Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Carta aos meus alunos: um guia possível para uma apresentação feliz

Uma carruagem de aprendizagens

Ideias

2018-06-20 às 06h00

Filipe Clemente

Esta carta surge na sequência de uma sessão na qual, após a apresentação de um trabalho, me deparei que nós, docentes, não temos na plenitude ajudado a cumprir como algumas das principais ferramentas e competências que os alunos devem transportar para a sua vida e, por isso mesmo, assumindo a minha culpa, e de outros como eu, venho escrever um conjunto de recomendações que são da minha responsabilidade e não replicáveis, possivelmente, para outros gostos ou convicções.
Proponho-me a indicar um conjunto de recomendações sobre a conceção de trabalhos e apresentação oral dos mesmos no ensino superior e, talvez, para os ciclos formativos anteriores ou posteriores. Pressupõem-se, nos trabalhos teóricos, que o estudante seja sujeito a um investimento pessoal na pesquisa de referências essenciais académicas que fundamentem um determinado tema para, posteriormente, seguir-se a redação lógica de um texto que consiga agregar os conteúdos base para que no final o estudante consiga apropriar-se de um conhecimento específico sobre o tópico sugerido. Regra geral, associada à redação do trabalho, acompanha-se a apresentação oral do mesmo de forma a sujeitar o estudante ao debate de ideias.

Apesar de na essência estes trabalhos servirem para reforçar a transmissão de conteúdos, regularmente, e sejamos honestos, servem apenas como isso mesmo, um trabalho, e não como um instrumento útil à formação. Quantas vezes, enquanto docentes, não nos deparámos com trabalhos integralmente ou parcialmente plagiados de fontes da internet ou de estudantes de anos transatos?
Quantas vezes não vimos apresentações que não passam de uma leitura do trabalho e não de uma comunicação assertiva dos conteúdos apropriados? Pois bem, se neste momento poderíamos pensar que a culpa deste facto está nos estudantes, peço desculpa, mas a responsabilidade poderá, na primeira linha, estar em nós, docentes.

Quantas vezes se pediram trabalhos aos alunos sem os dotar de conhecimentos base de como relacionar ideias, ler um artigo científico, sintetizar informação, comparar evidências, refletir sobre conteúdos, apresentar e dinamizar a apresentação, citar a bibliografia? Para mitigar aquilo que não é unicamente responsabilidade de um docente mas de uma linha de anos de ensino que se fecham neste final não feliz, proponho-me a deixar um guia de recomendações:
1) Pesquisa, sabe e conhece o significado de todas as palavras, definições e conteúdos do teu trabalho. Se não o dominares, nunca vais ser excelente e o trabalho não foi benéfico para ti, apenas te cansou (ps: sabendo que muita informação na internet se encontra em português do Brasil procura verificar a tradução correta para português de Portugal).
2) Nunca, nunca, mas nunca copies uma frase ou parágrafo de outra fonte sem a citar devidamente. Podes usar frases para reforçar a tua ideia mas cita as fontes. Dá mérito a quem pensou e escreveu primeiro. Mas sempre que possível, tenta escrever pelas tuas palavras. Isso indicia que refletiste sobre o que estava no conteúdo que leste.
3) Usa sempre uma formatação amigável. Se ninguém te indica as regras de formação, utiliza estilos de letra simples (e.g., times new roman, arial), tamanho 12, espaçamento 1,5, texto justificado, parágrafos com indentação, títulos a negrito e numerados, paginação no canto inferior direito, capa de rosto com os elementos essenciais e as figuras e tabelas legendadas citando-as no texto.
4) Durante a apresentação, utiliza slides simples e sem ruído visual. Fundo claro ou escuro e não utilizes imagens de fundo que dificultem a leitura do texto. Quando utilizas tabelas ou figuras assegura-te que a resolução é adequada a ser visualizada pelo colega mais afastado na sala.
5) Nos slides redige poucas frases. Duas a três com máximo de duas linhas é informação suficiente para te orientar e, simultaneamente, manter os observadores atentos. Destaca as palavras essenciais. Faz com que essas palavras sejam o trigger que te ajuda a orientar o discurso sem nunca manter-te preso à leitura.
6) Quando apresentas o trabalho fá-lo de costas para a projeção. Isso revela segurança, prende a audiência e assegura que dominas os conteúdos. Diverge o teu olhar pela audiência, fixa pontos de forma periódica e deambula na colocação de voz.

Este guia é uma dedicatória aos meus alunos e ex-alunos da Escola Superior de Desporto e Lazer de Melgaço. Possivelmente não vos ajudará em algumas situações mas poder-vos-á ser útil em outras tornando as apresentações num final feliz!

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