Correio do Minho

Braga, terça-feira

Compreender a solidão

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Escreve quem sabe

2014-09-28 às 06h00

Joana Silva

Vive-se atualmente numa sociedade frenética onde as pessoas sentem-se cada vez mais sozinhas. Há quem queira um simples café tomar, e não o possa fazer. Há quem queira partilhar um problema e não o faça, porque não tem ninguém com quem dialogar. Há quem queira passear ou sair mas não o faz porque lhe falta companhia. Há quem esteja no meio de uma multidão e, no entanto, se sinta só e (des) acompanhado.

O número de pessoas que são afetadas pela solidão tem vindo nos últimos tempos a aumentar e ao contrário do que se imagina não afeta exclusivamente idosos, mas sim todas as faixas etárias sem excepção. Solidão traduz-se na falta de companhia, todavia, esta pode ser decidida pela própria pessoa, isto é, quando opta por estar sozinha, ou “forçada”, quando a pessoa se sente só pelos acontecimentos da vida (divórcio, luto etc.)

Há no entanto, quem afirme que gosta da solidão. Talvez sim talvez não, porque a solidão em alguns momentos temporários é precisa, permite pensar, tomar decisões, descansar entre outros aspetos. Todavia em longos períodos a solidão causa sofrimento emocional pela falta de contato social. Existem inúmeras situações que conduzem à solidão na fase adulta desde o divórcio, a morte de alguém muito querido, o terminar de uma relação amorosa, sobretudo quando a pessoa se dedica exclusivamente à pessoa amada e em prol da relação afasta-se da sua rede social de amizades.

A solidão também pode estar presente numa relação marital, nomeadamente quando o sentimento de uma das partes não é o mesmo que o da outra parte, como se a outra pessoa “não preenche-se” (que mais tarde tendem a transformar-se em relações de aparência) ou por outro lado que é ocasionada por problemas de comunicação do casal. De realçar que hoje a solidão também afeta as pessoas que procuram melhores condições de vida e por esta razão sacrificam-se a estar longe da sua família, numa cidade que por vezes não dominam o idioma e onde basicamente tem de “começar tudo de novo”.

Acabam por se sentirem sós no meio de uma multidão. Muitas pessoas aceitam e conformam-se com a solidão e recusam apoio social e psicológico porque tendem a pensar que nada há a fazer para contornar o problema da solidão e alguns casos mais graves deste sentimento ou estado simplesmente desistem de viver…

Existem estratégias que podem mudar o dia-a-dia de quem se sente sozinho. Uma das mais importantes, parte da aprendizagem e da gestão das mudanças ocorridas resultantes das circunstâncias da vida. Exemplificando, quem tem dificuldades em fazer amizades pode integrar-se em atividades de lazer (uma formação de culinária) ou participar/praticar desporto (zumba, jogar futebol local). Terá com certeza a oportunidade de estabelecer novos contactos.

Também a companhia de um animal de estimação pode animar o dia-a-dia. Companhia para passear é garantida além de que um amiguinho patudo pode também ser um facilitador de amizades, porque numa caminhada por exemplo, dificilmente se resiste em fazer uma festinha ou um miminho. Em outras situações é necessário acompanhamento especializado onde é necessário perceber a origem e a causa do problema da solidão a fim tratar pensamentos associados a atitudes negativas (o não sair de casa, o não querer falar) que potenciam a solidão (“não ter companhia”).

A vida é repleta de aprendizagens boas e más, no entanto, prevalecem sempre as boas memórias, aquelas que nos preenchem o coração. São essas que devem ser relembradas nos momentos mais aflitivos da vida neste sentido há que se ser mais forte e compete a cada pessoa combater ou evitar a solidão.

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