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Bronquiolite - os ‘gatinhos’ que não deixam a sua criança respirar

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Bronquiolite - os ‘gatinhos’ que não deixam a sua criança respirar

Voz à Saúde

2019-11-19 às 06h00

Joana Afonso Joana Afonso

Chega o final do Outono e o início do Inverno e são frequentes as idas ao Serviço de Urgência com as crianças mais pequeninas (até aos 2 anos) que parecem não conseguir respirar e apresentam um estridor que preocupa todos os cuidadores. Na maior parte destes casos, quase 7 em cada 10, a causa diz respeito à presença de um vírus que ataca os pulmões e leva a um quadro de Bronquiolite.
A criança começa com um quadro semelhante a uma constipação com pingo no nariz ou congestão nasal e em 48 a 72 horas, irá aparecer a tosse, frequentemente seca. É, igualmente, comum que a criança comece a aumentar a frequência respiratória, parecendo mais ofegante, e que apresente sibilos, muitas vezes descritos como “chiadeira” ou barulho de “gatinhos”. Podem apresentar, ou não, febre, assim como recusa alimentar e irritabilidade. Na maioria dos casos, a Bronquiolite começa a desaparecer ao fim de 5 a 6 dias, sendo rara a necessidade de acompanhamento hospitalar.

Um dos problemas é que se trata de uma doença que, embora não seja muito grave, é extremamente contagiosa através do contacto com secreções respiratórias de crianças que estejam infetadas com o vírus. Embora a tosse seja um dos grandes veículos de transmissão, o maior responsável é o contacto das mãos que tenham secreções contaminadas. Assim, a lavagem das mãos antes de contactar com os bebés ou as crianças mais pequenas é a melhor forma de controlar a propagação da doença.

Apesar do curso benigno e autolimitado da Bronquiolite, há crianças que apresentam maior risco que outras. É o caso dos bebés com idade inferior a 6-12 semanas de vida, dos que têm história de prematuridade e nasceram antes das 37 semanas de gestação, dos que estão expostos ao fumo do tabaco e dos que têm outras doenças (problemas de coração, respiratórios, neuromusculares, défices imunitários ou Síndrome de Down).
O diagnóstico é clínico, ou seja, baseia-se na história clínica e nos sinais e sintomas apresentados, não sendo, por rotina, necessária a realização de análises ou outros exames complementares de diagnóstico. Por esta razão, em caso de suspeita, não hesite em procurar o seu Médico Assistente que saberá como o orientar, aliviando os sintomas da criança e atuando conforme a gravidade do quadro. A procura de ajuda médica é ainda mais importante se a criança tiver dificuldade em respirar, se não estiver a mamar / comer em cerca de 3 refeições, se não urinar no espaço de 12 horas, se tiver febre alta (superior a 39oC), se tiver outros problemas de saúde ou se estiver demasiado prostrada.

O tratamento da Bronquiolite passa por medidas simples como a desobstrução nasal frequente (com soro fisiológico nasal), a elevação da cabeceira da cama ou do berço para ajudar a criança a respirar e, ainda, o reforço da hidratação, dando água nos intervalos das refeições e mantendo o aleitamento, se ainda for o caso. Importa também garantir um ambiente isento de fumo. Uma vez que a doença é causada por um vírus e não por uma bactéria, não está indicado o uso de antibióticos. Da mesma forma, por rotina, não estão indicados os broncodilatadores / nebulizadores. Completamente contraindicados estão os xaropes para a tosse.
O regresso à creche / infantário é possível assim que a sua criança se sinta bem, já se alimente normalmente e não tenha dificuldade em respirar.
Lembre-se, cuide de Si (e dos Seus)! Cuide da Sua saúde!

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