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Como nos podemos tornar beija-flores da Escola do Futuro?

A cor é Rosa!

Como nos podemos tornar beija-flores da Escola do Futuro?

Voz aos Escritores

2021-10-08 às 06h00

Fernanda Santos Fernanda Santos

Voa majestoso e possante sob o céu
beija a bela rosa ainda em botão
e faz-se presente nos versos
de todas as flores, com precisão,
é o beija-flor.
Suave e belo é o seu voo
que num intenso vai e vem
emprenha o amor.

Instantes depois, desaparece,
mas o encanto daquele momento permanece.
Fernanda Santos


Desde criança, quisera ser eu um beija-flor. Quisera ser livre e voar num canto feliz como qualquer petiz. Quisera ser a vibração mais alta e suave da natureza, voar em qualquer direção, para cima, para baixo, para trás e para os lados.
Afinal, o voo que eu via era o de um professor. Aquele que estimula a encontrar a doçura e a alegria em cada situação de aprendizagem. Aquele que, com empenho e dedicação, doa a sua vida à escola. Embora de uma forma pouco consciente, já eu sentia no bater determinado de asas do pequeno pássaro o que havia de vir a ser o batimento cardíaco acelerado de um bom professor.
A rapidez com que os beija-flores batiam as asas fazia parecer aos meus olhos, inocentes, estarem completamente imóveis no ar, como se estivessem a observar e a preparar o seu próximo voo. Não me admira, por isso, que sejam considerados símbolos de alegria e de energia. Assim são os beija-flores. Assim se quer que sejam os professores. Assim se espera que aconteçam situações no exercício docente que os gratifiquem profissionalmente. Isto porque o que os gratifica os pode fazer voar.
Como professora, posso dizer que o que mais me gratifica profissionalmente, ano após ano, é poder exercer a profissão sendo eu própria, com as minhas fragilidades, com as minhas incertezas, com as minhas interrogações e com verdade.
É que num mundo de aparências, feliz é aquele que vive de verdade, pois ninguém consegue voar com asas frágeis e quebradiças e sem a garantia de condições de trabalho atrativas que, por sua vez, possam assegurar a permanência no sistema de um corpo docente qualificado e motivado.
Ao longo da caminhada, tenho sentido a necessidade de me afirmar como uma professora capaz de atender às exigências do século XXI, encarando o desafio da aprendizagem não apenas como a aquisição do conhecimento, mas fazer com que o aluno seja capaz de dar sentido às coisas, de as compreender e de as contextualizar. Tenho vindo a repensar o papel do educador na contemporaneidade, porque hoje as tarefas do professor são muito diferentes do que eram no passado. Os professores e as escolas não podem viver um mundo que já não existe. A geração de hoje não comunica, não pensa e não aprende da mesma maneira que as anteriores. Os novos alunos têm outras maneiras de estar na vida, de aprender, de trabalhar com o cérebro, e nós temos de nos adaptar para não criarmos um fosso geracional que dificultará o processo de encontrar as melhores maneiras de conduzir esses jovens à aprendizagem.
Mas é claro que não se cria em cima do nada, não se cria no vazio, mas a partir de um conjunto de atividades motivadoras que facilitem as aprendizagens significativas.
A minha luta tem sido a de sempre. A escola de hoje tem de ser capaz de atender a estes novos desafios, pois a sala de aula como único espaço de aprendizagem tende a desaparecer.
Por isso, precisamos de uma escola que esteja enraizada na sociedade, nas suas diferenças, e seja capaz de construir projetos distintos e inclusivos, respeitando a diversidade. Precisamos de uma escola que reconheça o esforço, a dedicação e a entrega de todos aqueles que amam e educam as nossas crianças e os nossos jovens. Para tal, precisamos de coragem para seguirmos uma linha de rumo que favoreça a construção de uma escola mais feliz e amiga, mais solidária e mais livre e que não se deixe aprisionar pelo íman dos interesses e das políticas ocasionais.
Precisamos, também, de alento para romper com a rotina, a uniformidade educacional, o peso regulamentador das normas e das leis que ocupam os professores em demasia e lhes atrofiam as asas.
No recomeço de mais um ano escolar, sinto que cuidar do aluno é cuidar da sua aprendizagem e sentir gratidão por isso, porque o que nos gratifica nos pode fazer voar...

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