Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Cumprir Portugal

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2012-12-04 às 06h00

Hugo Soares

A entrevista do Primeiro-Ministro na pretérita semana levantou um alargado debate sobre as funções essenciais do Estado. Se outro mérito não tivesse - porque o teve - o facto de ter co-locado na agenda a discussão do País que queremos ser nas próximas década é motivo bastante para aqui ser evocada.

Nos últimos vinte anos Portugal não cresceu. E esta é uma verdade insofismável. Ora estagnada ora com crescimento anémico e até em recessão, a nossa economia falhou. E isto com políticas de (mau) investimento público e até de subida (nada sustentada) de salários com a governação Sócrates a ser o expoente da desgraça. Nunca como antes a dívida pública disparou, o ‘deficit’ se descontrolou e Portugal perdeu credibilidade externa. Terminamos com um pedido nosso (convém não esquecer) de ajuda externa para podermos pagar salários, pensões e garantir as funções sociais do Estado.

Hoje, finalmente, temos um Governo que cumprindo o caminho das pedras (colocando as contas públicas em ordem) iniciou um processo profundo de transformações estruturais na economia apostando na reindustrialização, no setor mineiro, na agricultura e nas exportações.
Ao mesmo tempo, estamos a cumprir com êxito o memorando de entendimento, antecipando metas (como o superavit da balança externa), reduzindo brutalmente o deficit público e ga-rantido uma agenda de transformação estrutural.

Como as sucessivas avaliações da Troika demonstram e ao contrário do que os arautos da desgraça, acompanhados por setores da sociedade muito dados aos interesses e ao imobilismo. É certo que com grande abnegação e sacrifício dos Portugueses. É certo que com aumento do desemprego. Mas a pergunta realista e factual impõe-se: o desemprego em Portugal, com as políticas que estavam a ser seguidas, estava a diminuir? Não! E não porque não há criação de emprego enquanto não colocarmos Portugal a crescer, libertando-nos da dívida, libertando-nos da Troika e dando tempo a que as reformas estruturais produzam os seus efeitos. É para este esforço coletivo que estamos todos convocados e que, estou certo, nos garantirá sucesso.
Mas estamos agora numa altura crucial...

Ou parar e voltar para trás; continuando com década e mais década a chamar o FMI e condenados a um País injusto, desequilibrado e anémico.
Ou avançar;
transformando a nossa sociedade, apostando na iniciativa e na liberdade de cada um, dando de uma vez por todas sustentabilidade ao Estado Social, para que nunca mais cheguemos ao precipício.

Foi exatamente para este exercício que o Primeiro-Ministro convocou os Portugueses e o Partido Socialista. Está, por isso, na altura de fazermos escolhas. Ou somos aqueles que concordam com o caminho dos últimos vinte anos e que nos trouxe até aqui. Ou somos agentes da verdadeira mudança que todos vimos a reclamar, mas que perante as adversidades tendemos a evitar.
Eu quero mudar.
Quero mudar pelo País.

Quero mudar pelos Portugueses. Mas quero, sobretudo, que o meu filho que olha para mim no berço, não tenha um futuro hipotecado e onerado como tem a minha geração.
É por ele que eu quero Cumprir Portugal.

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