Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Clima de Escola

O governo continua a arder

Voz às Escolas

2017-05-04 às 06h00

Luisa Rodrigues

Oclima e a imagem da escola têm sido apontados como fatores condicionantes do sucesso, sendo que, numa primeira análise, se poderá afirmar que foram afetados pelo exacerbado mediatismo dos rankings, potenciador de alterações significativas ao nível das práticas pedagógicas e da própria missão da escola, enquanto organização promotora de uma escolarização orientada para o sucesso e, cumulativamente, para o desenvolvimento integral dos alunos, dotando-os de ferramentas para enfrentarem os desafios de uma sociedade cada vez mais digital e competitiva.
Efetivamente, a pressão dos resultados, lidos de forma descontextualizada, repercute-se, negativamente, no clima de escola, situação agravada pela alteração do estatuto dos profissionais de educação, com o acréscimo de deveres e a diminuição de direitos, direitos esses que deveriam ser reforçados, face à crise de valores e de autoridade de um sistema que se diz democrático, mas em que proliferam os exemplos de total desrespeito pela liberdade de cada um e pelos direitos humanos.
Paralelamente, não podemos alhear-nos do facto da escola não poder ser entendida fora do meio social em que se insere, meio esse que, por força da crise social e económica que atravessamos, encontra na escola, fragilizada nos seus direitos, o destinatário, por excelência, das suas frustrações e da ânsia de ter “voz”, mesmo através do uso desvirtuado dos direitos que lhe assistem.
No entanto, embora o contexto em que a escola se insere pese, significativamente, não lhe podemos imputar toda a responsabilidade pelo clima que se vive na escola. Constitui, efetivamente, uma forte condicionante, mas não a única.
A falta de reconhecimento do papel da escola e dos seus profissionais, enquanto pilares da sociedade, acrescida da inexistência de uma política educativa direcionada para a escola de hoje, com todas as exigências inerentes à evolução dos tempos e das práticas em contexto de sala de aula, provocou, e continua a provocar, a “derrocada” da escola pública, hipotecando o futuro de um país em que a falta de rumo da educação é, por de mais, evidente.
As mudanças produzidas na escola são o reflexo da soma das mudanças produzidas na sociedade, nas políticas educativas e, por arrastamento, na forma de viver a escola por parte dos diversos atores educativos que, descontentes e frustrados pelo crescendo de atropelos a que têm estado sujeitos, se resignam, criando resistências à mudança e à implementação de práticas pedagógicas inovadoras, com efeitos negativos na motivação dos alunos.
A desmotivação dos alunos cria condições propícias ao aumento de comportamentos disruptivos, promove o absentismo e potencia o insucesso escolar, problemas com que a escola se debate e para a prevenção/gestão dos quais se encontra, muitas vezes, isolada, face à inércia, à desresponsabilização e à falta de valores da família.
Assim, perante a ausência de respostas, por parte do poder decisor, cabe à escola encontrar/inventar receitas para minimizar os efeitos nefastos das circunstâncias que condicionam o seu funcionamento e, sobretudo, o seu sucesso, com reflexos evidentes no seu clima e na sua imagem, sem nunca perder de vista que a escola pode fazer a diferença, mas que é inquestionável que essa diferença só se constrói com o envolvimento e a ação direta dos profissionais de educação, razão pela qual o clima em que vivem os professores e os assistentes técnicos e operacionais pode condicionar o salto para a mudança dos procedimentos e das práticas, objetivando o sucesso e a qualidade do sucesso escolar e valorizando a sua imagem.
O que muitas vezes parece ser esquecido.

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