Correio do Minho

Braga, sábado

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Convertidas às Convertidas

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Escreve quem sabe

2013-10-15 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

Caro Leitor,
Agradeço, desde já, o tempo que despende a ler estas palavras. Foi com imenso gosto que aceitei o convite do Diretor do Correio do Minho, Paulo Monteiro, para colaborar mensalmente com o jornal, escrevendo uma crónica direcionada para a Juventude. Este convite foi-me dirigido por ser a nova Coordenadora Geral da Associação Jovem Cooperante Natureza/Cultura. Deste modo, este espaço mensal terá como objetivo provocar alguma reflexão sobre temas não só direcionados para a juventude, mas também para o património, a cultura e o ambiente.

No passado dia 12, a JovemCoop foi convidada a apoiar uma iniciativa do jovem cooperante Leonardo Rodrigues, que consistiu em (re)visitar a Casa das Convertidas. Aceitámos este convite de imediato, pois no que diz respeito à defesa do património bracarense, a JovemCoop abraça, incondicionalmente, todas as iniciativas.

A Casa das Convertidas foi fundada em 1720, porém só em 1722 é que este recolhimento abriu as suas portas à cidade de Braga. Dedicado a Santa Maria Madalena, este recolhimento tinha como função albergar mulheres de má conduta, e fazê-las arrependerem-se dos seus erros.

São poucas as divisões deste edifício que ainda se encontram num razoável estado de conservação. Destaco a roda que se encontra na entrada e a capela que, num estilo marcadamente barroco, é um excelente exemplo do que, no século XVIII, se usava em Braga.
Felizmente, quem entra nas Convertidas não consegue sair indiferente ao que este edifício representa na cidade. Quem entra nas Convertidas sai de lá preocupado com o destino deste tesouro escondido no centro histórico.

Estando agora ao encargo do Ministério da Administração Interna (MAI), o destino da Casa das Convertidas continua a ser uma incógnita. Como é do conhecimento público, durante o último mandato, a Câmara Municipal expropriou os edifícios e terrenos anexos à Casa das Convertidas, falando-se em instalar aí a Pousada da Juventude.
A expropriação dos terrenos contíguos à Casa das Convertidas pode não ser consumada se o Tribunal entender suspender o processo.

De forma mais célere do que o habitual, o executivo que cessará funções no próximo dia 21, já depositou o montante aferido pela avaliação ao terreno. Em causa estão 3 milhões de euros que, neste momento, estão à guarda da instância judicial.
Caso o Tribunal Administrativo dê seguimento à expropriação, então o novo executivo municipal herdará as faturas, juntamente com as propriedades, muito caras aos cofres municipais, sem garantia de haver fundos comunitários para dar seguimento a um projeto para os terrenos e não especificamente para o imóvel classificado.

É nosso desejo que se recupere a Casa das Convertidas, dando-lhe nova vida, mas que haja coerência nas atuações, não estando a esbanjar dinheiro na expropriação, pois torna-se urgente uma primeira intervenção para a preservação deste Imóvel de Interesse Público, pois é já impossível ao visitante conhecer a área destinada às celas - divisões da casa, cujos materiais estão completamente apodrecidos, fragilizando a estrutura.

Na nossa cidade, a maior parte dos cidadãos desconhece a riqueza patrimonial das Convertidas.
Este é um dos principais motivos pelo qual abrimos as suas portas, para mostrar aos cidadãos este local de difícil acesso. Acreditamos que depois de ter um contacto direto com o edifício, todos os visitantes passarão a ser vozes ativas na preservação da Casa das Convertidas, pois esse é um dever cívico de quem pretende preservar a história de Braga.
Obrigado, amigo leitor, pelo tempo que me dispensou. Até breve.

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