Correio do Minho

Braga, terça-feira

Braga precisa de novas políticas

O conceito de Natal

Ideias Políticas

2011-10-14 às 06h00

Carlos Almeida

Ponto prévio: tinha como intenção usar este espaço, nesta oportunidade, para escrever sobre os primeiros dois anos deste último mandato de Mesquita Machado no comando do Município de Braga. Lamento, mas sobre isso não consigo gastar mais caracteres do que estes: o balanço da gestão do PS na Câmara de Braga, a meio do mandato, é zero! Baseia-se apenas em estudos, projectos e candidaturas ao QREN, dos quais nos falam há uma boa meia dúzia de anos.
No entanto tenho muito para escrever sobre os próximos dois anos. Bem sei que não é a mesma coisa, mas acho muito mais interessante.

Preste atenção e não se deixe iludir. Nos próximos dois anos vão chover investimentos. De um lado a construção do parque do Monte do Picoto, do outro o parque das Setes Fontes. Aqui a nova pousada da juventude, ali a remodelação do edifício do ex-quartel da GNR. Pelo centro um projecto inovador - único no país, como não podia deixar de ser (estamos em Braga, caramba!) - para a regeneração dos edifícios, ruas e praças.

A ideia, meus caros amigos, é garantir que, no dia das eleições, ninguém se esquece da obra feita. Vai estar tudo fresquinho na cabeça das pessoas. Por isso, não sejamos injustos e percebamos que nestes dois primeiros anos de mandato eles não podiam fazer nada. Estão a guardar-se para o fim. Aí sim, lá para 2013, tem que haver dinheirinho para gastar. A propósito ainda reduzem as taxas e os impostos municipais, vejam lá! Tem sido sempre essa a estratégia do Partido Socialista, no poder em Braga há 35 anos. E não duvidemos que não vão mudar de planos, pois, apesar de tudo, tem-lhes garantido sempre vitórias sucessivas.

Entretanto, vamos caminhando para a construção de uma cidade cada vez mais descaracterizada, com espaços públicos modernos, do melhor que há!, mas vazios, sem pessoas e sem vida; com juventude a mais para o velho e gasto projecto autárquico do Partido Socialista; com milhares de habitações vazias dentro e fora do perímetro urbano, mas com pessoas que dormem na rua; com grandes superfícies comerciais prontas para abrir, mas com lojas históricas a encerrar no centro urbano; com uma casa de espectáculos monumental fechada às suas gentes, colectividades e grupos culturais; com uma Universidade em expansão permanente, sem qualquer articulação ou ligação ao município.

É isto que temos visto, meus amigos. E o que por aí vem não promete melhores dias. Tão-pouco podemos fazer fé no que alguns, à espreita do poder, nos vêm dizendo. É que esses senhores, que há muito anseiam derrotar o PS em Braga e chegar à Presidência do município, em nada ficam atrás quanto ao seu projecto político. Bem conhecemos as suas práticas na governação do país. Escutemos o que, às vezes, talvez por distracção, lá deixam passar entre os dentes: a privatização dos transportes públicos, o reforço do investimento privado em áreas da competência do município ou o acordo e incentivo à extinção de freguesias do concelho.

Mais preocupante isto se torna quando nos apercebemos de que alguns, com tanta vontade de chegar ao poder, pensam que já lá estão. Eles andam por aí com as garras de fora e dentes afiados, à espera do chamamento. Saiba o povo de Braga perceber que a alternativa não está na alternância. Não está precisamente naqueles que, no poder, suportariam a mesma lógica de interesses imobiliários, com os mesmos agentes que hoje suportam a maioria do Partido Socialista. Não está também porque o clientelismo, as promiscuidades e os favorecimentos que hoje se critica, seriam as práticas de amanhã. Só mudaria a cor do cartão.

Não nos serve portanto esta ideia de alternância, em que um PSD camuflado quer aparentar uma mudança perante um PS, desgastado e repleto de vícios.
Em Braga, como no país, PS e PSD têm dado provas de que caminham juntos, lado a lado, estando de acordo nas questões estruturais. Quando um ou outro se opõem é por mera estratégia partidária ou porque se trata de questões acessórias. No fundamental os projectos de um e de outro assemelham-se e a prova maior disso mesmo está na aceitação e assinatura por ambos do memorando da Troika, em que se definem as linhas políticas para os próximos tempos, a pôr em prática no governo, assim como nas autarquias.

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