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Braga, sexta-feira

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Cada vez menos e mais sós…

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Cada vez menos e mais sós…

Ideias

2022-11-25 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Pois é, nem só de futebol se vive! Vamos a outros assuntos. Esta semana, foram divulgados os resultados do ultimo Censos, referente a 2021. Somos menos, mais velhos e mais sós. E mais concentrados.
A variável demográfica é importante, já que representa uma das principais componentes no processo de desenvolvimento económico e social. A evolução da população, em Portugal, tem sido lenta, e marcada pela desigualdade entre regiões, mas na última década, Portugal registou mesmo um decréscimo populacional de 2,1; por outras palavras, o país tinha, em 2021, menos 219.112 residentes que em 2011. Esta perda encontra paralelo, do ponto de vista histórico, na forte emigração da década de 60; mais tarde, por meados da década de 70, o regresso de portugueses de África levou a um aumento da população residente, que essencialmente afetou as regiões mais urbanizadas. De qualquer forma, o crescimento da população tem sido sempre lento, e foi explicando novas atitudes sociais, um estilo de vida mais urbano, contribuindo também para alterar o papel das mulheres na sociedade e novos conceitos de família.
Ainda assim, nesta década e tomando como referência os municípios, em Braga, a população cresceu 6,52%, bem acima da variação de Lisboa por exemplo (- 1,25%), ou no Porto ( - 2,44%). No interior, as perdas populacionais foram mais elevadas, chegando aos quase 7% em Castelo Branco ou Beja, ou mesmo 10,39% em Portalegre. Olhando para os dados disponibilizados pelo INE, fica clara a manutenção das assimetrias, o reforço da concentração no litoral – 20% da população está concentrada em apenas 1,1% do território - ainda que permitindo o crescimento tendencial de cidades de menor dimensão, refletindo certamente o diferencial entre custos associados à habitação.
Algumas das características mais importantes da estrutura da população são a taxa de juvenilidade e a taxa de envelhecimento. A juvenilidade da população vem associada a aspetos valorativos como a capacidade de renovação da população ativa, a maior capacidade de empreendimento e de inovação. Os resultados do Censo não trouxeram, de facto, novidades. É-nos mostrado que o país tem 182 idosos por cada 100 jovens. Em 2011 já era preocupante com os 128 idosos por cada 100 jovens, mas veja-se como a situação evoluiu tão rapidamente. Este processo de envelhecimento que vai claramente continuar, resultante de melhorias em termos da qualidade de vida e ainda bem, colocará Portugal a ter de defrontar problemas estruturais difíceis, como a reforma e alargamento da prestação de serviços de saúde, a estruturação das redes de cuidados continuados e de serviços formais geriátricos, entre outros. Pertenço já a este grupo, que me merece todo o respeito, mas quando quase um quarto dos residentes tem 65 anos ou mais, face aos 12,9% de jovens até aos 14 anos, isto significa que o rejuvenescimento da população ativa está em risco. E trabalhadores, construtores do futuro, só se conseguem tendo filhos ou aceitando mais e mais imigração. Por cada 100 pessoas que saem do mercado de trabalho, só entram 76.
Braga mantem algo da sua característica de reservatório demográfico; a dependência dos jovens anda pelos 20,36, mas vão longe os valores que tornavam o distrito o mais jovem da U.E. Tambem aqui se torna claro o agudizar das assimetrias, um país com mais gente e mais jovem no litoral, face a um interior envelhecido e tendencialmente vazio. Mais importante do que discutir a regionalização, deveria ser, analisar, discutir, propor e implementar medidas efetivas capazes de induzir a atração quer de populações, quer de negócios e da qualidade da vida. Já agora, em Braga, o índice de envelhecimento é bastante mais favorável do que no país como um todo, conforme mostra um valor de 131,47.
Menos, mais velhos – e mais sós. A dimensão média dos agregados familiares diminuiu como todos bem sabemos, mas a par disso 8% da população portuguesa é divorciada, mais do que o peso dos viúvos (7,5%). O peso dos núcleos familiares monoparentais cresceu, acarretando consigo mais restrições e dificuldades, e também mais pobreza. As tipologias familiares tornaram-se menos lineares, com um claro acréscimo de uniões de facto e de segundos casamentos.
De qualquer forma, os dados do INE oferecem-nos um retrato positivo no que diz respeito à educação, e isso é muito bom. Toda a análise teórica, suportada empiricamente, afirma de forma clara a existência de uma relação entre produtividade, capacidade de inovação e o nível de formação dos recursos humanos. O país partia atrasado, e de níveis qualificacionais muito baixos por comparação aos seus principais parceiros comerciais, nomeadamente na U.E. De acordo com o INE, nesta última década, 21,2% da população com mais de 21 anos frequentou o ensino superior. Em Braga a situação é melhor, com 29,9% da população residente com o ensino superior completo, reflexo da relevância dos investimentos nas instituições de ensino superior. E com o ensino secundário, já anda quase pelos 54%.
Sobre este tema muito haveria ainda a dizer, e se me permitem, voltaremos a ele na próxima oportunidade.

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