Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Congressos não caem do céu

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2012-03-06 às 06h00

Jorge Cruz

A cidade de Braga passou a dispor, desde a passada semana, de um portal de difusão das potencialidades existentes para a realização de congressos, feiras e outros eventos similares. O BragaCongress.com, assim se denomina o portal, foi apresentado na maior feira de turismo de Portugal, a BTL, o que à partida lhe garantiu ampla divulgação.

A louvável iniciativa, que só peca por tardia, é uma acção conjunta de diversas entidades, públicas e privadas, que decidiram concertar esforços e dinâmicas na afirmação da cidade de Braga como destino por excelência também para o turismo de negócios. Aliás, na apresentação o próprio presidente da entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal realçou o facto de se tratar de uma “parceria única” que “define Braga também como um destino de negócios”. De resto, Melchior Moreira atribuiu à iniciativa “grande relevância, ainda mais num ano em que Braga é a Capital Europeia da Juventude”.

Não tenho quaisquer dúvidas quanto à importância do portal enquanto instrumento de apoio à captação de congressos e outros eventos, designadamente pela possibilidade de mostrar uma radiografia precisa das estruturas existentes, das potencialidades que a cidade oferece, enfim, de tudo quanto o organizador ou o mero turista de negócios podem encontrar. Mas sejamos absolutamente claros: não se pode ter a veleidade de pretender que o portal agora criado seja, como que por artes mágicas, a panaceia de todos os males, isto é, de todo o desinteresse e ostracismo a que o turismo de ne-gócios foi votado ao longo dos anos.

Os responsáveis pelo projecto consideram, e bem, que o turismo de negócios assume um papel basilar na afirmação de uma região e, nessa perspectiva, entendem que a captação de congressos e outros eventos similares para Braga é absoluta- mente estratégica. Não podem é esperar que o riquíssimo património desta cidade de média dimensão, mesmo com o peso histórico de urbe bimilenar, seja suficiente, por si só, para atrair eventos geradores de novos negócios e de riqueza.

Como se sabe, nesta como em tantas outras áreas, não há muito para inventar. Assim, a estratégia de qualquer cidade que aposte clara e convictamente no turismo de negócios passa, entre outras acções, pela criação do chamado Convention Bureau, ou seja, uma entidade sem fins lucrativos a quem é cometida a missão de fomentar a actividade designadamente através da captação de eventos e da divulgação dos atractivos, turísticos e não só, no sentido de aumentar o fluxo de visitantes e, consequentemente, criar mais riqueza.

São estas entidades, sob a forma jurídica mais diversa, que vão ao encontro dos clientes através de múltiplas acções de marketing de turismo de negócios que visam angariar congressos e outros eventos análogos da mesma área, mas também viagens de incentivo. Funcionam, pois, como agências de captação de cientes - grandes empresas, organismos de classe, operadores profissionais de congressos, entre outros - e de “venda” das potencialidades da cidade.

Também por esta razão, creio que o portal agora apresentado não pode ser visto como uma iniciativa isolada mas antes como a primeira peça processual de um projecto mais completo, como o pontapé de saída, para utilizar linguagem desportiva, de um plano muito mais ambicioso que visa dar notoriedade à cidade de Braga como destino de negócios.

O que está em jogo, e que aliás é ferozmente disputado por outros destinos, é demasiado importante para permitir que as grandes decisões nesta área de negócios fiquem ao sabor do acaso. Não se pode esperar que as coisas caiam do céu. Por essa razão, e pese embora a relevância do portal, dar este projecto por concluído e não avançar agora para uma estrutura agressiva de marketing de turismo de negócios equivalerá a mais uma oportunidade perdida de rentabilizar as potencialidades de Braga.

Todos sabemos a enorme relevância do turismo de negócios para uma determinada cidade e/ou região. São, por um lado, os equilíbrios que tal provoca na sazonalidade de diversas actividades, com particular incidência na ocupação hoteleira, são ainda as questões que se prendem com os consumos deste tipo de turistas.

Com efeito, os dados disponíveis em várias latitudes demonstram que o turista de eventos gasta mais dinheiro do que qualquer outro e revelam, por outro lado, que geralmente, ao descobrir o destino turístico, este tipo de visitante não só regressa como turista tradicional como se torna, ele próprio, um propagandista dos atractivos do local.

Tudo se deve focar agora, portanto, na imperiosa necessidade de criar a estrutura capaz de “vender” a cidade como destino privilegiado de turismo de negócios, a par do já conquistado destino de turismo religioso. A oferta de património cultural e religioso é ampla, bem assim como de hotelaria, restauração e comércio.

Se a tudo isto acrescentarmos a relação qualidade-preço favorável a Braga, quando comparada com destinos em cidades maiores, a amabilidade e cortesia dos bracarenses e o facto de se tratar de um destino novo, seguro e muito pouco explorado neste segmento de negócio, creio que estão criadas as condições para o sucesso do projecto.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.