Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Brincar é urgente!

Um futuro europeu sustentável

Voz às Escolas

2017-01-02 às 06h00

Maria da Graça Moura

Quero assim sublinhar que - tal como no Natal - as crianças têm de estar todos os dias no centro das nossas preocupações e que a sua educação tem de ser a primeira das nossas prioridades, enquanto famílias e enquanto sociedade (mensagem de Natal do Primeiro-Ministro de Portugal).

Reconhecendo a importância desta mensagem, defendendo verdadeiramente esta prioridade, é imperativo um alerta - os nossos alunos vivem esmagados pela quantidade de horas que passam na escola. O advento da ‘escola a tempo inteiro’ manteve, no essencial, a duração das atividades letivas, mas aumentou as atividades escolares e de apoio à família e, nos casos mais extremos, as crianças ficam na escola das 8h às 18h de cada dia útil da semana.

Os nossos alunos trabalham mais horas que os próprios pais, o que os torna, em muitos casos, deprimidos, descoordenados, tímidos, hipersensíveis e agressivos.
A entrada no 1º ciclo do ensino básico significa, desde logo, uma grande redução nas brincadeiras. As tarefas escolares e o estudo ganham uma importância muito acentuada; a criança passa a maior parte do seu dia na posição sentada, sem direito a movimentos mais livres e amplos, numa atitude que se opõe à sua condição natural de desenvolvimento, que é, precisamente, a atividade motora.

O adorado recreio é o filho mais pobre da escola. Cada vez mais a componente letiva aumenta e o recreio diminui. ‘Recreio’ vem de recrear: renovar, reanimar, distrair, alegrar, ou seja, um tempo que deveria ser livre, um dos poucos momentos de autonomia que as crianças têm neste carrossel de obrigações, atividades e tarefas que a sociedade lhes impõe. Ora, o que inquieta os professores é que estamos a diminuir consideravelmente a oportunidade de as crianças desenvolverem as suas capacidades motoras, cognitivas e sociais de maneira saudável.

Brincar livremente tornou-se uma atividade pouco praticada. E brincar está longe de ser fútil. É uma atividade completa, em que os mais novos aprendem a decidir, a negociar, a colaborar, a pensar e a criar, a descobrir o que querem e como o querem fazer. Brincar faz bem à saúde, é terapêutico. Na verdade, a brincadeira, esta coisa aparentemente tonta à qual não damos muita importância, ajuda a desenvolver muitas habilidades e qualidades como independência, criatividade, curiosidade e capacidade de resolver problemas.

A brincadeira ajuda a explorar sentimentos e valores, expressar preocupações, ouvir conselhos, simular situações para encontrar caminhos que ajudem a enfrentar o dia-a-dia. As brincadeiras têm uma importância crucial na formação social, moral, intelectual, física e motora.
O não brincar ocasiona danos profundos no ser humano: gera crianças mais obesas, mais sentadas, com menos competências sociais e relacionais, mais isoladas, indisciplinadas, individualistas e ansiosas que, muitas vezes, recorrem a medicação ou apoio psicológico.

É urgente aliviar a pesada tarefa escolar, a carga diária de compromissos. Investir, depois de uma componente curricular adequada, nas atividades livres, promotoras de desenvolvimento saudável. Investir, investir muito, no tempo da família!
Acreditar é preciso!...
Um feliz 2017!

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