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Braga, quinta-feira

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braga: Capital Ibero-Americana da Juventude

A Escola em tempo de “guerra”

Escreve quem sabe

2015-06-28 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Braga foi designada Capital Ibero-Americana da Juventude 2016. Um reconhecimento e uma oportunidade para o futuro, tal como considerou Ricardo Rio, Presidente do Município. Um legado que Braga conquistou, e um desfecho que permeia Portugal e os jovens portugueses pelo pioneirismo e pela liderança, que têm assumido no desenvolvimento das políticas para a juventude, no contexto da União Europeia e do espaço Ibero-Americano.
A cerimónia, que decorreu no Palácio de Belém, ficou marcada pela homenagem que a OIJ - Organização Ibero-Americana da Juventude, pela mão do seu Secretário-geral, Alejo Ramirez, fez ao Presidente da República, o distinguiu como Embaixador Ibero-Americano da Juventude.
A dinamismo da cidade, em matéria de políticas de juventude, a par da pujança do tecido associativo juvenil, foram determinantes para a proposta do governo português, de acordo, Ministro da Presidência, Luís Marques Guedes. Será capital ibero-americana da juventude por mérito próprio, e um ato de justiça para o país, pela forma como tem investido ao longo destas três décadas nana consolidação de uma política integrada para a juventude.
Um caminho longo que começou em 1984, com a criação do RNAJ - Registo Nacional de Associações Juvenis, que veio reforçar a importância crescente conferida ao diálogo estruturado dos jovens com o Estado. Não sendo uma figura nova, a Secretaria de Estado da Juventude e dos Desportos, estando integrada no Ministério da Educação, reflectia no FAOJ o efeito redutor dos problemas da juventude, continuando a confiná-los à ocupação de tempos livres, e essencialmente, à área da educação.
Vindo, esta questão, a ganhar pertinência com a criação, em pleno ano internacional da juventude, da Secretaria de Estado da Juventude, junto da Presidência do Conselho de Ministros em 1985, com o X Governo Constitucional. Uma política de Juventude global e integrada, numa altura em que Portugal se confrontava com a oportunidade e o desafio de adesão à CEE - Comunidade Económica Europeia.
Foi nesta altura, que o Estado reconheceu a condição social juvenil, como motor de mudança no processo da construção de uma sociedade mais moderna, justa e solidária. Onde se destacou o trabalho das organizações políticas de Juventude e do movimento associativo juvenil. Um papel centrado no seu poder reivindicativo, e na capacidade de participação dos protagonizado pelos jovens, durante a primeira década de construção e consolidação do regime democrático, que viria a culminar com as comemorações do Ano Internacional da Juventude em 1985.
Uma nova fase das políticas de juventude na Europa e na América Latina, em que Portugal assumiu um papel pioneiro e deu um contributo crucial, através da acção concertada dos seus sucessivos governos, das autarquias locais, do movimento associativo e dos jovens em geral. Uma atitude de reconhecimento dos novos desafios, interesses e necessidades que anunciaram um novo perfil social, cultural e económico da condição juvenil.
Uma política global e integrada, assente no reconhecimento do potencial estratégico da juventude para o desenvolvimento do país, estruturada em novos mecanismos de participação e de intervenção: o Conselho Nacional da Juventude; o Conselho Consultivo da Juventude Actualização do Registo Nacional das Associações Juvenis (RNAJ); o desenvolvimento do Programa de Apoio às Juvenis (PAAJ); o novo estatuto do dirigente associativo; a aposta no associativismo estudantil do ensino superior e do ensino secundário;
Foi na década de 80, que se conjugaram as condições sociais económicas e políticas que colocaram, definitivamente, a juventude na agenda política, onde o distrito e Braga assumiu uma posição de liderança nas dinâmicas estruturantes deste novo ciclo político. Uma dinâmica centrada nas actividades desenvolvidas pelos jovens, associações juvenis, e a implementação de uma rede de parcerias de proximidade, com as autarquias locais, escolas e Universidades, firmando o carácter multidisciplinar e transversal da política de juventude.
Neste contexto, foi em Braga (1987) que se iniciou um programa nacional de investimento em infraestruturas, com a reconstrução das instalações da Delegação Regional, que se expandiu à Pousada de Juventude em Vilarinho das Furnas, Esposende (Foz do Cávado) e, mais tarde, à construção da Pousada de Guimarães. Um programa de construção e remodelação das instalações das associações juvenis em todo o distrito, que se mantém atualmente. Ficando por cumprir a construção de uma nova Pousada de Juventude em Braga, uma aspiração de três décadas, que finalmente vai ser concretizada por vontade do Município e do Secretário do Desporto e da Juventude, Emídio Guerreiro, que responde a uma aspiração da Direção Regional Norte do IPDJ.
Já em 1991, um ano crucial de consolidação das políticas públicas para a juventude, Braga assumiu o estatuto (informal) de capital da Juventude, com a organização de uma programação de âmbito distrital, que se denominou como “Braga Jovem 91”. Uma iniciativa dinamizada pelo Instituto Português da Juventude, que teve a seu epicentro na capital do distrito, envolvendo uma rede de parceiros alargada a todo o distrito, com destaque para participação ativa dos 13 municípios.
Foi também anfitriã do Fórum Mundial da Juventude das Nações Unidas em 1998. O documento que saiu dessa reunião, “Braga Youth Action Plan“, que hoje orienta, as medidas das Nações Unidas na área da juventude.
Em 2007, em Bruxelas, o Fórum Europeu da Juventude (FEJ) adoptou uma resolução sobre as Capitais Europeias da Juventude e atribuiu a Roterdão, o título de primeira Capital Europeia da Juventude em 2009. A candidatura de Braga - Capital Europeia da Juventude 2012, surgiu como um desafio do Conselho Nacional da Juventude. O facto de ser a cidade mais jovem do país e umas das cidades mais jovens da Europa, ditaram a sua concretização, e a consolidação da marca “Juventude”, como a sua matriz identitária.
Uma dimensão estratégica que ganha um novo impulso, no âmbito da sua afirmação internacional, com o título de Capital da Juventude Ibero-Americana, uma comunidade de 150 milhões de jovens com idades compreendidas em os 15 e os 29anos, no ano em que se celebram os 35 anos da primeira celebração do Ano Internacional da Juventude.

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