Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Braga Barroca: um evento de relevância

Dois anos de Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico

Escreve quem sabe

2017-11-08 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo

O quotidiano açucarado, gosto conventual tornado hábito em dias de festa, teve com Josefa de Óbidos (c.1630-1684) foro de obra de arte. Esta natureza morta, (um quadro recheado de doces conventuais e outros adereços) de 1976, capta com vida objetos do gosto inserindo-se, assim no jogo do artificioso (Biblioteca Museu A. Bramcamp Freire, Santarém) Foto Produções Totais (História de Portugal - 4º Volume ‘O Antigo Regime’ Pag.446, Direção se José Mattoso - Editorial Estampa).

Sem lugar a dúvidas, a exposição temporária sobre a pintora Josefa de Óbidos, organizada em parceria pelo Município de Braga e Memórias da Misericórdia de Braga (Centro Interpretativo), em nessa magnânima joia Barroca do Palácio do Raio, foi um dos grandes acontecimentos da Braga Barroca.

E relevante e grandioso a arte desta pintora portuguesa, nascida em Sevilha em 1630, tendo mais tarde optado pela sua residência em Óbidos, terra do seu pai. Seus quadros, com imagens muito bem ilustradas, onde utiliza diversas técnicas muito bem elaboradas, faz com que o publico que visitou a exposição ficou deslumbrado e impressionado com estes quadros de arte total, como o Cordeiro Pascal (1680) de (Braga - Igreja do Congregados) obra genial; O Menino Jesus Salvador do Mundo (1673) com esse pormenor de túnica transparente; A Santa Teresa diante da Santíssima Trindade (1672) uma fascinante expressão mística; O Calvário (1679) expressiva e testemunhal imagem, parece que o sangue de Jesus Cristo na Cruz não para de jorrar; o quadro da Santa Eustáquia (1670-1680) para mim tem muitas recordações e saudades, faz lembra-me a minha mãe, que se chamava Eustáquia.

Fica evidente a grandiosidade de esta exposição que passará a memória futura, manifestando o esforço de todas as Santas Casas da Misericórdia pela sua colaboração, já que a obra de Josefa de Óbidos esta espalhada pelo país, em diferentes lugares e instituições e assim foi possível realizar este magnânimo evento.
Outros destaques na Braga Barroca é a Tradicional Encenação da Entrada Triunfal do Arcebispo D. José de Bragança e Cortejo. O concerto A Disputa entre a Harmonia e a Invenção, bem ilustrados com as Quatro Estações de A. Vivaldi (Barroca) é as cuatro Estaciones Porteñas de A.Piazzolla (Mus. Neo-Barroca Moderna) interpretado pela Sinfonietta de Braga.

O Sarau Barroco pelo Conservatório de Musica Calouste Gulbenkian, que todos os anos recria o Barroco em todos seus contendidos, musica instrumental, canto, dança, música de camara, onde anos atras anos passam estes alunos magníficos, muitos deles profissionais de musica de excelência.

No Museu dos Biscainhos o Barroco vive uma excelente apresentação do livro Cartas Sobre a Dança e Sobre os Bailados de Jean-Georges Noverre - traduzido, editado e apresentado pelo bailarino, coreógrafo e mestre de dança Vicente Trindade, homem de muita cultura e saber de que é a dança Barroca, bom comunicador, fiquei admirado quando identificou com toda a sua experiência, uma Galharda (dança de origem francesa) que estava-mos a ensaiar eu e o meu colega Prof. Ricardo Fernandes.

Outro momento interessante é uma novidade neste Braga Barroco foi a Visita Guiada com Música (sons no Palácio: animação com musica Barroca) interpretado pelo duo Prof. Ricardo Fernandes (guitarra clássica) e o Maestro Félix Alonso Cabrerizo (Record - Flauta de Bisel) que com arte e cultura interpretaram obras de A. Vivaldi, M.A.Charpentier, J.S.Bach, G.F. Haendel, J.P. Rameau e G.F.Telemam, maravilhosas de danças Barrocas, como Passacaglia, Minuet, Gavotta, Bourre, Galharda, Pavana e estilos como o Coral, Aria e Concerto. Foi uma surpresa excelente, que requer muito trabalho e esforço e que visa reabilitar sobre toda a flauta de bisel.

Este concerto uma das valências de um projeto chamado Jardim Musical - Blogue: https://jardimmusical.wordpress.com que estes dois Professores de música estão a desenvolver a cerca de 5 anos de existência, está a dar bons resultados, trabalhando em diferentes áreas musicais: Pré-Primária - 1.º Ciclo e 2.º Ciclo - Orquestra ORFF, trabalhando em música barroca, música erudita e mais estilos de diferentes épocas.
A Braga Barroca é uma marca do Município de Braga de interesse turístico e é reviver as memórias do seu património e dar testemunho da grandeza Bracarense.

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