Correio do Minho

Braga, terça-feira

CEC e CEJ 2012: Cooperar para competir

Repensar a Lógica do Livro de Instruções

Ideias Políticas

2012-01-24 às 06h00

Pedro Sousa

A14 do corrente mês deu-se, em Braga, o arranque oficial da Capital Europeia da Juventude para o ano de 2012. Uma semana mais tarde, no passado sábado, foi a vez de Guimarães se apresentar como Capital Europeia da Cultura.

Estes dois momentos, vistos isoladamente, não ganham, nem de perto nem de longe, toda a dimensão que podem assumir se forem entendidos como uma fantástica oportunidade para criar uma cultura de parceria, de visão de conjunto, de horizonte de desenvolvimento estratégico partilhado entre Braga e Guimarães, tendo como horizonte a afirmação de duas cidades de média dimensão portuguesas no panorama da euro-região Norte de Portugal-Galiza e mesmo no panorama internacional propriamente dito.

Braga e Guimarães são cidades que distam uma da outra apenas uma vintena de quilómetros. São cidades minhotas por excelência e aquilo que as une é, indubitavelmente, mais forte do que aquilo que as separa. Infelizmente, temos permitido que, não raras vezes, a lógica do futebolês, da rivalidade exacerbada entre o Sporting Clube de Braga e o Vitória de Guimarães e de comportamentos violentos que lhe andam associados (que nada tem que ver com o espírito desportivo), iniba a capacidade de perceber que afirmar Braga é afirmar o Minho e, por essa via, afirmar, também, Guimarães. O contrário é também verdade, obviamente.

Perceber esta dinâmica é decisivo para ajudar a fazer do Minho uma verdadeira Capital Europeia da JuveniCultura. A Cultura e a Juventude são, não tenho dúvidas, eixos chave de um modelo de desenvolvimento diferente, mais moderno, mais progressista, mais inclusivo, mais sensível à diferença e ao respeito pela mesma.

Importa, também, não esquecer o nosso enquadramento de contexto e perceber que tanto a cultura, como a juventude podem assumir-se, desde que devidamente enquadradas, como catalisadores da economia local e regional, o que não, de todo, despiciendo tendo em conta o quadro sócio-económico extremamente difícil que Portugal atravessa.

Braga é uma cidade conhecida pela sua energia, pelo seu colorido e pela sua juventude (é uma das cidades mais jovens da Europa), marca, essa, bem presente em muitas e variadas expressões da sua identidade e do seu pulsar quotidiano; Guimarães, por seu lado, seguiu nos últimos anos uma clarividente estratégia de valorização cultural que lhe permitiu afirmar o seu centro histórico como Património Mundial da Humanidade. Fica, aqui, bem patente que quer Braga, quer Guimarães, têm aproveitado bem o seu potencial e afirmado, através de políticas públicas bem delineadas e executa-das, projectos de cidade que têm como objectivo maior a qualidade de vida de quem lá habita.

Os programas de Braga 2012 - CEJ e de Guimarães 2012 - CEC bem que poderiam ser objecto de estudo pelo actual Governo. Neles é possível encontrar um horizonte de saída para a crise, apontando estes, para o efeito, propostas concretas em áreas tão decisivas como a inovação, a participação cívica, o emprego, a emancipação, o multiculturalismo, as indústrias criativas, a educação não formal, a sustentabilidade social, económica e ambiental, a dinamização cultural, de todas as expressões artísticas, com uma aposta clara, no caso de Guimarães, na qualificação de criadores que se pretende que se venham a fixar na cidade e a que se junta, ainda, uma estratégia de requalificação do patrimó-nio edificado e do espaço público que têm tudo para se revelarem decisivas para o desenvolvimento de ambas as cidades e da região.

Enquanto alguns apontam a emigração como saída para a crise, há quem através de políticas públicas bem estruturadas, dirigidas e orientadas seja capaz, ainda, de dizer que resiste, que não cede a fatalismos por antecipação e que, arregaçando as mangas, enfrenta 2012, esse Adamastor que dizem impossível de dobrar, com força, energia e confiança.

O Minho como Capital Europeia da JuveniCultura é uma mensagem de esperança, de confiança e de futuro para todo o país. Braga e Guimarães são o raio de sol que tenta a todo custo furar a nuvem negra e densa de austeridade sem resultados à vista que este Governo diz estar para ficar. Braga e Guimarães, só por isso, merecem a nossa visita. Mais há mais, mui-to mais. Venham daí.

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