Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Cidade: organismo vivo em permanente actividade

As Bibliotecas e as Escolas

Ideias

2016-09-12 às 06h00

Filipe Fontes

Tempo de regresso que é o mesmo que dizer tempo de retoma das actividades que, por uma razão ou outra, colocamos em pausa durante algum tempo para (re) temperar o corpo e a mente de renovada energia e entusiasmo.
Para muitos, é tempo de equacionar projectos e balançar sobre novos desafios e perspectivas. Para outros, é tempo de confirmar percurso já trilhado e avançar passos e conquistas no caminho da vida.

Para todos, e por “artes mágicas”, psicologicamente, pode ser tempo novo que motive sorrir para o futuro.
Sobre as cidades, dir-se-á, que se passará o mesmo.
Depois de uma pausa no seu movimento e dinâmica tão intimamente ligada ao pulsar laboral e escolar (mas que, em tantas, se substitui por um pulsar turístico que conheceu já outros patamares de reconhecimento e unanimidade), é tempo de retornar ao quotidiano dito “normal” ou “o de sempre”.

Na verdade, essa pode ser a percepção e a ideia instalada. Na realidade, a mesma se confirma enquanto ilusão. Porque, na verdade, a cidade (enquanto realidade física de suporte a um aglomerado de pessoas que se juntam por necessidade) é um “organismo vivo” em permanente actividade e desafio.

Por muito que a cidade aparente “adormecida”, como que aguardando o retorno de quem foi procurar a diferença, o desconhecido ou o descanso balnear, por muito que a cidade aparente “pasmada” na sua actividade terciária ou movimentos pendulares e laborais, escolares ou domésticos, a cidade nunca deixa de estar em actividade e de pulsar, marcando e condicionando a vida de todos nós.

E, numa extrapolação para todo o território, esta realidade reforça a convicção de que este mesmo território se confirma como um progressivo e dinâmico sistema de camadas sedimentadas por justaposição e que vão construindo a sua história… urbana. E, assim integrando a história e a vida de cada um de nós numa história e vida comunitária e partilhada.

Por isso mesmo, agora, na hora do regresso, importa olhar para a cidade como deve ser (sempre): com carinho e exigência. Mas não esperar que a mesma esteja diferente e que, neste tempo de estio, tenha resolvido os seus problemas ou debilidades, por magia ou omissão. Nada de mais errado! Descobriremos que a cidade é realidade continuada e que os problemas de trânsito, afinal, também regressam de férias, os eventos do ano anterior têm oportunidade de se renovarem, o comércio permanece à margem da rua. Mas também que o jardim ou a praça, afinal, ainda é mais bonita do que julgávamos, que existe um enfiamento visual ainda não alcançado por nós (aqueles que, convictamente, julgam dominar toda a cidade).

Porque, afinal, a cidade não foi de férias, antes está onde sempre esteve e está, como sempre esteve, ao nosso serviço, à nossa espera.
E, se é verdade que nos assiste o direito de viver e usufruir desta mesma cidade, convém não esquecer (nesta hora de redobrada energia e de confirmação, ou arranque, de novos projectos e desafios) o dever que a todos assiste de “olhar e tratar bem da cidade”. O que significa não só respeita-la mas também participar na sua conservação e evolução. O que significa não só fazer por gostar dela como trabalhar para que seja possível gostar cada vez mais da mesma.

E tal só será possível reforçando o nível de participação e envolvimento cívicos.
Temos o direito ao usufruto e consumo da cidade. Temos o dever do seu cuidado e melhoria. E fazer crescer a afectividade e identidade. Nossa! Pelo espaço que habitamos e usa- mos…
Que este seja propósito renovado e generalizado neste (tão desejado) bom regresso!

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