Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Carta de amor com direitos de autor, de Alexandra Santos

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Conta o Leitor

2010-07-19 às 06h00

Escritor

Meu honrado amor,
Existem sentimentos e sensações que não se escrevem, não se descrevem, nem se proferem. Eu, como sou cobarde, faltei à regra e em tão poucas palavras vou mostrar-te a revolta inquietante que provocas em mim.
Caminho lentamente, observando, no chão, cada migalha de pó, destilando o cloreto de sódio que nos meus olhos sobrepuja, venerando o vento que me faz enrugar todo o corpo até ao tutano… imagino os meus dedos esguios a entrelaçarem-se nos caracóis do teu cabelo. Imagino-me a ceder à tentação de me aproximar a ti, ver nos teus olhos o reflexo dos meus; sentir a brisa quente da tua expiração, embater muito docemente nos lábios que por mim anseiam.
Sinto-me completamente apaixonada. Doida, perfeitamente caidinha de amores, a explodir de borboletas por algo presumivelmente sólido, palpável; por ti.
És, para mim, um solo de piano de Chopin, és a mais suave e delicada nota que se solta das cinco cordas…esvoaçando entre os meus ouvidos lenificados.
Quero expelir toda esta emoção, quero que saibas do meu amor, quero ensinar-te e quero aprender a adorar outro ser, semelhante a mim. Quero te a ti. Preciso de respirar o ar que te rodeia, banhar-me dos raios de sol que emanas. Saborear da lírica que o teu mais simples ser me transmite.
Amor da minha vida, a meio desta tempestuosa jornada, num passado sem fado brotou uma luz cintilante e incandescente dentro de mim. Do lume que detinhas em ti, fizeste-me imaginar um destino que em tempos fantasiei; o quanto era bela, luminosa e fascinante a chispa que dentro se alumiou. Como se Vénus se tivesse declarado a mim, oh!
O fogo nunca se extinguiu. Com o coração fiz-me dona do teu vermelho luminoso, abriguei-o na esperança de se inflamar ainda mais e mais…agora, sinto-me como se peva de imperfeito me possa atingir. O calor que expele é somente afável, tranquilizante, maravilhoso...colora o meu coração, e mesmo estando longinquamente distante de mim sofro intimamente a sua respiração e o palpitar da alma. Sinto-te entre de mim, como raízes entranhadas na terra quente e viva.
Chamo a isto Amor. É majestosamente um nome gracioso, que não se vê na fusão das nossas mãos, mas que a ti e a mim nos ligou.
Amo-te!

Da Alexandra Santos. Ao Fábio Braga pela inspiração e ao Alexandre Vale com a sua Vénus e o seu Fogo.

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