Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Cultura e juventude

Prémio Nobel da Medicina

Ideias

2012-01-27 às 06h00

Margarida Proença

Começaram por estas semanas dois eventos muito importantes para esta região : as capitais da juventude e da cultura, respectivamente em Braga e em Guimarães. Ao longo de 2012, haverá oportunidades para participar em eventos diversificados, orientados para públicos alvo diferentes, mais ou menos elitistas ou de massa, mais ou menos contemporâneos ou populares, mas sempre apelando ao envolvimento da juventude.

Com duas universidades, com politécnicos e outras instituições universitárias a distâncias relativamente pequenas, os jovens terão ao longo deste ano uma oportunidade com um grau relativamente baixo de se voltar a repetir de alargar os seus horizontes culturais de forma significativa. Na verdade, isto aplica-se também aos menos jovens, e não pode deixar de se reconhecer o esforço desenvolvido pelos responsáveis locais de manter os preços muito baixos.

De acordo com a OCDE (2009) o turismo cultural representa cerca de 40% de todo o turismo internacional, envolvendo, em 2007, 306 milhões de pessoas em todo o mundo. Dado que está normalmente associado a turistas mais informados, mais educados e com níveis de rendimento mais elevado, tem justificado a implementação de estratégias ativas capazes de atrair cada vez mais turistas culturais, que procuram lazer e experiências, no enquadramento de exigência e onde a programação e as atrações calendarizadas funcionam como “arcadores”.

Turismo e cultura estão intimamente ligados na sua capacidade de atrair pessoas e na capacidade de resposta em termos de competitividade do destino, e produzem sinergias capazes de aumentar a taxa de crescimento económico. Os locais onde este tipo de eventos se realiza adquirem a capacidade de se transformarem, tanto mais se conseguirem ao mesmo tempo manter e reforçar a sua identidade a sua história, ou melhor, o conjunto das suas histórias - dos monumentos, dos mitos, das memórias. Nesta medida, os mega-eventos deste ano no Minho poderão servir de catalisadores para a retoma.

Note-se que neste caso, as previsões até nem são más; tem sido muitas vezes reconhecido que os efeitos dos rendimentos e dos preços são assimétricos na procura do turismo ao longo do ciclo económico, o que a ser verdade permite a previsão de um fluxo de turistas com taxa de crescimento positiva ainda durante 2012, o que talvez possa não ocorrer em 2013; as pessoas procurarão fazer viagens, aproveitar as oportunidades, ainda que venham a diminuir a duração média da sua estadia, a substituir, por exemplo, destinos exóticos, distantes e caros, por destinos mais perto da porta de casa e mais baratos. Com uma programação inteligente e estratégias de promoção eficientes, 2012 poderá vir a ser um ano excelente no Minho no que respeita ao turismo cultural.

O problema destes eventos é o depois. Em todos os casos anteriores , se aproveitou a financiamento público, nacional ou comunitário, para intervir infra estruturalmente nas cidades, corrigindo, regenerando, requalificando do ponto de vista urbano, o que está bem. É sempre importante manter vivos os espaços centrais das cidades, requalificar o pequeno comércio, conservar o meio ambiente natural e preservar o património histórico; mas a grande questão é a sustentabilidade dos desafios colocados por estes eventos a longo prazo.

É preciso que deixem raízes, e isso passa pela indução de empreendedorismo em indústrias criativas, mas também pela capacidade efetiva das empresa instaladas de serem capazes de formular estratégias empresariais coerentes e ganhadoras, e de cooperarem entre si. A cooperação e o estabelecimento de redes entre empresas não é mutuamente exclusiva com a concorrência. Inclusivamente a cooperação efetiva entre as duas capitais, da cultura e da juventude, em Guimarães e em Braga, poderá facilitar e acrescer a capacidade de atração de cada uma delas por si, permitindo economias de escala.

O futuro económico de Portugal não passa pela produção de produtos tradicionais com níveis salariais muito baixos (a China, a ìndia, e tantos outros, manterão salários muito mais baixos que os nossos por muito tempo), mas por criatividade, qualidade e diferenciação.
Em tempos de crise, é ainda mais difícil arriscar; mas quem o fizer, e ganhar, terá condições privilegiadas para ganhar muito mais. Que corram bem

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