Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Braga Romana 2012

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Ideias

2012-05-28 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Existem, um pouco por toda a Europa, cidades que se afirmam pela sua vertente cultural, mas normalmente numa área apenas. Umas afirmam-se pelo cinema (como é o caso de Cannes, França); outras pela vertente renascentista (como Florença, Itália), outras pelas touradas (Pamplona, Espanha), outras pela música (Viena, Áustria) ou pelo sofrimento (Sarajevo, Bósnia). Mas poucas podem orgulhar-se de verem a sua localidade afirmar-se por mais do que um motivo. É nessas cidades que Braga se encontra actualmente.

Creio que não restam muitas dúvidas de que Braga é conhecida pela ‘Roma portuguesa’, precisamente pela sua profunda vertente religiosa. Marcas como o Bom-Jesus do Monte, o Sameiro, a Sé Catedral e as quase quatro dezenas de igrejas que existem nesta cidade tornam-na uma atracção religiosa ao nível mundial. De igual modo, a iniciativa ‘Braga Romana’, que ontem encerrou a sua edição de 2012, tem transformado Braga num exemplo de cidade que recorda as suas origens, e que o faz com crescente rigor e perfeição.

Um dia após o encerramento da ‘Braga Romana 2012’, creio ser indispensável deixar aqui umas palavras de referência e gratidão aos organizadores desta iniciativa.
Ao longo das décadas, até séculos, e se exceptuarmos as iniciativas de cariz popular (S. João) e religioso (Semana Santa) não são muitas as exposições e/ou iniciativas que Braga organizou, em edições sucessivas, e que tivessem atingido proporções de grande afirmação regional e nacional. Há a destacar aqui a célebre exposição agrícola realizada no então Campo de Santana, em 1863, e que entusiasmou todo o reino português, mas foi momentânea e não voltaria a realizar-se nos anos seguintes.

Houve, posteriormente, algumas exposições. Contudo, todas elas acabaram por ter apenas uma edição e, dessa forma, não conseguiram afirmar-se de forma permanente.
Com a ‘Braga Romana’ a situação é diferente: desde quarta-feira (dia 23 de Maio) até ontem, o centro histórico de Braga foi literalmente invadido por ‘romanos’, numa grande adesão popular e uma enorme afirmação do dinamismo cultural e histórico desta região.

Antes destas edições da ‘Braga Romana’, se perguntássemos aos bracarenses como se vestiam os romanos, poucos saberiam responder de forma adequada; se perguntássemos como se alimentavam, poucos saberiam responder de forma adequada; se perguntássemos como era a sua cultura, poucos saberiam responder de forma adequada e se perguntássemos como, por exemplo, era realizado um funeral, poucos saberiam responder de forma adequada. Agora, não tenho a mínima dúvida que a maioria deles saberá apontar algumas das tradições da cultura romana. E graças a quê? Precisamente às actividades realizadas durante estes cinco dias que marcaram o evento.

Estamos habituados a assistir a um grande envolvimento das associações desta região noutras actividades, mas nunca como hoje se verificou uma adesão, com tanto empenho e mérito, a uma iniciativa de grande alcance cultural, como a ‘Braga Romana’. A ela têm aderido, cada vez mais, associações e entidades. Deste modo, a grande conquista desta iniciativa é a melhoria que anualmente é introduzida nesta feira de cariz histórico-cultural.

A selecção dos participantes e a qualidade da sua participação têm melhorado ano a ano e é claramente visível por todos. Por isso, torna-se justo prestar uma homenagem a todas as instituições que participaram, pela sua qualidade e empenho. Sem detrimento desses bons exemplos, creio ser justo destacar aqui o rigor histórico e cívico que foi apresentado pela Escola Secundária Sá de Miranda.

Num trabalho que durou cerca de quatro meses, quase duas centenas de elementos desta escola resolveram recriar um funeral de um soldado romano, que acabou por ser uma das maiores novidades e riquezas histórico/culturais da ‘Braga Romana’ deste ano. Desde o respectivo soldado ‘morto’, neste caso Marcus Antonius Augustanus (soldado da VII legião ‘Gemina Felix’, que morreu aos 45 anos de idade e serviu na VII legião durante 18 anos) às carpideiras (choradeiras profissionais), aos familiares, aos amigos, aos músicos que acompanhavam as cerimónias fúnebres e ainda ao batalhão de legionários (militares), tudo isto esteve representado no cortejo fúnebre levado a cabo por esta escola durante a ‘Braga Romana 2012’.

Não houve aqui uma intenção de aproveitarem a “Braga Romana” para afirmarem o nome da escola (este apenas estava presente em três letras - ESM), mas sim uma grande preocupação em apresentar a todos os que assistiram, uma vertente da cultura romana, neste caso apresentada através de um cortejo fúnebre.

Participações desta elevação ficam na memória de quem assiste, tal como ficou a Alfacoop quando, há dois anos, recriou a célebre aldeia de Obélix/Astérix. A qualidade demonstrada pelos exemplos que aqui apresentei só acontecem quando há um projecto e quando há rigor, empenho, atitude e, fundamentalmente, descomprometimento. E estas características estão bem espelhadas nestas instituições, como estão espelhadas na organização da Braga Romana.
Com este nível de crescimento e de rigor, não restam dúvidas de que a iniciativa ‘Braga Romana’ está a afirmar-se, cada vez mais, como uma das maiores iniciativas culturais realizadas em Braga.

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