Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Continua o miserável confisco!

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Ideias

2014-01-13 às 06h00

Artur Coimbra

Os dias obsessivos em torno do falecimento e funeral do nosso herói nacional, Eusébio da Silva Ferreira, o único português que nas últimas décadas conseguiu agregar a unanimidade dos portugueses, fruto do seu passado mítico e do seu carácter afectuoso, apesar do excesso de mediatismo, que se tornou quase patológico e algo cansativo, foi uma boa lufada de ar fresco para o governo de Passos Coelho, que nestes dias pôde respirar um pouco de alívio.
Coelho agradeceu, interiormente, estes dias de descanso, em que, nas televisões, nos fóruns, nas redes sociais, nos jornais, não se falou do Orçamento de Estado, nem da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, nem dos aumentos da energia, da água e do gás, que pontuam, gravosamente, o início de todos os anos.
Mas a saudade do “rei” Eusébio, o nosso jogador maior de todos os tempos, não nos pode deixar esquecer que o Governo voltou à despudorada campanha de confisco sobre os “suspeitos do costume”: os aposentados e os funcionários públicos, as vítimas mais à mão de todos os erros, imbecilidades e incompetências de sucessivos executivos.
O famoso “Plano B”, que foi engendrado por Passos Coelho em face do chumbo do Tribunal Constitucional à proposta do Governo de “convergência” das pensões, assume-me como mais um ataque aos sectores sociais e profissionais que pagam todas as crises, numa atitude perversa que penaliza sempre os mesmos e não demonstra qualquer justiça ou equidade nos sacrifícios que são pedidos aos portugueses.
Depois de uma inqualificável mensagem de ano novo de Cavaco Silva, numa vergonhosa colagem às posições do governo de direita, por parte do mesmo responsável que há um ano ainda falava de “espiral recessiva” e de “sacrifícios que não podem ser ultrapassados”, quando nada de substancial se alterou na situação portuguesa, o executivo voltou à carga com a decisão de alargamento da base de incidência da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) e de aumento da contribuição dos funcionários públicos para a ADSE.
Fala o governo de “calibração”, uma invenção para suavizar mais uma clara provocação ao Tribunal Constitucional, quando o mais justo seria aumentar o IVA, que incide sobre todas as pessoas. Todos os portugueses contribuem!...
Estamos a falar de uma medida que representa uns míseros 400 milhões de euros (míseros, no contexto global do Orçamento de Estado, de que representa 0,25%), o que não se compreende.
O governo gabou-se, no final da semana passada, de ter recebido mais de 1,2 milhões de euros de dívidas fiscais em atraso e que ultrapassou em mais de 700 milhões o que tinha previsto inicialmente. Uma grande vitória, segundo parece, a provar também que não há tanta falta de dinheiro por aí como se especula… Quando é necessário abrir os cordões à bolsa, “ele” aparece…
Por outro lado, o governo passa a vida a encher a boca de “bons sinais de retoma”, de estarmos “no bom caminho” e demagogias que tais…
Então, neste contexto, que necessidade há de causticar os reformados com mais um corte nas pensões a que têm legítimo e inalienável direito e que deveriam ser intocáveis, se estivéssemos de facto num maduro Estado de Direito Democrático, em que não estamos, bem longe disso…
Aliás, as reacções de vultos credíveis da direita são absolutamente significativas.
Por exemplo, o ex-ministro Bagão Félix acusa que 'há uma lógica de obsessão e de um aparente revanchismo nesta decisão do Governo', tratando-se claramente de um novo e “segundo imposto sobre o rendimento pessoal dos pensionistas', quando o governo passa a vida a afirmar que não aumenta mais os impostos.
Também Manuela Ferreira Leite e José Pacheco Pereira se pronunciaram criticamente sobre estas medidas desaustinadas e absurdas que muito penalizam financeiramente muitos milhares de portugueses.
Onde anda Paulo Portas, e a sua “irrevogável” “linha vermelha”? Desapareceu de circulação, pois já nem nas feiras é avistado…
Está-se borrifando para os velhos, assim punidos por sucessivas medidas governamentais.
Como se está marimbando, passe o plebeísmo, para outros sectores da sociedade, que o ajudaram a ir para o governo, afinal, para tratar dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, da banca, dos escritórios dos advogados, das PPP, dos submarinos e de outros interesses que contribuíram decisivamente para a crise que todos estamos a pagar.
São estes os “interesses adquiridos” estupidamente blindados a qualquer intervenção ou corte por parte do governo.
Um governo, como sempre, forte com os fracos, os que dependem do erário público, mas muitíssimo débil com os fortes, os que determinam a economia e a finança e que são, de facto, quem governa este país. Não se aprendeu nada com o passado!...
O povo paga a crise que não produziu; os capitalistas engordam com a crise que criaram e que estimularam. Não é revoltante?!...



Pela voz de um ex-presidente do CDS, Ribeiro e Castro, ficou a conhecer-se nos últimos dias o montante dos prejuízos provocados pela birra infantil de Paulo Portas, a meio de 2013, que todos estamos a pagar. 800 milhões de euros! Um escândalo! Curiosamente, o discurso da direita, do PSD e do CDS, entretém-se a falar do passado, do memorando, da tróica, do Tribunal Constitucional, como 'força de bloqueio', ressuscitando um fantasma cavaquista e de outras tretas para enganar imbecis!... Não tem a coragem de falar de um 'buraco irrevogável' provocado por um dos líderes do governo, premiado depois com o cargo de vice-primeiro ministro, quando deveria ter sido logo demitido se houvesse Presidente da República, e que é 'apenas' o dobro do valor do 'plano B' que foi anunciado pelo governo, com os cortes bárbaros aos pensionistas, entre outras medidas que não provocam a mínima sensibilidade a um governo absolutamente cruel, pelo que decide e pela forma de falar aos portugueses, como se apenas contassem os números e as estatísticas!...
Mas é esta gente que se governa: o inenarrável Álvaro Pereira vai para a OCDE; José Luís Arnaut vai para o conselho consultivo internacional do banco norte-americano Goldman Sachs; o incompetente Vítor Gaspar vai para a entidade para quem trabalhou, enquanto desgraçou os portugueses, o FMI. E Maria Luís tece loas à tróica…
Gente fina é outra coisa! Ao povo é que não o deixam sair da cepa torta!...

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