Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Brincadeiras e brinquedos

A pretexto de coisa alguma

Escreve quem sabe

2011-11-06 às 06h00

Joana Silva

As prateleiras dos supermercados das grandes superfícies sinalizam a época que se avizinha, o Natal. Também a televisão anuncia, brinquedos espantosos, sofisticados, pitorescos, auto-suficientes, ruidosos e não só … para “pesadelo” de alguns pais são também muito dispendiosos. Estes brinquedos são uma autêntica tentação para qualquer criança que quando os vêem exprimem “uauauu”! Todavia a mesma intensidade com que entusiasma a criança, perde-se com o decorrer do tempo, isto é, são postos de lado, após serem manuseados, por exemplo, durante duas semanas. Não obstante, também uma grande parte desses brinquedos não necessita da assistência da criança, pois por serem altamente sofisticados basta apenas que se prima um botão, para que a máquina opere sozinha. Investigadores sociais afirmam que hoje as crianças brincam pouco, pois o acto de brincar está associado a movimentação física, a envolvência emocional e o desafio mental. As brincadeiras que envolvem a actividade física, por exemplo, facilitam o desenvolvimento motor, o equilíbrio, a destreza, a concentração e a agilidade.
Hoje as brincadeiras são mais sedentárias, mais individualistas e de pouca estimulação mental. As crianças passam “horas a fio” a assistirem televisão ou diante de um computador a jogar. Este tipo de brincadeiras não solidificam laços de amizade, porque ao brincarem sozinhos não interagem com outros meninos. Muitos pais preferem que os seus filhos brinquem em casa porque consideram que sob a sua vigilância estão mais em segurança. De facto, “os tempos que correm” são perigosos mas é sempre importante proporcionar, sempre que possível, diferentes experiencias às crianças. Comparativamente com outros tempos, os do antigamente é certo que poderia não haver tantos brinquedos, devido à falta de dinheiro, mas era usada a criatividade e imaginação para os criar. São imensos os jogos e brincadeiras que transpuseram o tempo mas que permanecem vivos na memória, tais como, jogo do pião, jogo da macaca, jogo do botão, jogo das escondidas, construção de bonecas de trapos entre outros. As crianças, cultivavam as amizades indo ao encontro dos companheiros de maior afinidade, mesmo que tivessem de andar quilómetros quer a pé, quer de bicicleta. De facto são esses momentos que permanecem na memoria e que fazem rir quando relembrados. Hoje em dia as brincadeiras alteraram-se em relação ao passado. Conforme o ser humano cresce, vai perdendo a capacidade de brincar espontaneamente talvez por receio ou vergonha do que os outros possam pensar, mas o que é certo e tal como diz a sabedoria popular “todos temos uma criança dentro de nós” e a qual nunca de perde. As chamadas actividades tradicionais (corridas de sacos entre outros) tão características das festa do Magusto permitem voltar a estes tempos da infância que já lá vai…
Cada geração tem a sua forma de brincar, mas é importante permitir a esta geração o contacto com as brincadeiras de antigamente para que compreendam que para se divertirem não necessitam de brinquedos caros e sofisticados. Esta transmissão de saberes deve ser difundida na escola e na família e não meramente circunscrita a uma exposição de um museu. Tal como a necessidade de comer e de afecto, o brincar são indispensáveis à saúde física, emocional e intelectual e nunca uma perda de tempo.

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