Correio do Minho

Braga,

Da bola e do resto

A vida não é um cliché

Ideias

2017-12-10 às 06h00

José Manuel Cruz

Ele é tanto o que se passa entre semanas que, por vezes, se torna impossível que me detenha num tema. Ofende o bom senso - o meu, entre outros - que o Braga seja castigado, com todo o rigor, «para servir de exemplo». Em terra de argumentos abundantes, pena é que se tenham esquecido de regra lapidar: o exemplo vem de cima!

Depois há os fora-de-jogo assassinos. Não me prendo à minudência do resultado, se um lance altera ou não o desfecho de um jogo, de uma classificação, de um campeonato. Os fora-de-jogo mal assinalados ao Braga, ao Porto - a todos, afinal - são aberrações iguais. Uns há que são mais escandalosos. Recordo os minutos apaixonantes de um lance anulado ao Braga por pé insignificante, que estava, o direito, de um lado e, o esquerdo, do outro de mágica linha. Cheguei a pensar que falavam do paralelo que separa as Coreias. Nestes dias tivemos o do Porto-Benfica. Não há hipótese de aceitar o argumento do plano afastado: o jogador encarnado junto à linha de cabeceira está no mesmo plano do avançado azul, se visto da perspectiva do juiz de linha. Pelo menos uma mancha vermelha ele tem diante dos olhos. Excitam-se os homens da linha, sofrem, boa parte deles, de fora-de-jogo precoce. Tenho, para mim, que haverá pastilha que remedeie esta disfunção. Por outra, a não haver, uma solução resta: que se retirem. As equipas de arbitragem querem ser respeitadas? Que se deem ao respeito! Não serve um árbitro assistente que não tenha acuidade perceptiva que varra o relvado de lateral a lateral. Mais agora, que, na dúvida, terão o vídeo-arbitro para repor a verdade cristalina. Um bandeirinha que falhe uma destas só tem comparação com um maquinista daltónico: é condição excludente da profissão, já que a fatalidade é inevitável.

Reaparece o Tony Blair. Fala-se de um ReBrexit. Eu andava com ela fisgada, à espera de oportunidade. Diz, um dos obreiros do pacto bélico das Lajes, que os britânicos foram manipulados, mas de dentro. Que as maravilhas de que falavam os partidários do «leave» eram mistificações, assinala, razão pela qual os votantes foram demagogicamente conduzidos ao actual estado de coisas. Nem Putin, nem tweets eslavos na análise do Tony. Andará mal informado? Já a Theresa May, que tanto tem ripado, indignada, nos russos, que tanto tem desmascarado a ignomínia da ingerência, já ela, pois, não pede uma reconfirmação nas urnas. Digam, se cabe na cabeça de alguém, que, sendo certa a manigância, não se anule o desfecho da partida? Na sueca, as renúncias dão perda de ponto e vergonha para o batoteiro.

A cada supositório que o coreano lunático ponha no ar, sobe de tom a retórica de guerra americana. Que as forças do Bem poderão dar curso a um ataque preventivo, resmoneia o americano lunático. E eu me pergunto: onde pára a capacidade de intercepção do escudo militar? Quantos satélites não escrutinam o território coreano? Com quantos minutos de atraso - ou de avanço - não saberão os analistas que um lançamento vai ser feito? A que velocidade voam os misseis de intercepção? Por cada foguete que a RPDK ponha no ar, não poderá a força militar americana, estacionada ao virar da esquina, enviar uma saraivada que corte em dois o delírio do boneco teimoso?

Na bola e na política só de olhos fechados se engolem as colheradas de óleo de rícino que nos enfiam pelas goelas abaixo. O problema, porém, é que, de olhos fechados, nem chegamos a dar conta do que a colher leva. Ou pior ainda.

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