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Cooperação na Pastelaria: uma fórmula de sucesso

Granjear futuro

Escreve quem sabe

2012-11-02 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Um conjunto de pastelarias da região deu provas de que a cooperação constitui uma excelente forma de contrariar as dificuldades que se vivem neste setor e noutros setores da economia portuguesa, ao associarem-se numa iniciativa de promoção coletiva - as “Tardes Gulosas”.

Apesar de disputarem o mesmo mercado alvo, os responsáveis das 19 empresas aderentes revelaram a clarividência de repartir o protagonismo desta ação promocional, beneficiando assim do efeito de escala que uma iniciativa conjunta permite atingir em termos de visibilidade e notoriedade, partilhando de forma efetiva custos e benefícios.

Trata-se de uma manifestação evidente de que a cooperação empresarial está viva e que constitui um importante meio para potenciar a competitividade das micro e pequenas empresas.
A Associação Comercial de Braga surge neste enquadramento como o elemento aglutinador e o motor de desenvolvimento desta estratégia de estabelecimento de parcerias entre empresas com a vista à obtenção de ganhos tanto a nível financeiro como operacional.

O setor da pastelaria e da panificação é um dos setores nevrálgicos e estruturantes da economia da região e do país. Emprega cerca de 100 mil pessoas e gera um volume de negócios anual da ordem dos 5 mil milhões de euros.

As alterações nos hábitos alimentares dos portugueses nos últimos 20 anos, consumindo menos pão em detrimento de outros substitutos de cereais essencialmente ao pequeno-almoço, geraram uma diminuição de 1/3 da produção do setor.

Esta mudança nos hábitos de consumo, juntamente com a concorrência agressiva da grande distribuição, que atingiram uma quota de mercado a rondar os 40% no espaço de uma década, concorrem como as maiores ameaças à viabilidade e futuro das empresas deste setor.

Apesar de revelar um elevado grau de atomização, com predominância de empresas de dimensão reduzida e consequente falta de escala, uma fraca posição no mercado internacional e baixa competitividade, o setor da Pastelaria e da Panificação tem capacidade de oferecer uma vasta gama de produtos alimentares seguros, saudáveis, nutricionalmente ricos, acessíveis e produzidos de forma sustentável.

As empresas podem potenciar a diversificação da sua oferta, através do lançamento de novas variedades que deem resposta às necessidades da procura e de formatos de menor tamanho, que aumentarão a sua participação no conjunto das vendas.

Ao nível do mercado interno, os fatores de crescimento estão contextualizados com a crise, ou seja, o preço e as ofertas de valor são o que mais atrai, neste momento, o consumidor. Para além disso, deve-se aproveitar o facto dos doces e bolos satisfazerem emocionalmente os consumidores, pelo que as empresas devem apostar na qualidade e na variedade da oferta de forma a despertar os sentidos (visão e cheiro) dos seus consumidores.

Porém, o maior desafio e a maior oportunidade que o setor enfrenta é o da internacionalização. É sabido que os produtos alimentares com maior sucesso são os que apresentam caraterísticas mais distintivas. Há que apostar, por isso, na qualidade, na inovação e na origem certificada. Os produtos devem estar, também, associados a hábitos saudáveis de alimentação, fazendo-se valer dessa dimensão. Fulcral é ainda a capacidade de adaptação dos produtos ao perfil e gosto dos consumidores dos mercados alvo.

Por acreditar no potencial de crescimento no estrangeiro da indústria da panificação e pastelaria da região, a Associação Comercial de Braga, pegando no exemplo da cooperação empresarial obtida na iniciativa “Tardes Gulosas”, decidiu aprofundar o nível de cooperação entre as empresas deste setor, através da implementação de um plano de ação conjunto de internacionalização.

Este plano tem o objetivo de gerar uma dinâmica coletiva de sensibilização e apoio, sistematizador e potenciador da internacionalização das empresas, através da identificação de oportunidades de mercado, estabelecimento dos primeiros contactos com mercados internacionais ou da intensificação do relacionamento comercial com novos mercados, bem como da promoção do acompanhamento das empresas nas suas ações de internacionalização e a disseminação dos resultados obtidos junto de outras empresas.

A pastelaria minhota é um exemplo de criatividade, inovação e adaptação aos novos hábitos alimentares de consumo. A paixão e os elevados padrões de qualidade com que se dedicam à arte da confeção das suas melhores especialidades merecem o reconhecimento de Portugal e do Mundo. A cooperação empresarial assume-se como a forma eficaz de o conseguir.

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