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Crónica da semana

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Ideias

2016-02-05 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

1. Morreu em 31 de Janeiro o jornalista José António Salvador. Salvador foi membro da direção da Associação Académica durante a crise de 1969. Abandonou o curso de Direito, enveredando pelo jornalismo. Trabalhou em vários jornais desde o Comércio do Porto ao Público e Expresso. Conheci o Zé Salvador na tropa em Castelo Branco. Conseguimos formar uma tertúlia de amigos com o Amadeu Lopes Sabino e com o Fernando Paulouro. Nunca mais os encontrei, exceto o Fernando. O Zé Salvador desiludiu-se da política, logo a seguir ao 25 de Abril, sendo conhecido nos jornais como especialista em vinhos e escrevendo entretanto sobre o Zeca Afonso. Fica aqui a minha homenagem.

2. Soubemos há dias que o processo crime sobre a tragédia da praia do Meco em que morreram numa sessão de praxe 6 alunos da Universidade Lusófona havia chegado ao fim com o acórdão do Tribunal da Relação de Évora que ordenou o arquivamento do processo. É um caso triste.
Mas o que é mais repugnante é a continuação da praxe. Apesar da repulsa generalizada, os estudantes continuam envolvidos e as universidades patrocinam estas práticas anacrónicas e medievais. Fica uma pergunta: como será a sociedade portuguesa de amanhã com cidadãos habituados a serem espezinhados, humilhados e insultados? Estão preparados para aceitar tudo. E como é que as universidades fazem vista grossa a estas práticas? Deixaram de ser centros de cultura e de liberdade para se transformarem centros de obscurantismo As universidades alemães eram as melhores do mundo e aceitaram e participaram na ideologia nazi. Estive há tempos em Heidelberg e fiquei horrorizado com uma exposição que retratava o gau de participação de alunos e professores.

3. Foi publicado na semana passada o Health Consumer Powerhouse, relatório anual comparativo dos sistemas de saúde europeus. Na análise usa 48 indicadores , cobrindo áreas como os direitos e informação aos doentes, acesso aos cuidados de saúde, resultado dos tratamentos, estrutura dos serviços, prevenção e produtos farmacêuticos.
Apesar da crise, em geral os serviços de saúde europeus melhoraram. O primeiro lugar é ocupado pela Holanda, tendo Portugal baixado da 13.ª posição para 20.ª. Portugal aparece a vermelho em várias áreas, como sejam o acesso direto a médicos especialistas, tempos de espera de cirurgias não urgentes, acesso a médicos dentistas. Outras áreas constituem motivos de apreensão como sejam os tempos de espera de tratamento oncológico e alguns exames complementares de diagnóstico. Noutras, Portugal acompanha os melhores. São casos que envolvem pouco dinheiro, como sejam a vacinação, prescrição eletrónica ou cirurgia às cataratas
Quem diz que as políticas do anterior governo não afetaram o serviço Nacional de Saúde mente.

4. Finalmente, a questão orçamental. O Primeiro-Ministro está ensanduichado entre os compromissos com o eleitorado a quem prometeu esbater a austeridade e as exigências do Pacto de Estabilidade e Crescimento impostas pela burocracia de Bruxelas que adotou uma cartilha neoliberal. A sua aplicação durante 4 anos não reduziu a dívida, pelo contrário, aumentou-a. E o défice diminuiu porque se cortaram salários e pensões. Por outro lado, a flexibilização das relações de trabalho e baixa de salários promoveu as exportações. Pretende a Comissão que estas medidas sejam estruturais e não conjunturais como quer o governo.
Portugal já passou por esta aflição ao longo da sua história. Quando não pagava ou queria reestruturar a dívida, as canhoneiras de Sua Majestade apareciam no Tejo, exigindo garantias ou o pagamento atrasado. O ministério reunia, aumentava impostos e tudo voltava à normalidade. Triste sina a nossa.
A questão que se põe é esta: porque foi assinado o Pacto de Estabilidade e Crescimento sem correspondente união política? Os países mais pobres foram ludibriados.
Finalmente, a direita anda muito preocupada com a rebeldia perante Bruxelas. Nada de admirar. As classes possidentes sempre se bandearam com o inimigo. Foi assim em 1383, foi assim em 1640. Os nobres e o alto clero sempre foram adeptos de Castela. Mas a sua derrota permitiu um salto em frente. Foi assim com os descobrimentos, os quais só foram possíveis porque a nobreza tradicional foi substituída por uma mais dinâmica.

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