como identidade transcultural e transnacional, a Lusofonia está associada ao movimento global e tecnológico do nosso tempo. Mas remete, igualmente, para a constituição de uma comunidade, que sirva a ciência em língua portuguesa, assim como o interconhecimento dos povos deste espaço, através do conhecimento e divulgação da diversidade das suas culturas e artes.

Podemos então dizer que foi muito importante o trabalho que o CECS realizou em Moçambique, assim como o será, por certo, todo o trabalho que possa realizar, presencialmente, em outros países lusófonos. Mas a Lusofonia apenas poderá atingir os seus objetivos, se se abrir à circum-navegação tecnológica, numa travessia que abra aos confins dos novos territórios digitais e aos novos ambientes e paisagens virtuais.
Há um ano, no decurso do Congresso Interfaces da Lusofonia, realizado na Universidade do Minho, foi inaugurado o Museu Virtual da Lusofonia (www.museuvirtualdalusofonia.com). Este Museu é uma plataforma tecnológica de cooperação académica em CSH, criada pelo CECS. Está vinculado, sobretudo, aos Estudos Culturais, às Ciências da Comunicação, à comunicação da ciência, ao ensino pós-graduado nestes domínios, e às artes, no espaço dos países de língua portuguesa e das suas diásporas. Estende-se, também, à Galiza, a Goa e à Região Autónoma de Macau.

Tem um objetivo cooperativo, assente numa circum-navegação tecnológica, transcultural e transnacional, em termos científicos, pedagógicos, culturais e artísticos, que permita desenvolver literacias, que promovam a cultura da diversidade e do diálogo intercultural, assim como o interconhecimento, nos países e regiões de língua portuguesa e das suas diásporas.
É também objetivo do Museu Virtual da Lusofonia a constituição de bases de conhecimento em CSH, à escala lusófona, que possam representar, não apenas uma importante afirmação científica em língua portuguesa, mas que reúnam, igualmente, um importante acervo, científico, cultural e artístico, que permita compreender a lógica das interdependências, do ponto de vista da comunicação intercultural, esclarecendo os juízos de valor que temos sobre o outro, assim como os estereótipos com que os enquadramos.

O Museu Virtual da Lusofonia reúne, num esforço comum, centros de investigação e universidades, com projetos de investigação e de ensino pós-graduado, na área das CSH. Abre-se à cooperação com entidades públicas, associações culturais e artísticas, e empresas ligadas à comunicação social, a atividades editoriais, e à produção de conteúdos digitais e de software. No seu conjunto, todas as organizações abrangidas por esta plataforma tecnológica, centros de investigação, universidades, entidades públicas, associações e empresas, manifestam o interesse pela construção e pelo aprofundamento do sentido de uma comunidade lusófona.

A circum-navegação assinala, classicamente, a experiência da travessia de oceanos e a ultrapassagem do limite estabelecido, de mares, terras e conhecimentos. Pois bem, o Museu Virtual da Lusofonia toma-a como uma metáfora para caracterizar a cultura da diversidade e do diálogo intercultural, e também a ciência produzida em português, fazendo uma travessia tecnológica, através de websites, portais eletrónicos, blogues, redes sociais, repositórios e arquivos digitais, na convicção de que uma grande língua de culturas e de pensamento não pode deixar de ser, igualmente, uma grande língua de conhecimento, científico e humano.

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