Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Como Braga foi informada do naufrágio do Titanic

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Ideias

2012-04-16 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Nos últimos dias têm surgido inúmeras referências a um acontecimento que ocorreu há 100 anos e que, desde então, tem causado assombro e respeito: o desastre do Titanic.
Foi na madrugada de 15 de Abril de 1912 que o Titanic, então considerado o maior, o mais imponente e seguro transatlântico do mundo, naufragou na sua viagem inaugural, que deveria ocorrer entre Southampton (Inglaterra) e Nova York (EUA).

Nos últimos 100 anos foram várias as notícias, as referências, as emoções e contradições acerca deste episódio, cujas consequências ainda hoje são bem visíveis, transformando-se o ‘RMS Titanic’ numa verdadeira lenda.
Atendendo à actualidade deste acontecimento, interessa analisar como os bracarenses foram informados deste importante e trágico acidente.

O Titanic naufragou na madrugada de 15 de Abril de 1912. Três dias depois o ‘Commercio do Minho’ apresentava uma notícia, com o seguinte título: ‘Pavorosa hecatombe no mar’, noticiando que “O grande vapor ‘Titanic’ pertencente à White Star Line Company, de New-York, naufragou às 2 horas e 20 minutos da madrugada de segunda-feira, em S. João da Terra Nova, por motivo de ter batido contra um enorme banco de gelo”.

Na mesma notícia referia-se ainda que “De 2:690 pessoas que transportava, entre passageiros e tripulação, apenas se salvaram 863, que o vapor ‘Carpathia’ conduziu para New-York”. Esta notícia referia ainda que junto ao local do naufrágio ocorreram vários navios, mas nenhum conseguiu salvar nem pessoas nem os inúmeros bens que o Titanic transportava. O ‘Commercio do Minho’ referiu ainda que o “mar ficou coalhado de cadáveres, marchando por entre elles com difficuldades as embarcações que acudiram”.

A riqueza transportada pelo Titanic não foi esquecida pelo jornal ‘Commercio do Minho’, que referiu que o navio transportava “um milhão de libras esterlinas em diamantes, 120:000 libras em perolas e alguns milhões em moedas”.
O jornal ‘Commercio do Minho’ voltaria a noticiar este acontecimento apenas mais uma vez, no dia 23 de Abril de 1912, dizendo que tinha chegado a Nova Iorque, na sexta-feira, dia 19 de Abril, o navio ‘Carpathia’, transportando 775 pessoas, únicos sobreviventes do naufrágio.

O jornal referia que os sobreviventes relataram episódios de verdadeiro horror, como o que envolveu quatro italianos, que foram mortos por um oficial do Titanic, uma vez que estes se queriam salvar primeiro que as mulheres e as crianças. Outro passageiro, de Londres, referiu que o choque contra o iceberg não assustou ninguém, nem mesmo quando os passageiros foram obrigados a dirigir-se, com os coletes de salva-vidas, para a ponte, porque todos pensavam tratar-se de uma pequena avaria.

A confusão surgiu no momento em que foi dada ordem para as mulheres embarcarem nos ‘escaleres’, uma vez que algumas recusaram-se a fazê-lo sem os seus maridos. Passado algum tempo, os “homens encheram os restantes escaleres e depois de todas as embarcações se terem afastado, o ‘Titanic’ iluminou, a orchestra de bordo tocou e, de repente, a prôa submergiu-se, levantando o navio verticalmente”. Nesse momento ouviu-se um enorme ruído, provocado pelas máquinas do navio que se afundava, ouvindo-se então muitos gritos de passageiros, que se encontravam agarrados aos destroços do navio”.
O ‘Commercio do Minho’ termina as referências ao ‘Titanic’, dizendo que os náufragos sobreviveram a um frio arrepiante, durante cerca de cinco horas, até à chegada do ‘Carpathia’.

O outro jornal de Braga que fez referência aos acontecimentos que envolveram o ‘Titanic’ foi o ‘Echos do Minho’, embora sem a profundidade do seu colega ‘Commercio do Minho’. No dia 18 de Abril de 1912, com o título ‘Viagem Infausta’, o ‘Echos do Minho’ referia que um grande paquete que fazia uma ligação entre Southampton e Nova Iorque bateu contra um banco de gelo. No entanto, segundo este jornal, o Titanic comunicou com outros navios, que partiram em seu socorro, e que “os passageiros estão salvos”. A notícia termina com a referência aos valores do Titanic, informando que transportava muitos diamantes, e que os seguros do navio ascendem a “11.750 contos de réis”.

Três dias depois (21 de Abril), o mesmo jornal voltou à notícia sobre o ‘Titanic’, referindo que “são muito variados e confusos os telegrammas recebidos por via aerea, submarina e radiante, acerca do naufrágio do grande paquete que, como noticiamos, chocou com um bloco de gelo”. Referindo que o “numero de mortos é muito avultado”, o ‘Echos do Minho’ acrescentava que em Nova Iorque esperava-se com ansiedade pela chegada do ‘Carpathia’, que transportava os sobreviventes do Titanic.

No dia 25 de Abril de 1912 o ‘Echos do Minho’ noticiava que o Ministro do Comércio inglês tinha anunciado, na ‘Câmara dos Comuns’, a abertura de um inquérito “às causas da perda do grandioso paquete”. A notícia terminava com a informação que na Inglaterra e nos EUA encontravam-se abertas subscrições para apoiar os sobreviventes do ‘Titanic’.

A última notícia sobre o ‘Titanic’, efectuada por um jornal de Braga foi no dia 2 de Maio de 1912, novamente no jornal ‘Echos do Minho’, que referia que tinham chegado a ‘Plymouth’, na Inglaterra, 167 sobreviventes do ‘Titanic’, que de imediato foram interrogados pelas autoridades inglesas “acerca das causas do medonho desastre e das suas peripecias”.

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