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Consumo e Tecnologias de Produção Sustentáveis

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Consumo e Tecnologias de Produção Sustentáveis

Ideias

2019-05-25 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Os modelos não sustentáveis de consumo e de produção estão a contribuir para muitos dos atuais problemas ambientais, como o aquecimento global, a poluição, a exaustão dos recursos naturais e a perda de biodiversidade. O crescimento sustentável é uma das prioridades definidas na Estratégia Europa 2020, através do qual se pretende promover uma economia que seja não só mais competitiva, mas também mais eficiente em termos de utilização dos recursos. É necessário alterar os modelos de produção e consumo.
A economia do futuro terá de ser eco-sustentável e não poderá ser desenvolvida baseada num modelo de extração de matérias-primas, produção, distribuição e utilização de produtos descartáveis seguindo-se na cadeia os inevitáveis resíduos. A transição da designada Economia Linear para a Economia Circular implicará novos paradigmas de como as empresas vão produzir, distribuir e até como vamos consumir.
Atualmente, a Europa perde cerca de 600 milhões de toneladas de resíduos, que poderiam ser reciclados ou reutilizados. Apenas cerca de 40% dos resíduos produzidos pelos agregados familiares da UE são reciclados, variando as taxas de reciclagem entre 80% em algumas regiões e menos de 5% noutras. A transformação dos resíduos em recursos é crucial para aumentar a eficiência dos recursos e fechar o ciclo numa Economia Circular. 75% da população residirá em cidades a partir de 2050 e o aumento esperado na geração de resíduos até 2025 será de 70%.
Em finais de 2015, a Comissão Europeia adotou um ambicioso pacote para promover a transição da Europa para uma Economia Circular. O conceito é definido pela CE como: “Economia Circular mantém o valor acrescentado nos produtos pelo maior tempo possível e elimina o desperdício'.
O objetivo da Economia Circular é substituir o conceito de fim-de-vida da economia linear, por novos fluxos circulares de reutilização, reciclagem de materiais, renovação e valorização, nomeadamente energética, num processo integrado. A Economia Circular foca-se na preservação e valorização do capital natural e na minimização de desperdícios centrando-se no “fecho do ciclo” em toda a cadeia de valor.
A prevenção dos resíduos, a conceção de produtos eco-eficientes, a reutilização e valorização poderão trazer às empresas da UE poupanças de 600 mil milhões de euros, ou seja, 8% do total do seu volume de negócios anual, e simultaneamente uma redução de 2% a 4% das emissões totais anuais de gases com efeito de estufa. Nos setores de reutilização, refabrico e reparação, por exemplo, o custo do refabrico de telemóveis poderá ser reduzido a metade se for mais fácil desmontá-los.
O programa da UE para uma Economia Circular está em linha com o objetivo de apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, para uma economia mais inteligente e eco-sustentável e para a economia verde. Ter crescimento sustentável implica apostar na Economia Verde. A Economia Verde representa, globalmente, 4 biliões de euros, crescendo 4% ao ano. Na UE os setores verdes representavam, em 2010, 2,5% do PIB global da UE e estima-se um crescimento anual de 30% até 2025.
Novos modelos de negócio serão criados, como o desenvolvimento e integração de modelos pay-per-use, plataformas de partilha e aluguer que maximizem a produtividade de equipamentos e conservem recursos.
No pacote da UE destaque-se: um objetivo comum europeu de reciclar 65% dos resíduos urbanos até 2030; um objetivo comum europeu de reciclar 75% dos resíduos de embalagens até 2030; e um objetivo vinculativo de redução da deposição em aterro a um máximo de 10% de todos os resíduos até 2030.
A indústria dos plásticos na UE emprega 1,5 milhões de pessoas e apresenta um volume de negócios de 340 mil milhões de euros. Os europeus geram, anualmente, 25 milhões de toneladas de resíduos de plástico, das quais menos de 30% são recolhidas para reciclagem. Os plásticos constituem 85% do lixo encontrado nas praias de todo o mundo. A UE adotou uma nova Estratégia para os Plásticos, integrada no processo de transição para uma Economia Circular, estabelecendo a meta de 2030 para que todas as embalagens de plástico no mercado sejam recicláveis.
Portugal lançou o Plano de Ação para a Economia Circular realça o papel determinante das cidades na aceleração da economia circular, pelo estabelecimento de redes de soluções, práticas e conhecimento e pela promoção da interação entre agentes para multiplicação e transferência de conhecimento, mas também pelos fortes impactos das cidades enquanto consumidoras de recursos naturais, fontes de emissões poluentes e de produção de resíduos.
As Cidades Circulares, Cidades Inteligentes e Eco-Sustentáveis, enquadram-se no conceito da Economia Circular, assente não só na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, como também num novo modelo económico reorganizado e, ecologicamente, eficiente e valorizado dos sistemas de produção e do consumo em circuitos fechados.
A Bioeconomia constitui um dos mais importantes domínios económicos da UE, englobando a agricultura, a silvicultura, as pescas, os géneros alimentícios, a bioenergia e os produtos biológicos. Encontra-se em curso a nova Estratégia Europeia para uma Bioeconomia Sustentável e Circular que assenta em três grandes eixos de ação: expansão e reforço dos setores dos produtos biológicos; criação de bioeconomias na Europa; e proteção do ecossistema e compreensão das limitações ecológicas da bioeconomia. A bioeconomia tem o potencial de criar 1 milhão de empregos verdes até 2030.

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