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Braga e o braguismo

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Braga e o braguismo

Ideias

2020-01-15 às 06h00

Carlos Vilas Boas Carlos Vilas Boas

Pelo terceiro ano consecutivo decorre em Braga a final four da taça da liga em futebol masculino. Trata-se de um acontecimento que prestigia a cidade e foi uma flagship dos eventos que conduziram à distinção de Melhor Cidade Europeia do Desporto 2018, cujo impato pode aferir-se pelo apetite na sua organização em anos vindouros.
A atribuição da final four a Braga não anda desligada dos sucessos no século XXI da sua equipa de futebol. Surgiu a distinção entre bracarenses e braguistas, aqueles os cidadãos do concelho, estes os adeptos do Sc Braga.
Paralelamente, as vitórias no campo e em títulos pelo Sc Braga fizeram recrudescer junto aos rivais o famigerado epíteto de lado B de um clube de Lisboa. Inúmeras vezes fui chamado a recusar tais alegações em almoços e reuniões de amigos e conhecidos, sem grande sucesso, pois este “irritante” mais tarde ou mais cedo acabava por ressurgir à baila, muitas vezes pela voz dos mesmos intervenientes.

Não posso levar a mal ser incompreendido, nisto de futebol é difícil aceitarem a nossa imparcialidade, num mundo regido pelas paixões clubísticas. Futebol é isso mesmo, é ir ao Municipal desesperar com aqueles jogos do Braga nesta época, com o melhor guarda-redes no banco e esse jovem prodígio chamado Trincão a entrar só a 7 minutos do fim, prometermos não voltar mais ao Estádio, para no próximo jogo em casa lá estarmos novamente sentados nas respetivas cadeiras anuais, de volta a ver o Braga jogar.

O tal “irritante” tem origem nos tempos idos do estádio 28 de maio, depois 1º de maio, donde se dizia que nos encontros do Braga com o Benfica, não só os apoiantes deste time estavam em maioria, como até a maioria dos bracarenses se revelavam apoiantes desse clube da capital. Acrescenta-se que agora não será assim, por causa dos sucessos do Braga na era António Salvador, mas terminada a época áurea, tudo regressará à fase anterior.
A minha memória de infância e as conversas com os mais velhos levam-me a acreditar que havia de facto tantos benfiquistas como bracarenses a torcer pelos respetivos clubes no majestoso 1º de maio. Com uma explicação simples, os bracarenses eram os mesmos que puxavam pelo seu Braga, em número habitualmente não superior a metade da lotação do estádio, como agora. Os do Benfica provinham maioritariamente dos concelhos vizinhos como Vila Verde, Póvoa de Lanhoso, Fafe, Famalicão, Barcelos e do distrito de Viana, que não tinham equipa na 1ª divisão, sendo a melhor hipótese de ver o seu clube ao vivo.

Recentemente o Dr. Hermenigildo da Encarnação, professor da Universidade Católica em Braga, ofereceu-me o seu último livro “Era uma vez uma vida, uma Esperança”, uma excelente autobiografia de um menino pobre e milagrosamente salvo de decesso precoce, num caminho que passou pelos votos de padre mais tarde revertido a uma vida civil por vontade da matrimonialidade, até alcançar o topo empresarial têxtil, qualidade em que há muitos anos o conheci.
Na página 77 encontro a prova. O autor vivia numa aldeia da Vila da Feira e retrata a sua deslocação à Bracara Augusta na companhia de pai e avô benfiquistas para ver o Benfica no Estádio 28 de maio, deslocação tão em voga nas décadas de sessenta e setenta mesmo para quem vivia a sul do Porto. Em 1975 seria eu a ir com o meu pai à Feira ver o Braga, perdemos mas subimos derradeiramente nesse ano à 1ª divisão.

A democracia do poder local no após 1974 traduziu-se num forte crescimento de Braga, a que não é alheia a Universidade do Minho. Na magnificência do binómio de Braga cabe o braguista, maioritário, como cabe o portista, benfiquista ou sportinguista. Também há bracarenses e portistas em Lisboa, como benfiquistas e bracarenses no Porto. Eu sou apenas português e bracarense, não distingo em mim o braguista do bracarense. Mas não diminuo o bracarense que não é do Sc Braga, tanto mais que muitas vezes a cor do filho é a do clube do pai, com os meus filhos passa-se o mesmo.
Revisito a escrita de Miguel Esteves Cardoso “Braga é fantástico…”. Estive no Municipal de Coimbra em 2013 na vitória na Taça da Liga e em 2016 no Jamor na conquista da Taça de Portugal. Mas também estive em Dublin em 2011 e no Jamor em 2015. Agora quero mesmo é ver o Braga Campeão!

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