Correio do Minho

Braga, terça-feira

Braga Romana

O elefante elegante e a girafa gira

Ideias

2018-05-17 às 06h00

Aida Alves

Hoje, sejamos um pouco mais romanos
Hodie, aliquantillum Romaniores
 
Caros leitores, Caros concidadãos
Cari lectores, cari cives

Hoje, inicio este texto em latim para dar mote ao tema que hoje aqui me traz a importância que as instituições de memória têm no apoio à revitalização póstuma de um povo, na referenciação bibliográfica de grandes autores clássicos. Estes, permanecem disponíveis nas bibliotecas para os leitores, e teimam em perpetuar as memórias do povo romano, naquelas que eram as suas práticas de vida quotidiana, social, cultural e política. Preservar o património histórico, cultural, social e a identidade de um povo é uma missão subjacente à área das instituições da Memória. Os bibliotecários, arquivistas, museólogos, historiadores, arqueólogos, entre outros profissionais partilham da ideia de que preservar é preciso, e o saber é uma obrigação. Associam o património às questões memoralistas e identitárias. Os patrimónios documentais e museológicos respondem pelo passado, presente e futuro do Homem.
Quem vive ou passeia na cidade de Braga, respira parte da nossa história já com mais de 2.000 anos de existência. Vivemos ou passeamos na Bracara Augusta, capital da província da Callaecia, região que incluía a atual Galiza e Norte de Portugal. Da Bracara Augusta se transportaram para os dias de hoje vestígios arqueológicos que podem ser conhecidos e visitados em diversos locais: Museu D. Diogo de Sousa, Termas da Cividade, Carvalheiras, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, entre outros espaços.
Se pensarmos como é espantoso, viajarmos, na atualidade, na nossa cidade, por recantos de construções passadas, por memórias e ruelas de uma cidade outrora romana, podemos sentir que fazemos um viagem que ultrapassa a mera questão do espaço e é feita em 4D, sendo a quarta dimensão o tempo.
Nas bibliotecas, conseguimos respirar a memória de uma cultura clássica e conseguimos absover o que de melhor se produziu na literatura latina e romana e consultar estudos e investigações históricas publicadas. Ao mesmo tempo que pesquisamos o passado e sobre o passado, entrevemos o futuro, de pés firmes no presente. Nas bibliotecas, podemos apreciar obras escritas originalmente em latim, que atualmente estão traduzidas para português, e que permanecem como um legado da cultura antiga, especialmente da Roma Antiga.
No tempo em que se dá o mote para revisitar a Bracara Augusta, na iniciativa Braga Romana, dedique um pouco de seu tempo a ler e percorrer alguns dos autores clássicos como Séneca, Plauto, Terêncio, Plínio (O Velho).
Sabemos que nas bibliotecas encontramos obras que versam géneros distintos como a poesia, a comédia, a tragédia, a sátira, a história, e a retórica, muito em paralelo com a literatura grega. Do latim antigo chegaram até nós peças de autores como Plauto (cerca de 230 a.C. - 180 a.C) O Soldado Fanfarrão (uma das suas peças de teatro, por exemplo), Terêncio (ca. 195 a.C.-185 a.C. ca. 159 a.C) O homem que se puniu a si mesmo (peça de teatro), Vitrúvio Tratado de Arquitectura, ou Plínio, o Velho - na sua magnífica obra História Natural. Marco Valério Marcial foi um epigramatista latino, publicou quinze livros de epigramas, com destaque para O Livro dos Espetáculos (Liber Spectaculorum). A sua obra chegou quase na totalidade aos nossos dias, influenciou diversos autores, tais como Francisco de Quevedo, Bocage e Gregório de Matos.
Associando-nos ao evento que é a Braga Romana que decorrerá na nossa cidade nos próximos dias, podemos dizer que as bibliotecas, sendo depositárias de espólio de grandes autores romanos, podem responder aos leitores curiosos. O passado é uma fonte de aprendizagem, o presente é uma vivência, o futuro é sempre uma esperança do fazer e do acontecer. Sejamos um pouco artífices do conhecimento, da literatura, do desenho, geometria, do conhecimento histórico, ou seja, da criação.
Como afirma Séneca, orador romano e escritor (em latim: Marcus Annaeus Seneca; 54 a.C. - 39): A natureza uniu-nos numa imensa família, e devemos viver nossas vidas unidos, ajudando-nos uns aos outros.
Através da ação cultural e educativa, através das diferentes dinâmicas de grupos de cidadãos, conseguimos manter acesa a memória individual e coletiva de um povo, neste caso do povo romano, que deixou parte da sua história e património edificado na região.

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