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Culpas à parte

Alguém retira consequências?

Culpas à parte

Escreve quem sabe

2021-04-11 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Quando uma pessoa culpabiliza outra, sem motivo, sem justificação para tal, de forma intencional e “gratuita” diz muito de si própria. Diariamente interagimos com pessoas. Cada pessoa tem a sua própria personalidade e também os seus mecanismos de defesa. Nem sempre se reconhece, os próprios “defeitos” e vê-se mais depressa esses “defeitos” nos outros. Há quem vá mais longe, e após um acontecimento ou situação negativa “dispara” nos outros. Em algumas circunstâncias há quem negue factos e até invente histórias para se desculpabilizar de algo, que de facto o fez. Quem culpa sistematicamente os outros pelas “reveses ” da sua vida, são na verdade, pessoas mal resolvidas e insatisfeitas. Entenda-se por “mal resolvido/a” (termo popular), a pessoa que é infeliz, e este estado afeta o relacionamento com outras pessoas. Apresenta a maioria das vezes, mau-humor, está constantemente a “implicar”, mostra-se insatisfeita e culpabiliza as pessoas à sua volta pelos seus “azares”. Apresentam um discurso deselegante, hostil e perturbador, muitas vezes direcionado a pessoas que, à partida não respondem ou calam-se. Quem culpabiliza outros, de forma desonesta e gratuita, não está bem consigo próprio/a porque recalca emoções negativas. As vivências marcam. Neste sentido, pessoas que têm muitas vivências negativas passadas, com o tempo tendem, a desenvolver traços de personalidade reativos e de grande instabilidade emocional. Por conseguinte, ao “não estarem bem” o relacionamento com outras pessoas sai prejudicado. Ninguém consegue permanecer ao lado de alguém, por mais que haja boa vontade, que está sistematicamente mal disposto/a, e a culpar terceiras pessoas das suas próprias falhas. Quem aponta falhas, projeta nos outros, aquilo que não aceita em si mesmo. Por exemplo, se um colega de forma gratuita e intempestiva, lhe apelidar constantemente de “incompetente”, está na verdade, a projetar para si, aquilo que ele próprio acha dele. Mas não aceita que o é, ou reconhece, porque é mais “seguro e menos doloroso” apontar para outra pessoa. Se alguém o/a culpa de “não ser capaz”, é a projeção de que essa pessoa, já “falhou” muitas vezes, mas que mesmo assim prefere “não dar parte fraca” e à mínima falha que os outros tem, aponta. Quem diz, é na verdade quem é. Culpar os outros é a justificação de uma infelicidade escondida. Como relacionar com estas pessoas que culpam os outros? Em primeiro lugar, importa dizer que às vezes há a preocupação de “mudar o mundo”. Esta expressão parte do pressuposto, que por vezes, se tem a boa vontade de perceber, que há vidas mais difíceis do que outras, e as vidas quando são muito difíceis marcam profundamente. Assim, muitos são aqueles que tentam compreender ou dar uma nova oportunidade. Todavia, dar uma segunda oportunidade, e nem sempre é a melhor solução ou até ter uma conversa honesta e franca. Não é a melhor solução, porque quando as pessoas sentem que “estão bem assim” e que não tem nada para mudar e que os outros é que não entendem… não há nada a fazer. Em segundo lugar a fórmula mais adequada de relacionamento é, “menos é mais”. Quanto menos interagir ou relacionar-se com a pessoa que culpa, é mais seguro e melhor para si. Pouca convivência, não permite que se dê palpites. A pessoa que culpa, não entende que a linguagem deselegante e o “apontar”, é desagrável. Ela, descreve o cenário como se tivesse a sugestionar ou dar um palpite. Em terceiro lugar, e igualmente importante, se alguém for deselegante consigo, seja em que contexto for, trabalho, esfera pessoal ou até social, responda sempre. Ao não responder, vai abrir precedentes para que a pessoa que culpa, faça os “reparos” sempre que a mesma esteja menos feliz. Não permita, responda e se necessário afaste-se. O “afastar-se” é uma estratégia de comportamento, em todas as áreas de vida, fortíssima. Permite perceber que, o “outro lado” perceba que “terminou” ou que “não quer mais”. A sua saúde mental é muito mais valiosa que pessoas que não tem o mesmo compromisso moral que você, o de não lesar sem justificação. O saber estar em sociedade pode ser análogo a um semáforo de trânsito. O verde as pessoas que nos querem bem. O amarelo, a intermitência em que se “analisa e se observa”, condutas, formas de estar e valores morais. O vermelho é o stop, a interdição para avançar ou “ter na vida” alguém que não respeita, por palavras ou atos, porque está “mal resolvido” com a sua vida.

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