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Cuidar do Sistema Nacional de Saúde, Mais e Melhor

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Cuidar do Sistema Nacional de Saúde, Mais e Melhor

Escreve quem sabe

2022-09-27 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

O Sistema Nacional de Saúde (SNS) deve ser acarinhado por todos nós, por toda a população. Não só e apenas porque dele dependemos, mas sim porque nos pertence, aos portugueses. E este sentido de pertença pode ajudar a alavancar o cuidado perante um sistema dinâmico que, neste momento, necessita de muita entrega e de muita dedicação.
É um facto que os serviços de urgência dos hospitais se encontram atolados de trabalho e de situações complexas, tanto ao nível da especificidade dos doentes que precisam de recorrer aos mesmos, como ao nível da gestão dos recursos humanos que lá trabalham. Todavia, esta situação não é nova, tampouco recente, visto que, pelo menos nos últimos vinte anos, se têm vindo a apontar, aqui e ali, cenários dramáticos de atendimento que são urgentes de resolver. O fecho, ao longo do tempo, de grande parte dos serviços de atendimento permanente no espaço dos cuidados de saúde primários foi, na minha perspetiva, um erro: existem muitas condições que seriam facilmente resolvidas nesses serviços e que não iriam «empatar» os serviços de urgência dos hospitais centrais. É igualmente imprescindível repensar a configuração do atendimento permanente/urgente nos locais mais rurais e nos locais mais afastados dos serviços centrais – acredito que, quem optou por essa decisão, nunca viveu afastado de uma grande cidade. Porém, devia viver, por uns tempos, para experimentar aquilo que todas as pessoas ali experimentam.

Também é certo que a população, de forma muito generalizada, recorre aos serviços de urgência devido a circunstâncias de saúde que, bem monitorizadas nos cuidados de saúde primários, seriam facilmente resolvidas nesses contextos. E também é certo que existem determinadas situações que não deviam surgir nos atendimentos de urgência dos hospitais centrais, pois não é para quadros minor que os mesmos devem ser utilizados. Urge formar a população e educar para a saúde, urge que todos nós, que somos portugueses e que fazemos usufruto do SNS, saibamos como cuidar dele, especialmente conhecendo as devidas e reais condições de acesso aos tais serviços centrais. Temos essa responsabilidade.
Os recursos humanos do SNS são escassos. Este problema não deriva da pandemia que atravessámos, nem do pessoal governativo que tem sido escolhido nos últimos anos.

Deriva, sim, de uma situação que se tem vindo a prolongar por décadas, agravada por uma crise financeira. Todos nós somos responsáveis por esta situação, visto que é de coisa nossa que se trata. Os profissionais de saúde que trabalham no SNS têm feito um esforço enorme para que o mesmo se vá mantendo de pé, assegurando à população os melhores cuidados de saúde que são possíveis. Se é precisa gente para trabalha no SNS? Sim, é verdade que sim. Os profissionais de saúde encontram-se cansados e muitas vezes sem grande esperança para transformações que parecem utopias. Os profissionais de saúde, que cuidam, também necessitam de ser cuidados.
Já não é tanto uma questão ligada aos recursos materiais – que tanto nos preocupou –, mas sim uma questão ligada à gestão estratégica dos recursos humanos, que deve ser vista a médio/longo prazo. Encontramo-nos em reformulação ao nível do Ministério da Saúde e da sua administração, esperando seriamente que o futuro seja mais organizado, mais consistente e robusto, mas, acima de tudo, mais justo e equitativo, tanto para a população tão dispersa a nível geográfico, como para os profissionais de saúde que desempenham as suas responsabilidades no SNS. Acredito que muito pode ser realizado dando voz às ordens profissionais que tanto podem ajudar neste sentido, como até mesmo aos sindicatos, que têm ouvido não só os profissionais, porém igualmente as pessoas comuns. É altura de mudar e todos devemos trabalhar nesse sentido.

Espero, com honestidade, que sejamos um pouco mais compassivos e pacientes com o SNS e com tudo aquilo que este sistema representa e apresenta. É a base da saúde portuguesa e, consequentemente, a base do bem-estar de todos nós. Visto que nos pertence, que é nosso e que é comum, então devemos ajudar na promoção da sua manutenção e da sua melhoria.

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