Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Cada um com a sua cama

O que nos distingue

Escreve quem sabe

2012-10-07 às 06h00

Joana Silva

A criança que durante a noite procura a cama dos pais deseja conforto e segurança. Esta apelação infantil é frequentemente acompanhada pelo pranto, pelo choro compulsivo, “o atirar-se para o chão” etc., com o intuito de “vencer” a resistência dos pais.

Perante tais situações, por vezes, torna-se difícil, dizer não, sobretudo os pais permissivos, que não aguentam assistir “ao sofrimento dos filhos”. Estes pais invadem-se pelo sentimento de culpa, pois já que, não socorrem as necessidades afectivas, como a atenção e o carinho ao filho durante o dia, por motivos de trabalho, sentem a obrigação de o fazer durante o período noturno.

Também podem ser acometidos por memórias da sua infância, em que em certas alturas das suas vidas também já almejaram atenção dos pais e não a receberam e devido a essa má experiencia tem a necessidade de responder a todas as solicitações do filho. Hábitos como o deixar dormir na cama dos pais, pode ter repercussões negativas nos mais pequenos. Para além disso, quando a criança dorme no quarto dos pais a noite de sono nunca é totalmente reparadora pois há sempre o medo de que se possa magoar a criança durante a noite e também quando um se mexe há uma tendência para o outro acordar.

Inconscientemente os pais, por vezes, sem intenção, potenciam este habito principalmente quando a dinâmica familiar se expressa numa dinâmica de trocas. Quantas vezes, por exemplo, quando a criança não quer comer a sopa, se diz que “se comeres a sopa, pronto … vens dormir ao quarto dos pais” ou “ se dormires no teu quarto amanha dou te aquela boneca ou o carrinho que tu tanto querias”. Ora esta situação é o inicio de tudo o resto, pois a recompensa não deve ser a base de troca. Um outro aspecto relevante e pouco abordado diz respeito às tensões familiares.

Clarificando, um casal que está com problemas conjugais, pode ver um pretexto para se afastar do/a companheiro/a, no motivo do filho chorar, porque não quer dormir sozinho, e como tal, acaba a dormir todas as noites no quarto do pequeno. Tais atitudes fortalecem cada vez mais o pensamento do “não consigo dormir sozinho” incrementando assim um comportamento de total dependência dos pais, ocasionando até consequências bem mais gravosas, tais como, a não resolução dos problemas do dia-a- dia sem a intervenção dos pais.

A criança não cria autonomia, desenvolve angústia, ansiedade, insegurança devido ao vínculo dependente aos pais. É certo que, algumas mudanças no dia-a-dia podem causar insegurança, como a entrada ou mudança de escola mas não é o motivo para uma mudança definitiva para o quarto dos pais. Na hora do deitar é imprescindível estabelecer regras, desde o horário de deitar ou talvez, empregar um ritual agradável desde o lavar os dentes, ler uma história etc.

É igualmente relevante, explicar que assim como o pai e a mãe tem os seus objectos pessoais e de uso, como escovas de dentes, a roupa etc. também devem ter cada um a sua cama. A decoração do quarto da criança é fundamental, deve ser convidativa e apropriada à sua idade. Se porventura a criança tiver medo do escuro, uma luz de presença ou autocolantes colocados nas paredes e que brilham pode ser uma boa solução.

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