Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Caminho Francês de Santiago

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Conta o Leitor

2016-08-16 às 06h00

Escritor

Graça Santos

Na 1.ª Etapa do troço do Caminho Francês de Santiago para esse dia, de Los Arcos a Viana, as quatro companheiras (duas espanholas e duas portuguesas), começaram o Caminho cedo, seguiram com calma a desfrutar a magnífica paisagem dum mar de verde trigo, salpicado de papoilas vermelhas e de flores campestres, multicolores, a bordejar o trilho.

As portuguesas, que para além da beleza e espiritualidade do Caminho aliaram a Fé em Santiago, começaram então por rezar entre si, no silêncio dos seus corações, pelas suas intenções particulares e comuns desse dia. À medida que caminhavam, foram-se envolvendo com a natureza: ora colhiam fotos, flores, cheiravam tomilhos selvagens, recolhiam varas para auxílio da jornada..... Cada vez mais a natureza se apresentava magnífica, deslumbrante, esplendorosa com as suas flores campestres de cores vivas: vermelho das papoilas (chamadas “coquelicots” para as canadianas do Québec, “amapolas” para as espanholas), outras azuis, brancas, roxas, amarelas,.... os diversos tons de verde, das diferentes maturações do trigo que atapetava as planícies, .... ao fundo as montanhas, por cima o azul do céu, as nuvens, o sol,... a espantosa e inebriante paisagem!

Eram os cliques das máquinas ou das câmaras dos telemóveis a captar , cada qual, o melhor pedaço de “landscape” imperdível, para reter eternamente! Eram os chilreios dos pássaros, eram os cumprimentos dos peregrinos, eram as conversas internacionais mantidas com os mais comunicadores,... E o Caminho ia seguindo doce, belo, entremeado com umas sandes, água, bolachas, rebuçados, fruta, frutos secos, ... alimentos enriquecidos de partilha que até no vocabulário mesclado se verificava!

Ao longo do caminho encontraram muitos outros peregrinos de diversas origens, e Gagá, arranhando o seu inglês, até manteve uma breve conversa com um irlandês! Porém espantou-se com a distância que alguns peregrinos percorreram para chegar ao Caminho. Neste dia cruzaram-se com uns vindos da África do Sul, dos Estados Unidos da América, do Canadá, do Brasil, da Austrália, da Áustria, da Dinamarca, da China, da Itália, da França... para além de outros países Europeus, e Espanhóis em particular e elas, as duas portuguesitas! Comunicaram com todos, sobretudo com os canadianos do Quebéc que falavam francês, a sua língua estrangeira preferencial. Na falta de outra comunicação, havia sempre o “BUENO CAMIÑO!” que trocavam com quem se cruzavam.
Chegadas a Viana, e depois de instaladas no novo albergue, tomaram banho, visitaram o povoado, jantaram... e como era sábado e véspera de domingo de Pentecostes, Gagá e Maria, as crentes, foram à Missa na Igreja local. Um povoado medievo, muito bonito e bem cuidado.

A igreja antiga era colossal, revelando uma época áurea outrora. A comunidade cristã revelou-se muito aberta e acolhedora. O pároco, apesar da idade, uma pessoa afável, formidável. Pediu os peregrinos presentes que esperassem um pouco mais, no final da missa, para lhes dar uma bênção pessoal. Aproveitou para conversar um pouco (quanto possível na língua entendível para cada um), fazer-lhes a imposição das mãos com a saudação: ULTREIA (mais além, ultrapassando as dificuldades) et SUSEIA (vamos para cima, até à estrelas....dado que o Caminho de Santiago seguia as estrelas - a Via Láctea). Esta saudação latina é a antiga, usada entre os peregrinos da Idade Média.

Foi emocionante!
Lá estava também a Cláudia (a alemã da nossa camarata), que chorava copiosamente, emocionada porque esperou 22 anos para poder fazer este Caminho!

O dia acabava, rico e forte de emoções e sensações que perturbaram adormecer! Na verdade começava, agora, a força espiritual do Caminho: Ultreia e Suseia, para todo o sempre!

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