Correio do Minho

Braga, sábado

Com sangue se escreve a diplomacia norte-americana

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias Políticas

2012-03-13 às 06h00

Carlos Almeida

Onze anos depois da invasão e do início da ocupação do seu país por forças militares, a população afegã vive hoje em piores condições, mais insegura e ainda mais pobre.
Sob a capa do diálogo, da manutenção da paz e da concretização da democracia, a Administração Norte-americana e a NATO têm, ao longo da última década, conduzido o Afeganistão a uma situação de enorme instabilidade, que se alastra a toda a região. Durante estes anos intensificaram-se os combates militares e os crimes praticados pelas forças ocupantes contra populações civis.

No passado Domingo assistimos à propagação de uma notícia que, embora de forma limitada, dava-nos conta da ocorrência de mais um bárbaro massacre perpetrado pelos soldados dos Estados Unidos da América em terras afegãs.
Segundo fontes das próprias forças militares ocupantes, um soldado terá abandonado durante a noite a sua base militar, acabando por chacinar a tiro, friamente, dezenas de civis indefesos.
Este acto de absoluta desumanidade, que culminou num banho de sangue, diz muito sobre a política militarista e da ofensiva belicista levada a cabo pela NATO e pela Administração dos EUA.

Este lamentável episódio, que deve envergonhar todos aqueles que suportam a ideia de supre-macia moral do Ocidente e que, por isso, apoiaram as invasões no Afeganistão, mas também na Jugoslávia, no Iraque e, mais recentemente, na Líbia, já com os olhos postos na Síria e no Irão.
Não está em causa a condenação de regimes autoritários e opressores, mas sim, quem tem a necessária legitimidade para alterar o rumo dos acontecimentos.
Ao povo destes países deve caber a última palavra, a vontade de mudança e respectiva luta libertadora.

A prática tem sido precisamente a contrária, e o que a história nos comprova, é que as soluções invasoras, de ocupação militar, não só não abrem caminhos de paz e esperança, como aprofundam os crimes, a insegurança e as desigualdades.
São muitos os exemplos de ofensa e violência concretizados pelas forças ocupantes, em que a população civil é maltratada, injuriada e, não poucas vezes, assassinada.

Estes acontecimentos vêm reafirmar quão hipócrita e errada é a via da ocupação e demonstram que o único caminho para a paz naquela região passa obrigatoriamente pela retirada imediata de todas as tropas ocupantes e pelo respeito pela independência e soberania do Afeganistão.

Os responsáveis da NATO dizem que “lamentam profundamente” o incidente. Barack Obama, prémio Nobel da Paz em 2009, diz que “ficou triste”. Morreram 16 civis, dos quais nove eram crianças.
Parabéns NATO! Os nossos sinceros agradecimentos, Sr. Obama.
Obrigado porque hoje o mundo está muito mais seguro com a vossa intervenção.
A população mundial sente-se em paz graças à vossa política anti-terrorista.

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