Correio do Minho

Braga, terça-feira

Braga: Uma visão de futuro

O que nos distingue

Ideias Políticas

2018-04-17 às 06h00

Pedro Sousa

Portugal, a Europa e o mundo estão, hoje, confrontados com uma realidade incontornável. A urbanização, ou seja, a concentração de pessoas nas cidades, é um fenómeno que ganhou força no século XX e que o século XXI tem demonstrado ter vindo para ficar.
Estima-se que, actualmente, quase 60% da população mundial já viva em cidades, sendo que há números que apontam que entre novos habitantes, ganhos a áreas peri-urbanas e rurais, e novos habitantes já nascidos nas cidades, este número aumente cerca de um milhão de pessoas por semana. Segundo dados das Nações Unidas, de 2016, a população mundial a viver em cidades passou de 38% em 1976, para mais de 55%, em 2016.
A título de exemplo, apontar os dados de Portugal, da Europa e do Brasil.
O Brasil tem cerca de 85% por cento da população a viver em cidades, ainda que das mais de cinco mil cidades identificadas, cerca de quatro mil, sejam cidades com até 20 mil habitantes.
Portugal, por sua vez, tem cerca de 43,6% da população a viver em cidades, 30,3% em zonas consideradas intermédias e, apenas, 20,6% em áreas não urbanas, tendo as últimas décadas, tal como em quase todo o mundo, reforçado a tendência da concentração da população nas cidades.

A realidade não é diferente na União Europeia, onde se registam 40,2% dos habitantes a viver em cidades, 32% em zonas intermédias e 27,8% em áreas rurais, sendo bastante clara, também, o crescimento de uma tendência de concentração urbana em todos os vinte e oito países que a compõe.
Percebida esta tendência, importa reflectir sobre os desafios e oportunidades que a mesma coloca aos autarcas de um município e, sobretudo, planear de forma estratégica e prospectiva, o desenvolvimento das mesmas.
De entre os desafios, de natureza necessariamente diversa, destacar alguns (de entre centenas) que me parecem especialmente importantes: a importância de explorar activos, tangíveis ou intangíveis, de natureza autêntica e irrepetível, que as posicionam e valorizam no plano nacional e internacional; a necessidade de se organizarem de forma eficiente, privilegiando a segurança, a estética e uma visão sustentável da comunidade e do território, dimensões essenciais a poder oferecer elevados padrões de qualidade de vida e melhor acomodar o processo de crescimento; criar mecanismos, instrumentos, para integrar imigrantes, na sua diversidade e multiculturalidade; desenvolver plataformas de I&D+i (investigação, desenvolvimento e inovação), bem como de transferência de conhecimento, ao mesmo tempo que se constituem como centros de prototipagem de inovações (living labs); atrair e reter talentos de dimensão internacional; adaptarem-se para melhor servir populações cada vez mais envelhecidas; reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis, procurando gerar energia a partir de fontes renováveis em redes integradas em redes inteligentes; oferecer governança e serviços centrados no cidadão e nas suas necessidades, serviços que devem ser eficientes, ininterruptos, transparentes e com respostas tendencialmente individualizadas; criar espaços de expressão individual e colectiva que reforcem a partilha, estimulem a criatividade, a diversidade, ao mesmo tempo que ajudam a recuperar o convívio presencial entre cidadãos.
Temos, assim, que uma visão de futuro para uma cidade tem, inevitavelmente, de abraçar sete dimensões: autêntica, conectada, criativa, inovadora, intelectual, inteligente e sustentável.
Aqui chegado quero olhar para a realidade de Braga e reflectir um pouco sobre o que é, mas, principalmente, sobre aquilo que pode e deve ser.

Braga é uma cidade em crescimento continuado, sendo, provavelmente a cidade portuguesa que mais cresceu nos últimos trinta anos, destacando-se, ainda, por ter uma população muito jovem, a mais jovem do país.
Braga destaca-se, ainda, por ter uma excelente universidade, já fortemente internacionaliza e por albergar, devido ao INL, centenas de cientistas de muitas latitudes, ao mesmo tempo que revela uma grande apetência para o empreendorismo de base tecnológica, com projectos muito interessantes na área do software, dos sistemas de informação, da biotecnologia e da nanotecnologia.

Braga destaca-se, também, por ser uma cidade bimilenar, com inúmeras tradições como a semana santa, com um património religioso ímpar, onde se destaca o complexo do Bom Jesus e a Sé de Braga, sendo que do ponto de vista do lazer e do turismo natureza, está a vinte e cinco minutos do litoral e a outros vinte e cinco do Parque Nacional da Peneda-Gerês, factores competitivos por excelência. Não esquecendo que está situada a, apenas, 40 kms do aeroporto Sá Carneiro e do Porto de Leixões, factores competitivos de grande monta, que reforça, a sua conectividade e contribuem, sobremaneira, para a sua atractividade.
Braga tem, portanto, quase tudo. Falta-lhe uma visão política esclarecida, estruturada e ambiciosa, falta liderança e marca adequada para dar a Braga a chancela de cidade incubadora e o estatuto de cidade inovadora e autêntica. Falta-lhe, infelizmente, o mais importante.

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