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Cumprir as portas que Abril abriu

Para reflexão...

Cumprir as portas  que Abril abriu

Ideias Políticas

2022-04-26 às 06h00

Gonçalo Silva Gonçalo Silva

Comemoraram-se ontem os 48 anos da Revolução de Abril, momento maior da vida do nosso país. Depois da noite escura do fascismo, Abril trouxe com ele uma nova alvorada e fez despertar a esperança no povo português.
A Revolução de Abril, determinada pela acção dos militares do MFA e pela forte adesão das massas populares, foi uma revolução libertadora, com profundas transformações na vida nacional, traduzidas em inapagáveis avanços e conquistas nos planos social, económico, político e cultural, que hoje perduram como valores e referências para a construção de um Portugal democrático, desenvolvido e soberano.

Abril trouxe com ele a Escola Pública, o Ensino Superior para todos, o acesso à saúde, com o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social, o direito à reforma, as férias remuneradas e o Salário Mínimo Nacional. Trouxe a liberdade de expressão e associação política e sindical, o direito à greve e o fim da censura. Trouxe a emancipação das mulheres e a licença de maternidade. O fim da guerra e a libertação das colónias
Trouxe conquistas e valores que, apesar de delapidados com políticas que as procuram desvirtuar, permanecem connosco e estão bem presentes na Constituição da República Portuguesa, documento que contém, no essencial, o projecto emancipador e de futuro que Abril comporta.

Vivemos numa democracia que muitos pretendem tornar precária. Democracia é uma palavra que soa bem, mas tem de ser defendida todos os dias… Que o digam os estudantes do Ensino Secundário que são impedidos, de forma ilegal por direcções, a realizar Reuniões Gerais de Alunos. Os estudantes do Ensino Superior, afastados dos orgãos de decisão, restringindo o livre e participado exercício de direitos e liberdades democráticas dentro das IES. E claro, os jovens trabalhadores, que sob a constante ameaça de represálias, desprotegidos pela precariedade dos seus vínculos, vêem o seu direito à vida sindical ficar à porta, juntamente com os seus sonhos e aspirações.
Abril deve ser celebrado a olhar para o futuro, projectando as conquistas e os valores que plasmou, convocando as energias e a alegria de viver na luta pela construção de um Portugal desenvolvido, de progresso e soberano.

Um Portugal que dê aos jovens uma Escola Pública democrática e de qualidade, o acesso aos mais elevados graus de ensino e o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos. Celebrar Abril é evidenciar o que foi o fascismo e combater o seu branqueamento, é destacar a luta anti-fascista, pela liberdade e a democracia, é relembrar os milhares de homens, mulheres e jovens, caídos na luta, que deram a vida para que as seguintes gerações pudessem conhecer um Portugal novo, livre e fraterno, é assinalar o seu sentido transformador e revolucionário, é lutar pelos seus valores e pelos direitos a que abriu caminho.
A revolução de Abril exige de nós um grande esforço porque não basta recordá-la é preciso afirmá-la, lutando pelos valores que a estabeleceram, por um país em que os jovens vejam salvaguardados os direitos à educação, à saúde, à habitação, à mobilidade, à cultura, ao desporto e à paz.

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