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Celebrar o elementar, promover a transformação

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Celebrar o elementar, promover a transformação

Escreve quem sabe

2021-05-04 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Os rituais são importantes para as nossas vidas. Ajudam-nos a relembrar aquilo que é relevante, a equilibrar o quotidiano e também nos ajudam a criar expetativas. Os rituais encontram-se não só conectados a determinados processos do dia-a-dia, porém estão igualmente relacionados com dias significativos. O último fim-de-semana foi profícuo em relação a esses dias, visto que assinalámos o Dia do Trabalhador e o Dia da Mãe, datas que alguns de nós teimam em manter como merecedoras de algum destaque.
Não existem grandes dúvidas relativamente à efetividade das mudanças que se deram ao nível do trabalho no último ano. A transição para o teletrabalho ainda não está completamente consolidada, particularmente no que diz respeito aos seus aspetos legais e administrativos, porém, ainda assim, essa transição foi aceite como imprescindível durante a pandemia. Os tempos estão a mudar, dizem alguns; mas os tempos são feitos das gentes e das realidades que os compõem e, por isso, ainda bem que os tempos mudam.
Tampouco existem dúvidas acerca das mudanças que a figura materna apresentou ao longo dos anos, em concreto a partir de meados do século XX. A mulher que é mãe, hoje em dia, é habitualmente mulher trabalhadora, produtiva num local específico do tecido financeiro, e contribui não só para o desenvolvimento dos filhos, contudo igualmente para o progresso da sociedade. De louvar igualmente as mães que se encontram apenas com as funções da família e da casa, também conhecidas atualmente como «stay-at-home moms», cujo trabalho não é muitas vezes valorizado – que devia ser, tendo em conta que o mesmo é infindável e extremamente cansativo.
As mães trabalhadoras, todas elas, apresentam um papel fundamental na educação dos filhos e na forma como este vão proceder no e com o futuro. O exemplo dado, seja pela paixão profissional, seja pela liberdade de decidir ficar em casa, é essencial para que os homens e as mulheres de amanhã aprendam a respeitar a heterogeneidade e a força do lado feminino da sociedade. A aprendizagem do equilíbrio também é importante, visto que a nossa realidade não vive apenas de mulheres que são mães: as mulheres que decidem não ter filhos devem ser igualmente respeitadas – e não imoladas no cenário público, como muitas vezes acontece.
Neste período pandémico foi admirável como as famílias se conseguiram moldar aos cenários profissionais. É óbvio que este molde se fez com bastantes dificuldades, especialmente nas famílias com filhos, particularmente os pequenos, e naquelas com pessoas dependentes a seu cargo. Foram, e continuam a ser, tempos de grandes malabarismos: balançar reuniões de trabalho com as aulas das crianças, ou harmonizar tarefas laborais com o tempo dedicado aos que nos são mais chegados, tem sido um esforço hercúleo para todos.
Acredito que os tempos que aí vêm podem ser fundamentais para determinar questões de género que ainda não se encontram bem definidas ou demandas laborais que, infelizmente, se mantêm como problemáticas e controversas. As injustiças que ocorrem nos locais de trabalho devem ser minimizadas com ajuda de todos, em especial com renovação do discernimento de algumas chefias, que teimam em manter processos custosos e cansativos para as equipas. Ainda bem que tudo muda: se assim não fosse, como seria possível evoluir?

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