Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Cimeira de Paris: Agora ou Nunca!

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2015-12-09 às 06h00

Pedro Machado

Está a decorrer, em Paris, de 30 de Novembro a 11 de Dezembro, a 21.ª Conferência das Partes, organizada pelas Nações Unidas para discutir os efeitos das alterações climáticas e as medidas para as combater.
Esta conferência reúne, anualmente, os 195 países que assinaram e ratificaram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, em 1992, no Rio de Janeiro e que entrou em vigor em 1994.
Esta 21ª cimeira é absolutamente fulcral para traçar o caminho e alcançar um novo acordo para a diminuição das emissões de gases com efeitos de estufa, minimizando os efeitos do aquecimento global.
Essencialmente, o que se pretende alcançar é um acordo que permita limitar o aumento da temperatura global para 2ºC até 2100, uma vez que já se verifica um aumento de quase 1ºC. Basicamente, é por isto que os países lutam desde 1992 e, embora tenha sido oficializado pelo Protocolo de Quioto, que criava metas obrigatórias de redução de emissões de gases com efeitos de estufa, para os países desenvolvidos, a verdade é que nunca saiu do papel. Os EUA nunca ratificaram o protocolo alegando que não o fariam porque os países em desenvolvimento, como a China, não eram obrigados a fazê-lo o que iria prejudicaria a sua economia.
Já em 2009, em Copenhaga, se tentou chegar a um acordo substituto do protocolo de Quioto, no entanto, a cimeira fracassou.
Chegados a um ponto sem retorno, há a esperança de que a cimeira de Paris seja um sucesso. Não se pode esperar mais, os efeitos estão à vista: catástrofes naturais, subida do nível médio do mar, entre outros.
Como disse Ban-Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas, no discurso de abertura da cimeira “Um momento político como este pode não voltar a existir. Nunca tivemos uma oportunidade tão grande”.
Para que haja, então, acordo há, principalmente, dois grandes obstáculos: a divisão entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento, isto é, os países desenvolvidos cresceram poluindo e os países em vias de desenvolvimento estão impedidos de fazer o mesmo.
O segundo grande obstáculo são os interesses económicos relacionados com o uso dos combustíveis fósseis, quer por parte dos países produtores de petróleo, quer por parte das grandes multinacionais.
Para já, segundo os discursos dos líderes dos países com mais emissões de gases com efeitos de estufa, as previsões são animadoras. A grande dúvida é se o acordo será vinculativo ou voluntário.
Obama defende que seja voluntário, afirmando que as metas já não são definidas “para nós” mas “por nós”, ou seja, são os próprios países que dizem o que vão fazer e não a ONU. Até ao início da cimeira, cerca de 160 países apresentaram as suas propostas voluntárias de redução das emissões.
Paris é, então, decisiva. É agora ou nunca!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.