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Conversas de café e as partilhas que todos fazemos

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Conversas de café e as partilhas que todos fazemos

Escreve quem sabe

2020-02-28 às 06h00

Rui Martins Ferreira Rui Martins Ferreira

Conheci um dos meus melhores amigos no 10º ano, mas, ao contrário do que talvez fosse normal, o ponto de contacto não foi o gosto pelo futebol, mas outra área que nos interessa sobejamente: O comportamento humano.
Esse interesse que resultaria mais tarde num blog sem sucesso, pautou muitas das nossas conversas de café. Gostávamos, acima de tudo, de lançar teses despreocupadas sobre as razões para todos os comportamentos. Não me recordo de alguma vez termos chegado a uma conclusão digna de registo, mas também ninguém estava a contar.

Recentemente, talvez moldados pela época em que vivemos, tivemos uma conversa em que debatíamos as razões pelas quais as pessoas partilham o que partilham (no café, nas redes sociais, ou em qualquer outro contexto).
Como de costume, teorizámos durante um longo período de tempo e chegámos a conclusões que nos pareceram óbvias e lógicas, até um amigo com um QI superior ao nosso, desmontar a nossa teoria em 50 palavras.
Não obstante, alguns dias depois da conversa, decidi que aquele tema merecia mais investigação. Agarrei o meu computador e, depois de alguma pesquisa, encontrei o trabalho do Jonah Berger, autor de vários livros e que, em 2014, escreveu um artigo na Revista Psicologia do Consumidor intitulado (tradução livre) “Boca-a-boca e comunicação interpessoal: uma revisão e direções”.

Para minha surpresa, aquilo que eu discutia com o meu amigo, afinal podia ser desmontado em menos de 50 palavras e, as razões apontadas para as pessoas partilharem alguma coisa, são mais vastas do que eu julgava, englobando-se em 5 tipos: Gestão de Impressões, Regulação de Emoções, Aquisição de Informações, Ligação Social e Persuasão de pessoas.

Como não consigo trazer para estas linhas todo o sumo do artigo – por falta de espaço e, sobretudo, de jeito – foco-me apenas 1º tipo (Gestão de impressões) citando o autor:
“As pessoas gostam de ser percecionadas de forma positiva e de se apresentarem de forma a obter tais impressões. Tal como o carro que conduzem, aquilo sobre o que as pessoas falam, impacta a forma como os outros as vêm. Consequentemente, as pessoas têm maior probabilidade de partilharem mais vezes aquilo que as faz parecer bem do que o que as faz parecer mal”.
“Para além disso, se alguém sabe sempre as últimas notícias sobre desporto, moda ou alimentação, as pessoas começam a percecionar essa pessoa como um especialista na área. Como tal, partilhar conteúdo sobre um determinado assunto, é também uma forma de sinalizar que elas têm determinadas características, conhecimentos ou especialidades”.

Talvez sejam essas as principais razões para tirarmos fotos do prato de comida quando a refeição é num restaurante bom (e não quando o jantar é uma sandes feita à pressa), quando fazemos uma viagem ou quando vamos a um evento divertido e exclusivo.
Como tal, para além da moeda monetária propriamente dita, existe uma “moeda social” com que todos nos regemos e que influencia aquilo que partilhamos e, ainda, aquilo que compramos.
Se acha que estes últimos parágrafos são incongruentes com exemplos de amigos que partilham a compra de produtos baratos, num qualquer mercado de rua ou nos saldos de 50%, não é a “forretice” que eles estão a sinalizar, mas a sim a sua inteligência em aproveitaram pechinchas.
Mas lembre-se que referi apenas uma de 5 razões. Se tiver mais curiosidade sobre o assunto leia o artigo ou compre um dos livros do autor. Quanto a mim, vou continuar a discutir temas no café e a partilhá-los de vez em quando.

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