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Braga, a minha cidade

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Braga, a minha cidade

Voz aos Escritores

2021-02-12 às 06h00

Fabíola Lopes Fabíola Lopes

Braga foi eleita como o melhor destino europeu a visitar em 2021. E claro que é bom e claro que é motivo de orgulho coletivo para os brancarenses.
Vale o que vale, é certo, por ser uma votação online. E se por um lado nos é dito pelo Presidente da Câmara que 70% da votação veio de pessoas que não habitam a cidade, por outro lado há sempre uma parte da votação que depende do interesse dos seus cidadãos no assunto. E Braga tem uma certa história nisso.
Braga foi eleita a Cidade Europeia do Desporto em 2018 porque conseguiu juntar o maior número de atletas no centro da cidade em diversas modalidades. E evoluiu muito nessa oferta nos últimos anos, honra feita aos diversos atletas e treinadores que temos e nos enchem de orgulho. Isto é, quando Braga é chamada aos holofotes, os bracarenses batem no peito e clicam com o dedo. Ou mostram, da forma a que forem chamados, que têm orgulho na sua cidade.
Por outro lado é bom saber que os turistas que por cá passaram gostaram do viram. Sobretudo do que viveram, que é o que mais nos fica na memória além do registo fotográfico. Além dos vários monumentos e igrejas a visitar, Braga oferece uma gastronomia apelativa e acessível. Mas as pessoas que cá habitam, a sua simplicidade e generosidade no acolhimento e acompanhamento, é que fazem com que a cidade seja vista e sentida desta forma.
Braga é um nome de identidade e de antiguidade. De um certo fascínio à volta de pedras milenares e do entrelaçado de uma certa forma de viver, entre os saberes acumulados e as novas descobertas. Entre a tradição e a modernidade. Entre a cultura e a ciência. Entre o begueiro e a vossa excelência, se quiserem.
E foi com orgulho que soubemos que Braga foi tido pelo jornal O Globo como o eldorado brasileiro. É um povo irmão que nos enriquece de muitas formas e que pode ser enriquecido por nós também. As partilhas sem palas são sempre benéficas e nós somos bons no acolhimento, afinal o nosso melhor cartão de visitas. Mas rapidamente percebemos o reverso da medalha: o aumento das rendas.
O bracarense estava habituado a um modo de vida económico, com rendas variáveis entre os 250 e os 500 euros. O disparar das rendas deixou muitos bracarenses sem alternativas ou com os orçamentos familiares estrangulados. O apartamento mediano passou a começar nos 500 euros, inacessível a muitas famílias.
A revista norte-americana Forbes anunciou no ano passado Braga como estando no pódio das cidades europeias com melhor qualidade de vida. Nós, bracarenses, sabemos disso há muitos anos. Braga foi considerada a cidade mais económica do país anos a fio, com menor trânsito e maior funcionalidade. Em 5 minutos conseguimos atravessar a cidade de uma ponta à outra. Quem não se lembra do entusiasmo do Miguel Gonçalves?
Ou conseguíamos. Este glamour fez aumentar a população e com isso o trânsito, especialmente ao final da tarde. Claro que não estamos ao nível e congestionamento das capitais, mas… percentualmente será assim tanta a diferença? É que a julgar pela entrada/saída de Infias eu diria que estamos pior e a solução já era urgente há 6 anos.
E parece-me evidente o orgulho coletivo que todos os bracarenses têm na sua cidade, nesta cidade que nos enche os olhos e a barriga, que vibra de energia e criatividade. De crescimento. Agora estamos em confinamento, não vale fazer comparações.
Mas tudo isso depois tem um custo ou o lado escuro da medalha que brilha ao sol. É que os bracarenses que tanto amam a sua cidade não são possuidores de pequenas fortunas feitas do outro lado do Atlântico para conseguirem sustentarem-se numa cidade assim. Na sua cidade, afinal.
É bom viver em Braga. E é bom não esquecer que o que faz Braga ser o que é são os bracarenses.

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