Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Consolidar créditos: solução ou erro?

Amarelos há muitos...

Escreve quem sabe

2014-06-28 às 06h00

Fernando Viana

São cada vez mais os Portugueses com dificuldade em pagar as suas prestações: a casa, o carro, o crédito pessoal, os cartões de crédito, os cartões de compras… São tantas as prestações e as despesas mensais que, devido às reduções de rendimentos por redução de salário, desemprego e outras, se torna cada vez mais difícil honrar os compromissos assumidos.

Muitas vezes surge o conselho de reunir as prestações todas num único empréstimo, tendo em vista a diminuição do valor da prestação. Mas nem sempre é assim pois a consolidação de créditos implica alterações que acabam por tornar os empréstimos mais caros.

Consolidar créditos não é fácil principalmente se os créditos estiverem contratados em Bancos diferentes. Quando os créditos estão no mesmo Banco, consolidar os créditos num único empréstimo pode ser vantajoso principalmente para o Banco, se existir um crédito à habitação ou se ao novo empréstimo forem associadas mais garantias: garantia de imóveis ou fiadores. Esta alteração permite que os Bancos passem a ter mais garantias associadas aos empréstimos e estejam por isso mais “seguros”. Acresce que, como seria de esperar, os Bancos podem aproveitar para agravar o spread associado ao Crédito à Habitação.

Quando os empréstimos estão contratados em instituições de credito diferentes, é muito pouco provável conseguir consolidar créditos pois nenhum Banco quer assumir riscos que estão noutras Instituições. E se um cliente está disponível para consolidar os seus créditos, o que implica prolongar e muito o prazo de pagamento dos empréstimos, é porque se encontra em dificuldades financeiras e por isso o risco para o Banco aumenta exponencialmente.

Em qualquer das situações, consolidar créditos implica que empréstimos cujo pagamento está previsto no médio prazo (até 5 anos) passem a ser cobrados a longo prazo (em 25 ou 30 anos). Esses empréstimos vão sair mais caros para o cliente já que vai estar a pagar durante mais anos. Assim, o cliente vai à partida pagar menos mensalmente mas durante muito mais tempo o que torna os empréstimos muito mais caros. Acresce que muitas vezes, o cliente terá de pagar novas comissões de abertura, comissões de estudo de processo, seguros de vida e protecção ao crédito e imposto de selo. Estes custos são também financiados o que vai ainda gerar mais juros.

Quando os créditos estão dispersos por diversas Instituições, a consolidação de créditos só se consegue por vezes através de pequenas empresas de angariação de créditos que encaminham os pedidos para entidades financeiras menos conhecidas. Quando esta situação acontece, há que acrescentar aos custos a comissão a pagar a esses empresas de angariação. São também incluídos no montante a financiar e atingem valores normalmente entre os € 1.000,00 e os € 3.000,00 o que contribui muito significativamente para o aumento dos custos totais com o empréstimo.
Mas há alternativa à consolidação? A resposta para esta questão é sim mas para tal é necessário renegociar os empréstimos individualmente com cada uma das Instituições de Crédito.

A renegociação nem sempre é simples e rápida mas é a melhor forma de reduzir os encargos mensais sem os agravar no futuro.

Para obter ajuda para estas renegociações poderá dirigir-se ao Gabinete da Rede de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE) junto do CIAB - Centro de Informação, Mediação e Arbitragem de Consumo (Tribunal Arbitral de Consumo) de Braga. Para além de se informar sobre os seus direitos e deveres enquanto consumidor relativamente aos créditos e Instituições Financeiras, a sua situação será analisada técnicos especializados nestas matérias que lhe dará indicações da melhor forma de resolver o seu problema de endividamento. Irá também obter ajuda com os procedimentos a adoptar, na negociação com as Instituições Financeiras e na análise das propostas que lhe forem apresentadas por estas. Todo este apoio é feito de forma isenta de qualquer tipo de interesses, de forma gratuita e de forma confidencial. Assim, terá a certeza de que estará a tomar a melhor decisão face aos seus interesses, possibilidades e necessidades.

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