Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Braga Romana

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias Políticas

2015-05-26 às 06h00

Francisco Mota

Este fim de semana as ruas, as gentes da nossa terra e os forasteiros vestiram-se a rigor para reviver os tempos da Bracara Augusta. Como se de um gesto de magia se tratasse ou de uma máquina tempo que permitisse viver no passado, recuamos mais de 2000 anos para conhecer e viver os costumes, as tradições e as histórias dos nossos antepassados.

Sendo uma iniciativa de afirmação e consolidação, nos últimos anos, a “Braga Romana”, conquistou dentro e fora de portas uma posição muito forte, arriscando-me a dizer que se trata do maior evento cultural e histórico realizado na nossa região. Com uma presença inegável no seio da nossa comunidade, quer através das escolas ou das próprias famílias bracarenses, o empenho e a recriação através destes, faz com que a iniciativa se torne uma marca turística e cultural muito atractiva para quem nos visita.

O aparecimento da designada Roma Portuguesa, ou seja da Bracara Augusta na sua era deve-se essencialmente a uma necessidade e opção política de afirmação do império romano.
Com as primeiras explorações militares ao noroeste da península Ibérica realizadas no século II a.C., comandadas pelo cônsul romano D. Junius Brutos, dá-se nessa altura uma grande batalha entre romanos e brácaros (povos locais descendentes dos Celtas e que habitavam no nosso território), provavelmente nas imediações daquela que viria a ser a futura Bracara Augusta.

Após a conquista definitiva do noroeste peninsula, Augusto ordena o início de uma reorganização administrativa que visava a dita afirmação do império, com a integração da população no mundo romano, a criação de vias e o desenvolvimento do comércio. É inserida nesta política que na década anterior a Cristo é fundada a cidade Bracara Augusta. A finalidade da sua fundação foi de carácter religioso e de difusão cultural do império sobre os povoados nas proximidades.

Também adjacentes a esta realidade geocultural a cidade assumiu ainda funções jurídicas e económicas.
O período Romano, antes da sua decadência, foi de afirmação e crescimento para a então Bracara Augusta. Entre a construção de edifícios públicos como a Domus, templo as termas, o senado ou o teatro e a abertura das vias de acesso a cidade rapidamente começou a tomar forma.

Desenvolveram-se, ainda, as actividades económicas como a metalurgia, olaria e principalmente o comércio. Com tudo isto, a demografia da cidade altera-se, entrando novas gentes e posteriormente a sua fixação graças às condições que o território oferecia. Nos anos 50 d. C. o comércio já desempenhava um papel fulcral na cidade e na região, daí hoje sermos conhecidos como a “Capital do Comércio”.

A afirmação desta importante actividade económica é sentida pelas importações de vidro, cerâmica e objectos de adorno, alguns produtos importados eram de grande qualidade e gosto refinado, o que sugere a existência de uma poderosa elite romana na urbe. Já as exportações eram marcadas pela cerâmica de qualidade e metais. A cidade conquista assim estatuto junto de Roma configurando-se como referência a nível peninsular.

Passados mais de 2000 anos e aprendendo muito com a história e as estórias dos nossos antepassados, a recriação daquilo que foi a nossa fundação enquanto identidade territorial e administrativa é um desafio corajoso, difícil, mas ao mesmo tempo gratificante, porque apenas poderemos construir o nosso futuro conhecendo e respeitando o nosso passado.

Segundo o quanto os números nos permitem alcançar, a edição da Braga Romana deste ano bateu todos os recordes, desde assistência, à participação e envolvimento, ao desfile e à animação, o que nos deve orgulhar e congratular pelo que este dinamismo traduz para a economia local e para a promoção da nossa cultura e da nossa cidade. Ainda assim, e porque o evento se encontra num momento de amadurecimento, é importante reflectir sobre a quebra física que existe entre os diversos espaços mercantis, gastronómicos ou culturais, pois na minha opinião devia ser corrigido de forma a quem participa e visita a Braga Romana sinta a continuidade do evento. Por outro lado o prolongamento das actividades nocturnas poderia potenciar um maior envolvimento e ganho significativo para a economia local.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

11 Dezembro 2018

Cultura plena

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.