Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Brexit, um problema ou uma oportunidade?

Amarelos há muitos...

Escreve quem sabe

2018-12-07 às 06h00

José Maria Costa

Com a finalização e a formalização do acordo da saída do Reino Unido da União Europeia, avivam-se as consequências que o Brexit pode causar ao nosso país, em especial à região Norte. O tema esteve em debate na 132ª. reunião plenária do Comité das Regiões, que esta semana decorreu em Bruxelas, com a presença da Comissária Europeia responsável pela Política Regional, Corina Cretu, e do negociador principal do Brexit, Michel Barnier; e na qual estive presente como responsável pela Delegação Portuguesa no Comité das Regiões.
A saída do nosso mais antigo aliado preocupa-nos, em especial na região Norte, onde se produzem bens e produtos que estão mais dependentes das compras dos britânicos. Segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), Portugal seria o sexto país da União Europeia mais afetado com a saída do Reino Unido. Mas, se é verdade que a situação é preocupante, uma vez que as relações comerciais entre Portugal e Inglaterra são das mais antigas do nosso país, e as nossas empresas podem sofrer perdas irreparáveis; esta é também uma boa oportunidade para se retirar dividendos dessas nossas ligações que fomos criando ao longo dos anos.
Senão vejamos. Segundo os relatórios sobre a emigração, nos últimos anos, o Reino Unido é o destino que mais atrai portugueses escolarizados e o único país onde a taxa de emigração de cidadãos portugueses qualificados ultrapassa os não qualificados.
Ora, tendo a região Norte grande parte da sua estrutura empresarial assente nas relações com o Reino Unido, nomeadamente no domínio dos vinhos, dos têxteis, do setor automóvel e do turismo, é certo que, nesta primeira fase, teme-se uma natural turbulência; no entanto, há perspectivas que devem ser exploradas com um conjunto de fatores a favor do crescimento económico.
Na minha opinião, Portugal e a região Norte, em particular, devem aproveitar esta presença tão dinâmica e tão ativa de portugueses tão qualificados que temos no Reino Unido para um reaproximar e um aprofundar o nosso relacionamento secular. Se temos no Reino Unido a comunidade portuguesa mais jovem e mais bem qualificada, porque não utilizar essa influência a favor do reaproximar das relações entre os dois países? Estamos a falar de portugueses com cargos importantes na área financeira, enfermeiros, arquitetos, mas também músicos, bailarinos, assistentes sociais, cientistas. Estamos a falar de portugueses que são influentes em Inglaterra, que estão pre- sentes nos mais diversos patamares empresariais, e nas mais diversas áreas, como o setor industrial, a arquitetura e o design, e muitos deles assumem altos cargos no tecido empresarial britânico.
Esta é uma oportunidade para se ativar uma diplomacia económica junto da nossa emigração e assim se desenvolver outras relações e outros espaços de conexão. E porque não as próprias autarquias portuguesas, enquanto agentes políticos, aproveitarem este fenómeno para aprofundarem e estreitarem relacionamentos com outras cidades do Reino Unido? Porque não as autarquias valorizarem os seus nativos em Inglaterra para estreitarem relações e desenvolverem outros espaços de aproximação com municípios e empresas britânicas?
É claro que o maior trabalho compete ao Governo central e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Eles são as instituições principais para motivarem um maior impulso das relações com as nossas comunidades e das relações empresariais do Reino Unido com o mercado português. Com um relacionamento tão antigo e estável e com uma localização privilegiada, Portugal pode ter aqui uma oportunidade de substituir outros países no relacionamento com o mercado do Reino Unido, podendo vir a assumir-se como um parceiro privilegiado daquela região da Europa.

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