Correio do Minho

Braga, sábado

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Critérios

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Critérios

Ideias

2018-12-29 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Não se contará o leitor entre os que declararam ter visto tudo, ante o relance de porco montado em bicicleta. Tampouco tive esse ensejo. O feito, porém, é tão comummente evocado, que eu sou obrigado a fazer fé em bísaro ciclista. Safam-se os animais de colo a tormentos circenses, mas nós não ficamos sem número de pasmar, que o digam os bracarenses de hoje, brindados com natalícia quadra de gelo patinável, por assomo de fortuna municipal. Não dará para nota em pára-brisas, mas é gasto de critério discutível.
Terá terminado o aquecimento global? Passaremos nós a pescar bacalhau nos Cavalos de Fão? Recordo que executivo anterior quis montar uma pista de gelo sintético na encosta do Picoto. Dado o despropósito, acho que a malta nem mesmo se chegou a rir. Mas este gelinho lá está, alimentado a corrente noite e dia. Pergunto-me, se o Hóquei Clube de Braga não agradeceria este acréscimo de contributo para o fomento das suas actividades.
É capaz de haver uma justificação extraordinária. Talvez se sugira que a edilidade nada tem a ver com o assunto, salvo por banda do despacho para ocupação do espaço público; talvez se venha a saber que o divertimento é obra de um mecenas, anónimo de fortuna feita no Alasca, e que assim homenageia as paisagens onde foi feliz. Talvez se sugira que só por provinciano bota-abaixismo é que uma iniciativa deste alcance é desmerecida. Enfim, a palavra é um boomerang, e lá calha de sermos derrubados, na volta do que dizemos, como a outros calha serem atropelados, pelo regresso do que não ponderaram.
Quanto o investimento em gelo de pouca dura não redunde em coisa que se veja, outro tanto não é de dizer de uma lavagem de cara e melhoramentos no terreiro do castelo. É notório que Braga pulula de turistas, e a que a imponência da Torre de Menagem se impõe de per si. Está num ponto nevrálgico da cidade e atrai. Só que, quem lá passa em busca de um respiro de História, pronto se vê compelido a divagar de olhos e a resistir de narinas.
A par de trabalhoso arranjo de recantos, que inviabilize ou reduza o impacto de urinas vadias, haveria uns retoques de fachada, que fosse em trompe l’oeil, para cobrir as mazelas dos recuados do Viana. Não é fácil mandar na casa dos outros, mas ele há assuntos que, com jeitinho, vão. E um painel explicativo também cairia bem.
Braga é a Arcada, e o resto é abaixo de Braga. Escolho e ajusto a paráfrase. Por cá, tudo se passa com a Arcada por moldura. Acredito que seja difícil lobrigar espaço de igual iconicidade para barracas e barracadas, mas que se refaça a praça por inteiro, pois então. Para dar um exemplo: de que é que adianta montar teatros e cantorias ao lado da exaustão ruidosa de subterrâneo atascado de gazes de escape? O Passeio da Avenida, pois. Ele haverá quem goste assim, ele haverá quem o preferisse na fatiota de ’70. A sensação que fica, porém, é que, tal como se encontra, o espaço não responde às cargas que lhe impõem. Com efeito, nada obstando à instalação de palcos e balcões para actividades temporárias, bom é que os públicos possam circular sem se acavalar, e que as récitas possam ocorrer ao resguardo de roncarias.
Em suma, é tudo uma questão de escala e critério e, no particular, há coisas que não vale a pena meter no programa das festas, só porque na aldeia ao lado têm igual, ou porque por lá não foram lestos e não vão ter igual. Parece que os ringues de pseudo patinagem vieram por epidemia. É de crer que passe, com os antibióticos dos laboratórios bom senso. Ou com barrela, a saponária da Confiança.

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