Correio do Minho

Braga, sábado

Carta dos Deveres do Homem, no Escutismo Católico: o Eu

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2017-05-26 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Consideramos o homem como um ser gregário, dotado de direitos e deveres que estruturam a sua vida e a sua convivência em comunidade;
Consideramos que a existência de direitos individuais, conferidos a todos os homens, é um pressuposto para a liberdade, para a justiça e para a paz;
Consideramos que existem diversos instrumentos, declarações e cartas universais que consagram os direitos do homem nas suas diferentes áreas;
Consideramos que os direitos do homem universalmente consagrados são um postulado das garantias que os Estados devem oferecer, promover e garantir a todo o ser humano;
Consideramos que, em comunidade, verifica‐se a existência não apenas de direitos, mas igualmente de deveres que comprometem os indivíduos;
Consideramos que o cumprimento dos deveres em sociedade não deverá radicar exclusivamente, mas sim de uma forma subsidiária, na ação ou do impulso de entidades governamentais;
Consideramos que a cada homem cabe o cumprimento de deveres individuais que servirão para melhor alcançar o sentido e a concretização da liberdade, da justiça e da paz;
Consideramos que para uma vivência plena e alargada dos direitos universalmente consagrados torna‐se necessário que cada ser humano seja um parceiro ativo no respeito pelos deveres que lhe incumbem;
Consideramos que uma conceção comum destes deveres do Homem é de reconhecida importância para dar plena satisfação aos direitos universais.

Neste sentido, o Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português apresenta, no quadro e em resultado de um processo de reflexão e participação interna, a presente proposta de Carta dos Deveres do Homem, verdadeiro rol das obrigações que individualmente devem ser promovidas e cumpridas a fim de se alcançar uma plena expressão da responsabilidade individual na prossecução do bem comum, uma plena realização comunitária dos direitos universais e uma plena vivência em liberdade, justiça e paz.

EU
O Homem tem o dever de procurar a verdade.
A verdade, que é e que está para além do homem, esclarece e ilumina o caminho e a existência do próprio homem. Questionar a sua existência, e as razões e circunstâncias desta, é elemento identitário do ser humano. Conhecer‐se, compreender o mundo à sua volta, ir além dos sentidos, buscar conhecimento e sentido são desafios do homem, de cada e de todos os homens.
O Homem tem o dever de ser pessoa de valores.

Os valores são a base da existência e da convivência humana. Fonte do julgamento e atitude individual, a sua assunção particular confere identidade a cada homem, estruturando a convivência social e cultural dos homens. Não pode o homem, em diálogo com o outro, deixar de se afirmar e crescer num quadro de valores e de o assumir nos gestos do seu quotidiano.
O Homem tem o dever de procurar melhorar a sua condição.

A condição particular de cada homem não é algo, à partida, fruto de escolha pessoal; fruto de escolha pessoal é a atitude perante esta: a conformidade ou a busca de melhor. Cada homem tem, simultaneamente limitações e potencialidades, estando nas suas mãos aceitar aquelas e desenvolver estas, na busca da sua felicidade.

O Homem tem o dever de viver em harmonia com o tempo e dele dispor criteriosamente.
O tempo enquadra o homem e a sua existência. Está para além do homem, marca toda a sua existência e o sentido que à mesma se confere. A efemeridade e a progressividade da existência terrena estão para além das possibilidades de ação do homem, pelo que só a sua aceitação serena permite encontrar sentido no tempo. Desafio para cada homem é sintonizar o ritmo da sua vida com o ritmo do tempo, nem o desperdiçando nem vivendo contra ele, mas vivendo‐o com sentido.
1Em 2009, proposta do Corpo Nacional de Escutas para comemorar o 61.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

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