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Casa roubada...Trancas à porta

Comunicação em Crises e Emergências

Casa roubada...Trancas à porta

Voz às Escolas

2020-10-22 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Tanta tinta tem corrido nas redes sociais sobre a precaridade das condições em que as escolas retomaram o seu normal funcionamento, que chego a questionar-me sobre tamanha preocupação.
Se recuarmos algum tempo, e basta-nos recuar ao mês de março do corrente ano, e nos abstivermos das circunstâncias excecionais em que regressámos, circunstâncias essas decorrentes da situação pandémica que o país atravessa, as condições de funcionamento das escolas não se alteraram – regressámos, após seis meses de afastamento físico, e as carências mantinham-se.
Ao nível das práticas pedagógicas, suporte do desenvolvimento das aprendizagens, encontrávamo-nos na fase de plena apropriação das mudanças introduzidas com o objetivo de revolucionar um ensino que, há muito, vinha dado sinais evidentes de desadequação, face às exigências de um público que passou a ter ao seu alcance inúmeros instrumentos de acesso ao conhecimento, o que obrigou as escolas a repensarem-se, a aumentarem o nível de exigência e a atreverem-se por outros caminhos.
No entanto, e como seria expectável, as mudanças exigiam diversificação de recursos, desde logo a disponibilização de equipamentos tecnológicos o que, na esmagadora maioria das escolas, continuava a ser o maior constrangimento à implementação de práticas inovadoras. Os equipamentos existentes eram escassos e obsoletos.
Do mesmo modo eram obsoletos os laboratórios para as práticas experimentais e decrépitas as instalações desportivas, com condições que colocavam em risco a saúde dos alunos e dos profissionais de educação.
Do mesmo modo eram exíguos os recursos humanos para satisfazer as necessidades inerentes ao normal funcionamento das escolas, quer no que respeitava a recursos para a implementação de medidas de recuperação das aprendizagens dos alunos com maiores dificuldades, quer no que respeitava a recursos para assegurar os serviços complementares, sem os quais as escolas se transformariam em espaços vazios.
Regressámos e deparámo-nos exatamente com as mesmas carências, ao nível de recursos humanos, físicos e materiais.
Ora se, até então, as canetas se mantiveram mudas e quedas, por que razão, de um momento para o outro, passámos a merecer tamanha atenção, a receber tão entusiastas manifestações de solidariedade?
Reconheço que, na atual conjuntura, as carências de diversa ordem sentidas pelas escolas se acentuaram, sobretudo porque nos vimos a braços com a implementação de medidas que dependiam da existência dos famigerados recursos, mas não teria sido justo que as escolas, devidamente dotadas das ferramentas indispensáveis ao exercício da sua missão, tivessem, agora, que se preocupar, apenas, com o essencial – a segurança das respetivas Comunidades e a necessidade de recuperar as aprendizagens não desenvolvidas pelos seus alunos?
Não teria sido justo que a revolução que tem vindo a ser levada a cabo, na área da educação, tivesse sido acompanhada da dotação dos necessários recursos, por forma a que os profissionais de educação tivessem podido canalizar todas as energias para a criação de instrumentos inovadores das aprendizagens?
Somos um país de remedeios, em que as opções estratégicas continuam a evidenciar a falta de coerência entre os discursos e as práticas, a desadequada priorização de investimentos que, em momentos de crise, nos colocam à beira do abismo, sobretudo quando os problemas com que nos debatemos estão acima do poder de quem decide.
Gastar tinta em defesa das condições em que as escolas funcionam deveria ser uma prioridade enquanto as mesmas não fossem dotadas dos recursos a que têm direito, mas não apenas quando precisamos das escolas, quando nos deparamos com problemas sociais que serão severamente agravados se as escolas entrarem em colapso.
É caso para dizer...Casa roubada, trancas à porta.

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